‘A escola é o lugar que atrasa o século 21’ - PORVIR

Inovações em Educação

‘A escola é o lugar que atrasa o século 21’

Britânico aponta três tendências da educação 3.0: personalização, aprendizado baseado em projetos, avaliação por performance

por Redação ilustração relógio 25 de setembro de 2012

Não importa muito como ela seja chamada: educação 3.0, educação para o século 21, educação para a vida. Mas a verdade é que muitos educadores já perceberam que os sistemas educacionais precisarão se adaptar se quiserem formar alunos capazes de lidar com a quantidade de informação hoje acessível, hábeis em administrar problemas cada vez mais complexos e prontos para serem atuantes em um mercado que exige habilidades que não ensinadas nos livros. Cientes desse descompasso entre o que a escola oferece e o que o mundo exige, um grupo de especialistas decidiu formar o Gelp (Global Education Leaders’ Program) para discutir problemas reais de sistemas educacionais espalhados pelo mundo e suas possíveis soluções.

“Não há uma resposta única nem um só modelo a ser seguido”, diz David Albury, diretor de design e desenvolvimento do Gelp. O britânico, que foi conselheiro do primeiro-ministro para assuntos estratégicos entre 2002 e 2005, vem conversando com alunos e educadores e conhecendo modelos em todo o mundo. Diante do que tem visto, Albury encontra três tendências importantes para a educação do século 21: personalização, aprendizado baseado em projetos e avaliação por performance.

crédito Jeanette Dieti / Fotolia.com

 

A personalização, explica ele, não quer dizer necessariamente a adoção de plataformas educacionais on-line, mas a configuração do aprendizado para necessidades de cada aluno. “A tecnologia é parte essencial nesse processo, mas não é o processo”, afirma ele. Como exemplo de escola que desenvolve um ensino personalizado, Albury cita a escola sueca Kunskapsskolan, em que os alunos desenvolvem, com a ajuda de tutores, seus planos individuais de estudo adequado às suas paixões e afinidades, com metas claras, que podem ser acompanhadas ao longo do ano.

O aprendizado baseado em projetos, afirma Albury, tem sido uma escolha que escolas ou grupos de escolas têm feito para desenvolver habilidades nos alunos de maneira menos “compartimentalizada”. Nessa abordagem, os alunos precisam desenvolver um projeto e, durante o processo, aprendem conceitos das mais diversas disciplinas, trabalham em equipe, tomam decisão. Apesar de ser uma tendência, diz o britânico, ele não conhece nenhum sistema público de ensino que use o formato em todas as suas escolas. “Não precisa ser adotado em sistemas inteiros. Isso pode acontecer de forma piloto”, afirma. “Não podemos esperar que os sistemas já comecem perfeitos. Leva tempo para acertar, as pessoas cometem erros.”

Já sobre as avaliações por performance, afirma ele, surgem na tentativa de medir e reconhecer habilidades que os testes de múltipla escolha não conseguem. “Como é que eu avalio se um aluno é criativo? Ou se ele é bom em resolver problemas da vida real?”, pergunta Albury. Essa questão, que tem afligido líderes educacionais de todo o mundo, não está respondida, mas há algumas tentativas, diz o inglês, de usar colegas, família e comunidade na construção de novas formas de avaliar.

crédito Porvir

 

Outra realidade que tem se tornado cada vez mais clara é que processos educativos muito ricos têm ocorrido fora da escola. Albury conta que esteve em uma reunião com alunos canadenses de 13 anos. Um deles lhe disse: “Quando eu venho para a escola, eu sinto que eu estou sendo desempoderado. Fora da escola, eu tenho acesso a várias fontes de informação. Na escola, eu tenho um professor, um livro, talvez um computador”. Um colega dele concluiu: “A escola é o lugar que atrasa o século 21”.

Trazer a educação que ocorre fora da escola para dentro é um desafio a mais para os professores, que precisam remoldar a forma como lidam com o ofício. “É também uma questão de identidade dos professores.” Para tanto, a participação das universidades é fundamental. Nesse quesito, diz o especialista, a demografia do Brasil é mais favorável do que a de países europeus, onde há poucos professores se formando e muitos estão em atividade há muitos anos. “Mais difícil do que aprender é desaprender”, afirma Albury.

Equipe brasileira

Formado há quatro anos, o Gelp começou com quatro membros: Ontário (Canadá), Nova York (EUA), Vitória (Austrália) e Inglaterra. No ano passado, o Brasil passou a fazer parte do Gelp, que hoje já tem 13 membros, entre cidades, estados e países. Entre os representantes brasileiros estão a Secretaria Municipal do Rio e as estaduais de São Paulo, Goiás e Pernambuco. Os participantes se encontram duas vezes por ano e, virtualmente, compõem uma rede com atividades ao longo do ano. Em novembro, o Rio de Janeiro será anfitrião do segundo encontro de 2012.

Albury esteve ontem no Porvir conversando com jornalistas brasileiros que cobrem educação.


