Protagonismo infantil: a chave da gestão democrática
Diretora de escola pública discute medidas que podem ser tomadas na volta às aulas para favorecer a participação dos alunos
por Solange Turgante Adamoli 29 de janeiro de 2018
Mais um ano letivo começando, energias recarregadas, que tal planejar ações para implementar Gestão Democrática Participativa na sua escola?
Desde 1988 com o advento da Constituição Federal vimos surgir “gestão democrática do ensino público, na forma da lei” (Art. 206, inciso VI) e depois esta definição é acrescida de “e da legislação dos sistemas de ensino” na Lei de Diretrizes e Bases em 1996 (Art. 3, inciso VIII) como um desafio a ser alcançado em nossas escolas.
A proposta inicial, e que se mantém até os dias de hoje, restringe a Gestão Democrática na formação e atuação do Conselho Escolar, o que pode ou não ser efetivo dependendo da instituição.
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Mas por que não ampliamos nosso olhar para a palavra “democrática” e passamos a compreendê-la como um princípio mediador do processo ensino e aprendizagem?
Sob este ponto de vista, a questão que a gestão da escola deve propor ao seu coletivo é: quem queremos formar? Se a resposta for a clássica frase “um cidadão crítico”, esta escola pode começar a estabelecer ações que possibilitem aos seus educandos “serem” cidadãos no aqui e no agora como pessoas que pensam e que possuem opiniões a serem consideradas nesse espaço independente de suas idades.
Cidadania é emancipação e escola é o local para a prática da cidadania que é indissociável da prática da democracia.
Na EPG Manuel Bandeira, temos o Conselhinho formado por representantes das turmas da educação infantil ao ensino fundamental com o objetivo de aprender a trabalhar com representatividade: falar somente o que foi discutido em sua turma, nunca em nome próprio, e o grupo cobrar dos representantes se estes argumentaram em seu nome. As crianças serão eleitas agora em fevereiro; os educandos a partir do 3º ano são convidadas a elaborarem plataformas para suas candidaturas, ou seja, eles vivenciam um processo eleitoral e um mandato que dura um ano.
Todo início de ano, professores se debruçam a “fazer combinados” com suas turmas. Porém o que vemos, é uma lista de regras feitas por adultos e que é perguntada rotineiramente ano após ano, e respondida com uma regra após a outra com um sonoro “não pode” no piloto automático e que nunca são seguidos. “Combinar” é definir com e não impor para. Uma boa Roda de Conversa com alguém disposto a ouvir o que as crianças têm a dizer é muito mais significativo.
Temos o exercício das Assembleias Escolares para resolução de problemas coletivos, colocação de propostas e criação de regras. Para isso, as crianças escrevem em cartazes. Se os problemas ou proposta forem referentes apenas ao espaço da sala de aula ou a sua turma, a discussão será na Assembleia de Classe, porém se forem relacionados aos espaços de uso coletivo, estes irão para a Assembleia Geral mensal.
Neste contexto, as crianças aprendem a argumentar seus pontos de vista, responsabilizar-se por suas escolhas, assumir as consequências de suas atitudes, pois são protagonistas desse espaço que chamamos Escola.
Da mesma forma, as relações vão se constituindo com todos os segmentos que compõem o coletivo escolar. O diretor de escola é apenas um elemento deste conjunto que está na liderança em muitos momentos, mas que deve principalmente saber delegar.
Ser um gestor democrático é permitir que as potencialidades de sua equipe apareçam, incentivando-os, não tolhendo seus planos, isto traz como resultado um grupo que se sente pertencente aquele espaço e o comprometimento vai além do cumprimento de horário e o recebimento do salário no fim do mês. É permitir que a comunidade escolar se empodere do seu papel lhe trazendo segurança no exercício de suas funções e cada vez mais vimos surgir parceiros proativos com um objetivo comum: a melhoria da qualidade social da educação!

Solange Turgante Adamoli
Solange Turgante Adamoli é diretora da EPG Manuel Bandeira, em Guarulhos (SP). É formada em artes plásticas e pedagogia com especialização em alfabetização e coordenação pedagógica.
O gestor tem que criar espaços de escuta para que os alunos,manifestem suas ideias e não só cumpram combinados feitos por adultos.
O pertencimento dos indivíduos começa pela participação efetiva nas tomadas de decisões e a responsabilidade pela busca de melhoria,
Concordo com a sua colocação Sabrina e diria ainda que a participação do indivíduo (aluno), na escola têm efetivamente início quando esses são instigados a pensarem sobre seu cotidiano escolar, vivências e atitudes. Portanto, se faz necessário desafiá-los ao protagonismo com pequenas ações responsáveis e supervisionadas pelos adultos para que assim, gradativamente, possam construírem-se primeiramente como pessoas e depois como verdadeiro cidadãos cujo futuro do País e da Educação podem estar em suas mãos.
A Democracia possibilita ”voos de liberdade”… é construir saberes coletivos e individuais através de diálogo construtivo e emancipatório.
Educação se faz sim com protagonismo juvenil e infantil, onde alunos e professores juntamente com a equipe gestora busquem o melhor para uma escola agradável que caminhe rumo ao sucesso.
A ideia de criar espaços de escuta, na minha opinião, deveria começar pela disponibilização destas oportunidades para os gestores, que em muitas situações se sentem solitários e abandonados a sua própria sorte
Como mediadores do conhecimento, podemos alcançar nossos objetivos, conduzindo alunos a serem participativos, ativos, pessoas criticas e que venham a contribuir para essa troca e busca constante da evolução e do aprendizado.
”Ser um gestor democrático é permitir que as potencialidades de sua equipe apareçam”, ótima essa colocação, sem dúvida dar espaço para a equipe, contribuirá muito mais e de forma positiva para a instituição de ensino.
Os alunos também devem opinar na gestão
O gestor deve estar conectado ao que a comunidade escolar necessita criando espaços para tal.
o gestor tem que participar das tomadas das decisões na escola
Um gestor democrático possibilita que toda comunidade participe das decisões da gestão escolar
A responsabilidade do gestor é imensa: avaliar, planejar, reavaliar, acolher alunos, professores e comunidade… não é fácil, porém é necessário.
Muito importante que o aluno tenha seu espaço onde possa ser ouvido, podendo colocar suas angústias e ideias par melhorar o ambiente escolar
A equipe gestora precisa abrir espaços de discussão com todo o segmento escolar.
O gestor deve ouvir todos os segmentos da comunidade escolar.
Todo e qualquer lugar possibilita a participação cidadã mas a escola é o espaço educativo e construtivo dos conceitos e de uma prática saudável e comprometedora de exercer a cidadania.
Todos devem e precisam ser ouvidos.
Os diretores devem proporcionar momentos onde os alunos possam expor suas ideias.
A gestão democrática deve priorizar os anseios de sua comunidade escolar!