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Como Inovar

4 passos para se tornar um professor maker

Especialistas dos EUA mostram como incentivar os alunos a criarem na sala de aula e as habilidades que isso desenvolve

por Gayle Allen e Lisa Yokana, do Getting Smart ilustração relógio 20 de outubro de 2014

O Movimento Maker se tornou um fenômeno global. Em 2013, quase 100 eventos e feiras makers ocorram em cidades como Oslo, Roma, Santiago e Tóquio. As  realizadas em Nova York e San Francisco bateram recordes de público. O trabalho dos pesquisadores educacionais apoia a crença dos educadores no poder de fazer na aprendizagem do aluno, tais como cognição incorporada, aprendizado profundo, habilidades de raciocínio, confiança, criatividade e habilidades do século 21. O resultado? Escolas de todo o país [Estados Unidos] estão convertendo as salas de aula e até mesmo seus edifícios em espaços makers e laboratórios de inovação.

Leia mais: Guia Educação Mão na Massa

Então, imagine como muitos educadores estão surpresos ao ver os estudantes resistirem ao fazer na sala de aula. Há um elo perdido entre a popularidade do mundo real do Movimento Maker e o fazer na sala de aula. Mas o mistério é resolvido se você considerar que a maioria dos educadores nunca aprendeu como ensinar o fazer. O elo perdido é o entendimento do professor.

4 fases do fazer

Fazer e criar pode ser um desafio. Para apoiar a criatividade e a inovação, temos de ajudar os alunos a ver esses desafios como uma parte normal do processo e que eles podem aprender a navegar com êxito com a prática. Para ensinar o fazer, é preciso compreender as principais fases do processo, as reações dos alunos em cada etapa, as posturas mais úteis dos professores e quais habilidades estão sendo ensinadas.

– Fase 1: Introdução
Iniciar o processo através da partilha de um trabalho aberto e os recursos disponíveis para completá-lo. Espere diferentes reações dos estudantes – alguns ficarão nervosos, outros animados e outros aterrorizados. Aqui estão algumas reações típicas de estudantes e boas respostas de professores:

Estudante: “Eu não tenho ideia por onde começar.”
Professor: “Comece fazendo listas, esboços, notas de todas as coisas que vêm à sua cabeça.”

Estudante: “Eu sei o que eu vou fazer.”
Professor: “Se esforce para encontrar mais de uma ideia – mesmo que sejam  apenas variações de suas ideias.”

Estudante: “Todas as minhas ideias são idiotas.”
Professor: “Nenhuma ideia é idiota nesta fase. Desligue todo o julgamento.”

Principais habilidades desenvolvidas: resolução de problemas, abertura às possibilidades, abster-se de julgamento, se envolver com a ambiguidade, brainstorming.

– Fase 2: Experimentação
Os alunos vão passar de empacados para desenvoltos, isso vai se repetir mais de uma vez durante esse processo. Alguns podem precisar trabalhar em silêncio, enquanto outros vão preferir discutir ideias à medida que as experimentam. Eles podem expressar desconforto à excitação conforme trabalham, e muitos vão querer checar cada avanço com você ao longo do caminho. Reações típicas dos  estudante e boas respostas de professores incluem:

Estudante: “Eu não sei qual ideia levar adiante. Eu gosto de mais de uma.”
Professor: “O que você gosta sobre cada uma de suas ideias? Existem pontos de intersecção entre elas?”

Estudante: “É isso o que eu quero fazer. Essa ideia é perfeita.”
Professor: “Vamos comparar essa ideia com o problema que estamos tentando resolver ou a questão que estamos tentando responder. Será que ela dialoga com o que estamos trabalhando?”

Estudante: “Eu não gosto de nenhuma das minhas ideias.”
Professor: “Caminhe pela sala. Converse com seus colegas. Veja o que eles estão fazendo e pergunte a eles como está indo. Veja se isso desperta alguma ideia para você”.

Principais habilidades desenvolvidas: pensamento ágil, pensamento crítico, reflexão, pesquisa, fazer conexões, comunicação.