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aprendizagem baseada em projetos, competências para o século 21

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Antonio da Costa Neto

Travo uma luta ferrenha exatamente neste sentido e gostaria de contribuir com o grupo com ideias, projetos, livros, artigos, publicações, palestras, consultorias e afins. No aguardo: antoniocneto@terra.com.br
61 3274 27 55
61 9832 25 37

HELENAMAR CAMARGOS

É isso que meu filho de 09 anos vem me falando todos os dias:Mamãe, na escola eu não aprendo nada. Em casa eu aprendo mto mais.
Ele diz ainda, que escrever em cadernos é coisa do seculo passado, ele é do sec 21!
Agora lendo isso, vejo mais uma vez que ele tem razão, e muita razão!!
Belo Horizonte precisa entrar neste grupo, nos ajudar nesta busca pela melhoria das escolas.
Enquanto isso, meu filho tem rótulos de AUTISTA,NERD, MAL EDUCADO E ETC…

Letícia Pongitori

Me chamo Letícia,sou cearence e tenho 19 anos.Achei o artigo extremamente compatível com a real situação da educação brasileira.Levando em conta,primeiramente,que a qualidade do ensino não é a mesma em todos os estados brasileiros,e que em cada estado há,ainda,a desregularização por parte do governo,onde uns tem acesso a uma qualidade quantitativa de ensino,enquanto encontramos outros em situações decadentes.A vontade de estudar parte do aluno,ele por si só carrega uma vontade de descoberta,que se vê,as vezes sem escolha,como no exemplo do menino sueco de 13 anos,ele se sente ”despoderado”,pois encontra feedback aos seus questionamentos fora da escola,por meio da tecnologia,e outros meios.O aluno se vê em um mundo que o diverge da realidade,o mundo casa,o mundo escola e seu próprio mundo,que está em fase de construção e de amadurecimento e entendimento acerca daquilo que ele ainda nem imaginou cogitar.Há uns anos atrás,estudando no colégio,percebi a indiferença de alguns professores perante sua matéria.É um conteúdo,uma aula,uma grade curricular extremamente limitada,e dependendo do local onde se estuda,é impossível a não percepção dada aos valores humanos exercidos ou não pela escola e a forma pela qual ela segue os padrões e normas que consideram indispensáveis,levando também em consideração,que além de um lugar onde o ensino é exercido,a escola é responsável pela formação de cidadãos,onde a palavra não se torna o exemplo a ser seguido,mas sim a ação,a atitude maturada dos professores em correlação á educação dada pelos pais,em casa.Vários setores do ensino se encontram danificados.Os bons professores,em seus limites,tentam mudar a situação em que se encontram,mas sentem que não podem desvalorizar o próprio trabalho e nem sujeitar-se a salários míseros,além de estarem conscientes de que uma situação generalizada não se reforma sozinho,há de haver um diálogo e responsabilidade além da profissão e uma boa vontade ainda maior em poder melhorar a situação.

Claudio Henrique da Costa Pereira

Conheço um professor de Volta Redonda que tem buscado inovar usando Webconferência, vejam mais informações nos endereços: http://www.webconfeducpublica.blogspot.com.br/

Lista de discussão – http://groups.google.com/group/alunomestreonline
Facebook – https://www.facebook.com/groups/alunoemestreonline/

fabiana

ei acho que somos primas!

Simone Chiká

Muito bom. É imemsamente significativo saber que a educação está sendo vista como algo que precisa ser construido e desconstruido repetidamente. O reconhecimento de que a educação deve acontecer através de uma busca constante do como aprender melhor é o primeiro passo para a sua transformação.

Eluze Oliveira Schaidhauer

Por já ter percebido a importância do uso de tecnologias em sala de aula, para que a educaçâo não fique apenas baseada em cadernos, quadro e livros é que estou em busca de novos conhecimentos, muitas vezes aprendendo com os próprios alunos, com os filhos com quem puder me ensinar sem medo de ser feliz….

Lucas de Carvalho

De fato, estando no 3º EM, na rede pública, Ponta Grossa Pr, digo a professores e colegas que não aprendemos muita coisa na escola. Tenho um performance razoável em todas as disciplinas, mas me vejo muito limitado, pois não posso caminhar como gostaria nas áreas de meu interesse, aliás, de minha paixão (Letras, Filosofia e Sociologia). Não é nada direcionado. E em se tratando de vestibular, e escola não me ajudou muito; fui bem graças às minhas leituras e interesse em aprender. E escola me/nos atrapalha. Há mentes fantásticas presas, ou ainda, que nem sabem seu potencial. Serei educador, mas pleiteio ter a dirigir uma escola de estrelas, de alunos brilhantes!.

