Uso de tablets em sala incentiva trabalho colaborativo - PORVIR
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Diário de Inovações

Uso de tablets em sala incentiva trabalho colaborativo

Professora conta como chegada de novos aparelhos ajudou na troca de experiências e aumentou a participação familiar na educação

por Silvana Tomazi Camozzato ilustração relógio 5 de agosto de 2015

Sou professora da rede pública de ensino de Pato Branco, no Paraná, há 20 anos e sempre tive curiosidade de utilizar tecnologias digitais como suporte na prática pedagógica em sala de aula. Na secretaria de Educação, entrei em contato com o projeto municipal Clique Conhecimento, que distribuiu 1100 tablets em 2013 para alunos do 5º ano das 22 escolas participantes. 

No começo, nós precisamos fazer um trabalho de conscientização com os professores. Nem todos eram a favor do uso do tablet como uma ferramenta complementar aos livros e cadernos dentro da sala. Então, nós da coordenação do projeto realizamos essa formação: explicamos como o aparelho funciona, quais são suas funcionalidades, como e quando utilizá-lo para complementar o aprendizado. E nesse momento percebemos que o uso de aplicativos ajudaria nessa missão. 

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Alguns deles foram desenvolvidos exclusivamente para o projeto, como o jogo da tabuada e o aplicativo exclusivo com informações do município, que trazia a parte histórica e geográfica da região. Alguns professores contribuíram com a iniciativa, fornecendo fotos que formaram um acervo para os alunos consultarem pelo aplicativo.Também pudemos contar com a ajuda de alguns escritores infanto-juvenis, que disponibilizaram as versões digitais de seus livros para serem colocadas nos tablets dos alunos. Além disso, nós instalamos outras ferramentas que facilitaram o trabalho, como o editor de texto, usado para produções; o gravador, para os estudantes realizarem entrevistas, e o produtor de slides.

Depois que os professores passaram pela formação, eles tinham liberdade para escolher com quais aplicativos iriam trabalhar. Por isso, souberam utilizar jogos de forma mais didática, como o bichinho virtual de estimação Pou. Nesse trabalho, os alunos utilizavam porcentagem para calcular quanto o bichinho tinha de comida. Elas também trabalharam com os alunos a necessidade do cuidado com o aparelho, já que esses seriam levados para a casa todos os dias.

No final de 2013, fizemos uma atividade de encerramento do ano. Todas as escolas participaram; algumas apresentaram trabalhos de português, outras de história, matemática. Uma escola do interior fez um concurso de fotografias. Os alunos tiraram fotos belíssimas do campo e do pôr do sol.

Como tivemos bons resultados, nós resolvemos criar a Maratona do Conhecimento. Entre várias atividades, os alunos participaram do trabalho “Minha vida é uma história”, no qual tinham que criar uma linha do tempo de sua vida. Para isso, usaram a câmera do tablet para tirar “foto das fotos” de quando eram pequenos e o gravador para realizar entrevistas com os familiares. Com o material pronto, eles montaram uma apresentação de slides, tudo isso usando o equipamento. Hoje, o projeto inclui os alunos do 4º ano e, ao todo, 2100 tablets já foram distribuídos.

A possibilidade de levar o aparelho para casa foi extremamente prazerosa para os alunos. Isso serviu de motivação para eles e as famílias também participarem mais da vida escolar desses jovens. Antes da chegada dos tablets, o contato com a tecnologia era muito restrito. Nós tivemos que fazer um trabalho de conscientização da importância de ter cuidado com o equipamento e como esse iria ajudar os jovens a aprenderem de uma forma mais dinâmica. O projeto também ajudou alunos com necessidades especiais, como um aluno autista, que se identificou com o tablet e conseguiu se comunicar através dele. O trabalho colaborativo aumentou muito: os jovens perceberam a importância de ajudar os que tinham mais dificuldade. 


Silvana Tomazi Camozzato

Bacharel em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário Católico do Sudoeste do Paraná (CPEA), graduada no Programa Especial De Formação Pedagógica e em Pedagogia pela Universidade Castelo Branco - Rio de Janeiro. Possui especialização na área de Educação Matemática e Psicopedagogia e Mídias na Educação. Mestrado em Desenvolvimento Regional pela UTFPR - Pato Branco. Sua experiência é na área de Educação, com ênfase em Ensino Fundamental de 9 anos. Faz parte do Apoio Pedagógico da Educação Digital na Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Pato Branco-PR.

TAGS

aprendizagem colaborativa, dispositivos móveis, engajamento familiar, ensino fundamental, interdisciplinaridade, livros digitais, tecnologia

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