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Diário de Inovações

Projeto incentiva crianças não alfabetizadas a produzirem livros

A partir de um projeto de leitura, escola de Porto Alegre instiga alunos da educação infantil a contarem suas histórias

por Rossana Pacheco Perinazzo 28 de janeiro de 2016

Sempre acreditei que a principal tarefa da educação infantil é ajudar as crianças a construir sua personalidade e a desenvolver ao máximo suas possibilidades. Partindo desses valores, em 2013 implantei na escola Aprendendo a Crescer o projeto “Criança Leitora”, que busca desenvolver o hábito da leitura em crianças ainda não alfabetizadas. O projeto é da Rede Ciranda, um grupo de dez escolas de Porto Alegre que buscam a qualidade e excelência dentro da educação infantil.

A partir do pré-maternal, as crianças levam para casa, toda sexta-feira, um livro da escola para lerem com os pais. A repercussão desse projeto foi muito boa, nós tivemos um retorno muito positivo dos alunos e dos pais. Além disso, os pequenos começaram a se interessar por outros livros que tinham em casa, criando um momento entre a família e a criança.

Quando a gente se deu conta do quanto isso estava sendo significativo, nós pensamos que seria legal se elas conseguissem se ver nos livros ou então ter livros com as histórias delas. Foi aí que, em 2014, surgiu a ideia de produzirmos livros com os alunos. A construção das obras acontece a partir de muita conversa e o objetivo é fazer com que eles participem bastante.

Desde o berçário, cada turma tem o seu livro. Quando as crianças são muito pequenas, nós fazemos um livro de músicas, montado com as preferidas. A gente colocou, por exemplo, a música do pintinho amarelinho no livro do berçário, então a turma fez todo um cenário com pintinhos de balões.

No final do ano, quando os livros já estão prontos, nós mandamos tudo para uma gráfica e depois, cada família encomenda quantos exemplares quer, dividindo o custo das publicações com a escola.

O projeto já está no segundo ano. Desde a primeira edição, que foi em 2014, nós conseguimos um espaço na Feira do Livro de Porto Alegre. Nós encontramos os pais e as crianças na Feira, que acontece no centro da cidade, e os pequenos têm uma sala especial para autografarem os livros que produziram.

Apesar da atividade ser recente, já notamos uma grande mudança na sala de aula. As crianças demonstram um interesse maior pelas histórias. Antes eles eram menos ativos, costumavam só escutar. Agora, conseguem ficar mais tempo interessados em uma história e, a partir disso, mesmo os bem pequenininhos, de dois anos e meio, já pegam um livro e saem contando a história do jeito deles. Eles inventam coisas, cantam, fazem teatro e contam as histórias que escutam em casa.

Acredito que esse é um projeto que não pode mais parar. Quero muito que meus alunos cresçam e sejam pessoas críticas, que saibam o que estão lendo e que quando chegarem no colégio e tiverem que ler, que façam dessa tarefa um hábito de prazer.

Rossana Pacheco Perinazzo

Rossana Pacheco Perinazzo é diretora da Escola de Educação Infantil Aprendendo a Crescer, fundada em Porto Alegre em 2007. Tem formação como psicóloga clínica, é especialista em psicologia escolar (CAPE) e em Infância e Família pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.  

TAGS

educação infantil, engajamento familiar