Sandra Brito

Olá pessoal, ao ler este trecho da reportagem, se referindo ao aprendizado baseado em projetos:
“Apesar de ser uma tendência, diz o britânico, ele não conhece nenhum sistema público de ensino que use o formato em todas as suas escolas.”
Gostaria de comentar que temos no Brasil várias escolas, que estão sendo acompanhadas pelo Prof. José Pacheco – Portugal, que acompanha o ensino baseado em projetos, segue algumas que visitei: Escola Amorim Lima – SP; Projeto Âncora – Cotia – SP; Escola Maria Peregrina – São José do Rio Preto – SP; COOPEC – São José do Rio Preto – SP.
Se houver possibilidade gostaria de participar do grupo: srdb.pedagogia@gmail.com
Um abraço a todos.

Roberto Affonso Pimentel

Senhores,
Gostaria de discutir sobre o tema que coloco como missão em http://www.procrie.com.br/procrienoprezi/. Temos premissas comuns e objetivo divulgar os seus popósitos com sua equipe e interessados. Afinal, o blogue tem +129 mil visitas, +211 mil páginas visitadas, oriundas de 117 países (1.946 cidades).
Atenciosamente,

Simone Chiká

Muito bom. É imemsamente significativo saber que a educação está sendo vista como algo que precisa ser construido e desconstruido repetidamente. O reconhecimento de que a educação deve acontecer através de uma busca constante do como aprender melhor é o primeiro passo para a sua transformação.

Lucas de Carvalho

De fato, estando no 3º EM, na rede pública, Ponta Grossa Pr, digo a professores e colegas que não aprendemos muita coisa na escola. Tenho um performance razoável em todas as disciplinas, mas me vejo muito limitado, pois não posso caminhar como gostaria nas áreas de meu interesse, aliás, de minha paixão (Letras, Filosofia e Sociologia). Não é nada direcionado. E em se tratando de vestibular, e escola não me ajudou muito; fui bem graças às minhas leituras e interesse em aprender. E escola me/nos atrapalha. Há mentes fantásticas presas, ou ainda, que nem sabem seu potencial. Serei educador, mas pleiteio ter a dirigir uma escola de estrelas, de alunos brilhantes!.

Ana Carolina Castro

E aí, já se formou? Encontrou uma escola com alunos brilhantes para dar aula?

Eluze Oliveira Schaidhauer

Por já ter percebido a importância do uso de tecnologias em sala de aula, para que a educaçâo não fique apenas baseada em cadernos, quadro e livros é que estou em busca de novos conhecimentos, muitas vezes aprendendo com os próprios alunos, com os filhos com quem puder me ensinar sem medo de ser feliz….

HELENAMAR CAMARGOS

É isso que meu filho de 09 anos vem me falando todos os dias:Mamãe, na escola eu não aprendo nada. Em casa eu aprendo mto mais.
Ele diz ainda, que escrever em cadernos é coisa do seculo passado, ele é do sec 21!
Agora lendo isso, vejo mais uma vez que ele tem razão, e muita razão!!
Belo Horizonte precisa entrar neste grupo, nos ajudar nesta busca pela melhoria das escolas.
Enquanto isso, meu filho tem rótulos de AUTISTA,NERD, MAL EDUCADO E ETC…

Letícia Pongitori

Me chamo Letícia,sou cearence e tenho 19 anos.Achei o artigo extremamente compatível com a real situação da educação brasileira.Levando em conta,primeiramente,que a qualidade do ensino não é a mesma em todos os estados brasileiros,e que em cada estado há,ainda,a desregularização por parte do governo,onde uns tem acesso a uma qualidade quantitativa de ensino,enquanto encontramos outros em situações decadentes.A vontade de estudar parte do aluno,ele por si só carrega uma vontade de descoberta,que se vê,as vezes sem escolha,como no exemplo do menino sueco de 13 anos,ele se sente ”despoderado”,pois encontra feedback aos seus questionamentos fora da escola,por meio da tecnologia,e outros meios.O aluno se vê em um mundo que o diverge da realidade,o mundo casa,o mundo escola e seu próprio mundo,que está em fase de construção e de amadurecimento e entendimento acerca daquilo que ele ainda nem imaginou cogitar.Há uns anos atrás,estudando no colégio,percebi a indiferença de alguns professores perante sua matéria.É um conteúdo,uma aula,uma grade curricular extremamente limitada,e dependendo do local onde se estuda,é impossível a não percepção dada aos valores humanos exercidos ou não pela escola e a forma pela qual ela segue os padrões e normas que consideram indispensáveis,levando também em consideração,que além de um lugar onde o ensino é exercido,a escola é responsável pela formação de cidadãos,onde a palavra não se torna o exemplo a ser seguido,mas sim a ação,a atitude maturada dos professores em correlação á educação dada pelos pais,em casa.Vários setores do ensino se encontram danificados.Os bons professores,em seus limites,tentam mudar a situação em que se encontram,mas sentem que não podem desvalorizar o próprio trabalho e nem sujeitar-se a salários míseros,além de estarem conscientes de que uma situação generalizada não se reforma sozinho,há de haver um diálogo e responsabilidade além da profissão e uma boa vontade ainda maior em poder melhorar a situação.

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