– Fase 3: Prototipagem
Os alunos estão fazendo e criando. As restrições de recursos surgem, então eles têm que gerenciar materiais e tempo. Durante esta fase, você vai ajuda-los a fazer escolhas e encontrar possibilidades nessas restrições. Reações típicas dos estudante e boas respostas de professores incluem:

Estudante: “Não está saindo do jeito que eu quero. Não tenho os recursos que preciso.”
Professor: “Onde você está se sentindo restringido? Deve haver outras possibilidades aqui.”

Estudante: “É exatamente o que eu queria fazer. Feito!”
Professor: “Compartilhe seu protótipo com os outros. Eles conseguem dizer o que você estava tentando transmitir?”

Estudante: “Isso é difícil. Começar com ideias e esboços para fazer algo concreto.”
Professor: “Você está certo, é difícil. É normal sentir-se dessa forma, enquanto você está criando e fazendo. Vamos por partes.”

Principais habilidades desenvolvidas: perseverança, gerenciamento de recursos, confiança, receber feedback, ver o trabalho como um processo, trabalhar com a ambiguidade.

– Fase 4: Integrando o feedback
Você vai querer mostrar que o fazer é um processo e que o feedback é uma parte importante desse processo. Os alunos terão a oportunidade de refletir e compartilhar o que eles fizeram. Respostas típicas dos alunos e boas respostas de professores incluem:

Estudante: “Por que eu deveria me importar com o que os outros pensam sobre o que fiz? Eu gostei.”
Professor: “Obter um feedback pode ajudá-lo a ver o que você criou através dos olhos de outra pessoa. Você pode aprender algo novo.”

Estudante: “Por que eu tenho que falar sobre o que fiz? Não posso simplesmente mostrar?”
Professor: “Quando Steve Jobs falou sobre o iPhone, ele traduziu sua compreensão do objeto em algo que outros pudessem entender. Em ajudar os outros a entenderem, você também vai refletir sobre o seu trabalho e como você o criou.”

Principais habilidades desenvolvidas: comunicação, conhecimento aprofundado, abertura ao feedback, reflexão, pensamento crítico.

Seus alunos vão revisitar essas estágios e habilidades muitas vezes no processo fazer e criar. Cada vez, eles vão voltar com maior confiança e mais criativos, eles se tornam mais confortáveis com os aspectos desconfortáveis ​​do fazer e com a incerteza que acompanha o processo.

* Gayle Allen é executiva de BrightBytes, empresa norte-americana de software educacional, onde comanda pesquisas e iniciativas para fortalecer líderes educacionais. Ela possui mais de 15 anos de experiência como professora e diretora de escola.
Lisa Yokana é professora de arte e arquitetura da Scarsdale High School, onde coloca em prática o ensino interdisciplinar, envolvendo educadores de outras disciplinas. 


TAGS

competências para o século 21, educação mão na massa, socioemocionais

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Sonia Tobias Prado

Texto muito, muito esclarecedor! Parabéns! Tenho um grupo de alunos do E.M. desenvolvendo currículo na sala de informática, desafios em utilizar programas/aplicativos nas diversas linguagens artísticas..passo por algumas dessas questões colocadas e fiquei feliz em ver que estou no caminho certo nas respostas. Só sinto não poder ter maior acesso à tecnologia ou um número de aulas suficiente para fazer corretamente o feedback com TODOS e não somente com alguns alunos. E o que percebo, sempre é a falta de confiança nas ideias deles mesmos, eles querem a “resposta certa”, tem receios de erro e reinício. Acredito que isso por causa da forma como são avaliados em outras matérias, onde tudo tem erro e acerto e não é cobrado desse aluno um protagonismo de forma diferenciada. O aluno precisa de novos estímulos e os professores, idem.

