Famílias preferem educar os filhos em casa
Programa piloto em São Paulo se baseia na educação ativa e tem como princípio educar crianças de 0 a 5 anos em "casas anfitriãs"
por Mariana Fonseca 1 de maio de 2012
Um grupo de famílias paulistanas desistiu das creches e escolas infantis e resolveu educar seus filhos de até 5 anos em casa. Os pais estão passando por um treinamento sobre os princípios da Educação Ativa, na qual as crianças aprendem de forma mais autônoma, sem o direcionamento de pais e professores. A iniciativa faz parte do Programa Famílias Educadoras e prevê que “casas anfitriãs” sejam transformadas em locais de aprendizagem preparados e coordenados pelos próprios pais.
De acordo com a idealizadora do projeto, Patrícia Sogayar, a proposta é criar uma comunidade educadora onde os pais assumem a responsabilidade de educar seus filhos. “Eles fazem isso de maneira compartilhada com outros pais, que têm esse mesmo anseio e contam com apoio pedagógico e formação.”
No programa, mães, pais, outros familiares, educadores e cuidadores aprendem sobre desescolarização, comunicação não violenta, educação domiciliar, desafios do dia a dia de suas crianças. Também estudam novas formas de acompanhar e cuidar de suas trajetórias de desenvolvimento. “Desescolarização é um trabalho importante, principalmente para os pais, que foram educados dentro dos moldes tradicionais e trazem essa carga”, explica Patrícia.
“Aprender a ter neutralidade e não entrar com julgamentos e históricos pessoais quando uma criança está chorando não é nada fácil”, diz. “Assim como quando duas crianças brigam por um brinquedo, apoiar as duas e não tomar partido de modo que elas encontrem uma solução sozinhas também é complicado a princípio.”
O projeto piloto, que já reúne 25 pessoas, está formando os primeiros grupos de pais, que moram em bairros próximos e vão funcionar de acordo com suas necessidades. “Temos três famílias no Butantã que farão um revezamento de casas anfitriãs. O outro grupo de cinco famílias residentes entre Sumaré, Vila Madalena e Pinheiros está analisando se terá uma ou mais casas anfitriãs”. Para Sogayar, esse será um processo de aprendizado contínuo também para os pais. “Sozinhos talvez tenhamos dificuldade de educar os filhos dentro desse paradigma. Em rede, teremos apoio psicológico e pedagógico para enfrentar os riscos que vislumbramos.”
Educação Ativa
O início do primeiro programa de formação para as família contou com a presença de Marguerita Valença, educadora equatoriana e uma das principais referências na área da Educação Ativa. Segundo ela, os princípios dessa metodologia se baseiam em criar “ambientes que satisfaçam as necessidades das crianças, de acordo com os processos de desenvolvimento que são inerentes a cada indivíduo e a todos os seres vivos do planeta.” A ideia é preparar o contexto para facilitar processos autônomos de aprendizagem, sem a necessidade de direcionamento por parte dos adultos.
Marguerita trabalhou dez anos na Escola Pestalozzi, do Equador, que conseguiu bons resultados na educação de crianças e adolescentes por meio da Educação Ativa e que hoje tem a licença do governo para não seguir nenhum currículo predeterminado pelo Ministério da Educação. (veja aqui documentário sobre a Pestalozzi, em espanhol).
“Não seguimos currículo, eliminamos a escola, os professores, os deveres e as obrigações. Cada criança segue seu próprio ritmo. O processo de aprendizagem parte do interesse pessoal de cada criança pelo mundo que as cerca e não de fora para dentro. Se estamos rodeados de elementos que exigem leitura ou conhecimento sobre dinheiro, como uma mente inteligente não vai buscar entender do que se trata? Temos que acreditar que o ser humano é inteligente por natureza.”
