Quando o aluno se sente desafiado e incentivado, ele consegue desenvolver competências e habilidades que o permitam interagir melhor e se apropriar do conceito/tema abordado. Diante dessa perspectiva, no Colégio São José, em Pelotas (RS), trabalhei com projetos científicos de ensino na disciplina de química para a melhoria da aprendizagem da minha turma do oitavo ano do ensino fundamental.
Para trabalhar diferentes conceitos de química, as atividades envolveram a elaboração de propostas para solucionar uma situação problema que estava presente no cotidiano dos alunos. De forma contextualizada com as outras disciplinas, eles tinham que elaborar argumentos a partir de cadernos de campo, fotos, diários e outros recursos para acompanhar o desenvolvimento do trabalho.
A proposta rendeu diferentes projetos. Muitos deles foram aceitos em grandes mostras e feiras, como foi o caso do “Bio-Subterrâneo”, em que os alunos criaram um mecanismo para ajudar a diminuir o entupimento dos bueiros após chuvas. Com esse sistema, o lixo que era recolhido, principalmente o plástico, passou a servir como matéria-prima para a produção de um tijolo ecológico. O trabalho foi aceito na Mostratec (Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia) e foi base da participação deles no FLL (First Lego League).
Também foi desenvolvido um projeto de aplicabilidade da Lei de Henry na identificação e caracterização do composto perfluorocarbono como possível substituto do sangue, que acabou inscrito Mostrarob (Mostra Nacional de Educação, Ciência e Tecnologia), no Salão Jovem UFRGS e Mostratec. Outro trabalho pesquisou o uso do óleo essencial da noz-moscada como alternativa para reverter danos causados pela quimioterapia, que foi aceito na Mostratec, Salão Jovem da UFRGS e na FEBRAT (Feira Brasileira de Colégios de Aplicação e Escolas Técnicas).
Utilizando a criatividade dos alunos para dar forma aos modelos atômicos e o cotidiano aliado a apropriação da linguagem científica, foram surgindo muitos projetos científicos que passavam do concreto ao abstrato: o primeiro fez a modelagem dos modelos atômicos para que fossem percebidos pelos colegas de forma concreta; já o segundo, mostrou a importância de se realizar a leitura de rótulos e embalagens. Ambos foram aceitos para participar de eventos em eventos de diferentes estados, como a FEMIC (Minas Gerais), INFOMATRIX (Paraná), FENECIT (Pernambuco), MOSTRAROB (Rio Grande do Sul), MOCICA (Caruru) e MOSTRATATEC JÚNIOR (Rio Grande do Sul).
Como também não salientar o projeto “Catalisando estratégias para potencializar a inclusão do ensino da química e da matemática para estudantes com deficiência visual”, que a partir de sua classificação, foi a Londres ser apresentado.
No ano de 2018, o processo não parou. Eles criaram QR Code como práticas educativas, esponja anti poluição; membrana pvac, bullying e juventude, nanotecnologia e estudo da clorofila como fertilizante. Fomos aceitos pela primeira vez em um eventos no Peru e no Uruguai.
Já acabou profe? Espero que não, que venham tantas outras ideias e problemáticas para estudar! Não posso esquecer de dizer que os projetos científicos são dos ALUNOS. Nós ajudamos na condução, na pesquisa, damos o apoio, mas o mérito é deles! A todos meus pupilos, minha eterna gratidão por me permitir acompanhá-los nessa caminhada e por muito aprender com vocês. As transformações surgem quando se confia e investe no aluno.