Sonia Tobias Prado

Texto muito, muito esclarecedor! Parabéns! Tenho um grupo de alunos do E.M. desenvolvendo currículo na sala de informática, desafios em utilizar programas/aplicativos nas diversas linguagens artísticas..passo por algumas dessas questões colocadas e fiquei feliz em ver que estou no caminho certo nas respostas. Só sinto não poder ter maior acesso à tecnologia ou um número de aulas suficiente para fazer corretamente o feedback com TODOS e não somente com alguns alunos. E o que percebo, sempre é a falta de confiança nas ideias deles mesmos, eles querem a “resposta certa”, tem receios de erro e reinício. Acredito que isso por causa da forma como são avaliados em outras matérias, onde tudo tem erro e acerto e não é cobrado desse aluno um protagonismo de forma diferenciada. O aluno precisa de novos estímulos e os professores, idem.

maria

otimo texto . Boa reflexao sobre a cultura Maker que pode ampliar os conhecimentos abrindo horizontes para pratica

Amanda Leite

Adorei o texto, de fácil compreensão, muito esclarecedor e de um suporte incrível ao professor.

Mara Arruda

Parabéns!!!
Adorei o texto, estou com novos horizontes em mente.
Muito obrigada,

Kátia

Texto claro e objetivo… na verdade, descobri que sou uma professora “maker”, pois sempre trabalhei de forma parecida com classes da EJA e EM. Os resultados são surpreendentes!

Adenilson

Parabéns pelo texto de fácil compreensão.

FRANCISCA ELENIRA ABREU LEITE

Ao mesmo tempo que somos professores, também somos alunos.
Aprender fazendo e refazendo, até encontrar a resposta e questionando o objeto, perceber que pode ser melhorado, ampliado, desperta o interesse milhões de vezes superior a questionamentos sem experimentação. O aprender precisa ser prazeroso e humanamente falando, se faz necessário o participar da busca na prática e isto, com a possibilidade do questionar e do refazer.

Naelza Pereira Alves Marioti

Adorei o texto, uma ferramenta muito desafiadora, para tornar nosso trabalho esclarecedor, muuito bom ter acesso a essas novas tecnologias.

Magda

O movimento maker já acontece nas salas de aula, mas de forma tímida e sem nomeá-la . Os docentes precisam de mais suportes como esse, precisamos nos envolver mais.

CRISTIANE SANTOS SILVA

Excelente texto com linguagem clara e objetiva

Maria Suzana

Ótimo texto. Muito pedagógico, muito esclarecedor, objetivo. Contribui com o fazer diário.

Valter Antonio Ferreira

É importante o professor ficar atento à demonstração de tomada de consciência de cada fase pelos alunos.

Ivanciene Manuaris da Silva

Parabéns pelo texto, muito explicativo.

Lívia

Excelente texto! Amando o curso, texto esclarecedor e objetivo! Esse direcionamento nas respostas foi fantástico! Parabéns!!!

Monalini

otimo texto . Boa reflexao sobre a cultura Maker que pode ampliar os conhecimentos

Sirlei Fátima dos Santos Aguiar

É ótimo ver seu interesse em entender as quatro fases do “fazer” e como aplicá-las na sala de aula! Esse modelo é uma ferramenta valiosa para ajudar educadores a guiar seus alunos no processo criativo, especialmente no contexto do Movimento Maker. Vamos explorar as fases e como contextualizá-las:

Na fase inicial, é crucial que os educadores criem um ambiente acolhedor e seguro. Aqui, o foco é na apresentação do projeto ou tarefa, proporcionando um espaço para que os alunos. O “fazer”

Sirlei Fátima dos Santos Aguiar

O “fazer” é um processo rico que requer não apenas habilidades técnicas, mas também um ambiente de apoio e incentivo. Compreender as quatro fases do processo ajuda os educadores a navegar melhor essas experiências, promovendo a criatividade e a inovação na sala de aula. Essa abordagem acolhedora e atenta do professor é essencial para ajudar os alunos a ver os desafios como oportunidades de aprendizado e crescimento. Agradeço pela oportunidade de explorar essas ideias e compartilhar experiências

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