Por isso a importância dos ambientes. Segundo Marguerita, os espaços precisam atender demandas específicas de cada etapa do desenvolvimento infantil, conforme conceitos já bastante disseminados a partir de pensadores como Jean Piaget e Maria Montessori. Até os seis anos, por exemplo, é necessário estimular o desenvolvimento afetivo, sensorial e motor.
Entre a lista de itens que as “casas anfitriãs” do Programa Famílias Educadoras precisam oferecer nesses ambientes preparados estão caixas de areia, bacias com água, funis, peneiras, bolas de vários tamanhos, livros, brinquedos de encaixar, instrumentos musicais e brinquedos representativos, como cozinhas e penteadeiras. Além dos materiais montessorianos, que são voltados para o aspecto cognitivo, como cubos, barras e placas em madeiras, que representam nosso sistema de numeração.
o projeto é iluminado, inteligente e sábio. conheci uma família que fez exatamente isto. criar os filhos em casa e trazer para a sua casa os amigos dos filhos. a proteção é maior, a educação e diferenciada, observada de perto e participativa. sendo que a orientação transfoma-se mais saudável, mais esportiva e cria-se uma “união” muito mais saudável.
claro, que isto vai até um limite de idade, onde já preparados passam a conhecer “um mundo” fora de casa.
Torço por esta experiência. O que se faz na maioria das escolas é crime contra o cérebro, a criatividade e o processo de autonomia de uma criança. Como diz meu professor Feuerstein: “Quem prestará contas a Deus por milhares de cérebros desperdiçados em bancos escolares?”
http://elypaschoalickeosprofessores.blogspot.com.br/2010/10/quem-prestara-contas-deus-pelos.html
Considero uma grande responsabilidade dos pais de propiciar a educação escolar de suas crianças no convívio de seu lar (diferente de corrigir as tarefas escolares). Não podemos esquecer que a criança tem interesse em conhecer o mundo que as cerca e as creches e escolas infantis propiciam a oportunidade não só de conhecer este mundo, mas também de conhecer e conviver com outras crianças que aos olhos delas são diferentes. A partir dos três anos de idade e até os cinco anos a criança está aprendendo a testar e a expressar suas próprias ideias, contudo, precisa de incentivo, afeição e segurança de pessoas adultas por perto.
Concordo plenamente com a visão do Prof. lusitano José Pacheco sobre a situação caótica da qualidade do ensino brasileiro e da problemática que vivenciam as pessoas comprometidas em alterar esta situação. Como exemplo sugiro que vejam a extraordinária matéria no site http://www.aprenderaler.com.br, método excepcional de alfabetização desenvolvido por uma psicóloga catarinense, a qual alfabetiza em APENAS OITO AULAS, de até duas horas cada. Assista e lhe asseguro, podes acreditar, só falta vontade política para erradicarmos o analfabetismo no Brasil. Será que o Governo tem Interesse???
Att. Edelson/Lages/SC
oi boa tarde como posso ajuda meu filho pois tem dificuldades para aprender a ler e grava as letras
Oi, não sou especialista, mas acredio que se você pesquisar um pouco sobre o aprendizado lúdico praticado no homeschoolin e estimulá-lo sem pressa, você conseguirá ótimos resultados. Paciência que você consegue.
Projeto maravilhoso. Esse anos resolvi não matricular minha filha de 3 anos, quero muito experimentar um aprendizado livre, personalizado pras necessidades e desejos dela. Espero que esse movimento cresça no país e que nossas leis mudem,quanto ao ensino domiciliar. Quanto a importância da escola, por causa da socialização, citado acima, a criança desescolarizada, não vive enclausurada, muito pelo contrário, pais que optam por esse tipo de educação, priorizam a liberdade, sabem a imortância de estar nos parquinhos, nos encontros de pais e crianças que vivem da mesma forma e temos ainda os religiosos e encontros de igrejas, isso tudo sem a obrigação de estar de segunda a sexta, no mesmo lugar e no mesmo horário, até completar maioridade.