8 formas de avaliar sem ser por múltipla escolha
Lista mostra como professores podem usar outras ferramentas, como games, badges, portfólios ou até mesmo concurso de dança
por Vagner de Alencar 11 de março de 2013
“A prova vai ser dissertativa ou de múltipla escola?”. Quem é o aluno, às vésperas de uma prova, que nunca se inquietou sobre como seria avaliado? Em carteiras enfileiradas, sem poder mexer o pescoço para o lado: ameaça de “pesca” ou “cola” (a depender de onde o aluno venha)! Mas serão apenas essas as únicas formas de avaliar o aprendizado dos estudantes? Não! É o que apontam especialistas, que vêm trazendo outras alternativas para que professores se atentem a outras ferramentas de medição – especialmente às da vida real. Por exemplo, uma maratona ou um concurso de dança poderiam valer créditos à disciplina de educação física ou então um trabalho voluntário no bairro valer como nota para a disciplina de estudos sociais ou língua portuguesa.
Confira então oito dicas que podem ajudar esses educadores sobre como avaliar os estudantes sem ser por meio de testes padronizados.
1. Games
Mais e mais jogos estão sendo criados não apenas como uma forma de entretenimento. Os games educativos, por exemplo, permitem aos alunos que aprendam o tempo inteiro enquanto jogam, na medida em que vão passando de fase –ao contrário de uma prova tradicional. Cada estudante tem seu próprio ritmo de aprendizagem, o que traduz o grau de cada um. Um bom exemplo é o Manga Hi e os games que estão sendo desenvolvidos pela Tamboro, empresa brasileira que se dedica exclusivamente à criação de jogos educativos.
2. Desafio
Por que marcar X numa prova, se na vida real somos avaliados de acordo com aquilo que fazemos e as atitudes que tomamos? Não é raro escutar por aí que, em vez dos clássicos testes de múltipla escolha, os professores deveriam avaliar seus alunos a a partir de desafios da vida real. Essa modalidade de avaliação funciona assim: o professor dá uma missão para o aluno e ele, com as habilidades que vem desenvolvendo na escola, precisa resolvê-la. Essa missão pode ter inúmeras características.
Nos EUA, a startup Rad Matter serve como uma vitrine para que os alunos mostrem seus talentos a empresas que estão buscando jovens profissionais. A cada contato entre empresa e aluno, uma missão é dada e o aluno é desafiado a conclui-la. Na escola, o desempenho dos alunos nessas missões podem ser considerados para compor sua nota na disciplina mais cabível.
No Brasil, um iniciativa está levando alunos da periferia de São Paulo a praticar esportes radicais, como escalada ou Le Parkour. A intenção é fazê-los sair de suas zonas de conforto e desenvolver regras de convivência, trabalho em equipe e autoconhecimento
3. Badges e pontos
Os badges (em um paralelo simples, como se fossem medalhas dos escoteiros) vêm se popularizando como um mecanismo de recompensa em jogos casuais e redes sociais como foursquare.com – na qual o usuário faz um check-in e, por isso, ganha pontos a cada lugar em que marca onde está. Transportados à educação, os badges podem ser usados para demonstrar a conclusão (bem sucedida) de uma atividade. Um exemplo disso é o Codecademy, site que ensina aos estudantes a programar. E a cada nível de codificação que avançam, eles vão recebendo badges e ganhando pontos.
4. Trabalhos reais
Outra forma de avaliação é o incentivo aos estudantes para que saiam para fora da sala de aula e realizem trabalhos de verdade. Na Catherine Ferguson, nos Estados, escola dedicada a adolescentes grávidas ou que já se tornaram mães, parte do currículo das alunas é composto por trabalhos bem mão na massa, como como ajudar a construir casas, nos bairros vizinhos, para colegas que não têm onde morar.
5. Lideranças virtuais
Estudantes mundo afora estão realizando trabalhos incríveis… Mas não na escola. Eles estão fazendo vídeos virais, escrevendo textos ou publicando seus próprios blogs etc. Considerado um paradigma atual, o problema é muitas escolas ainda não entenderam que podem contar com a internet e as tecnologias móveis para potencializar o talento de seus alunos. O que acaba acontecendo é que o mundo da escola e o virtual ficam totalmente separados e muitos talentos deixam de ser valorizados. Um exemplo que ilustra isso é o caso da menina Isadora Faber, que criou um blog para denunciar os problemas de sua escola e inspirou inúmeros Diários de Classe no Brasil. Já em uma matéria apresentada pelo Porvir, é possível saber como professores devem lidar com jovens talentosos. O que os alunos fazem no universo virtual podem e devem ser considerados nas disciplinas de comunicação e expressão.
6. Talentos
Ao contrário dos pontos oferecidos apenas para as atividades realizadas na escola, por que não oferecê-los para atividades realizadas também para além da sala de aula? Por exemplo, uma maratona, um concurso de dança ou um torneio de vôlei poderiam valer pontos na disciplina de educação física; um diário de bordo, a partir de uma viagem, poderia valer para créditos em estudos sociais; um recital, para ganhar nota na disciplina de música. Essas seriam situações em que a avaliação não vem da escola, mas do cotidiano desses jovens, do mundo real deles.
7. Personalização
A avaliação precisa ser personalizada ao aluno, não padronizado para o sistema. Plataformas vêm surgindo para trabalhar de maneira individual o ensino. A Knewton, por exemplo, é uma das mais importantes do mundo. O ambiente virtual entrega o conteúdo aos alunos de diferentes formas e lhes propõe atividades ou exercícios, de acordo com o desenvolvimento de cada um.
8. Portfólios virtuais
Os portfólios virtuais podem ser uma boa opção para que os estudantes reúnam suas produções – sejam músicas, desenhos, textos, vídeos etc. Esses materiais podem ser hospedados em um blog, na intranet da faculdade e da escola ou até mesmo em programas gratuitos adotados pelo professor para compartilhamento de arquivos. Uma plataforma nova que pode ajudar os alunos a construírem seus portfólios é a Knowit App. O Porvir escreveu uma matéria sobre como os blogs, que podem ser usados como portfólios online, são boas ferramentas para melhorar a escrita dos alunos e também ajudam professores a trabalhar temas como uso de mídias sociais, cidadania digital e direitos autorais.
Com informações do The Innovative Educator
Sou estudante de pedagogia, achei excelente essas dicas de avaliar o aluno, seria interessante, se as escolas verificassem qual a possibilidade de implantar essa nova forma de avaliar.
Discordo sou professora de escolas públicas, não acho certo aplicar essa outras formas de ferramentas de avaliações que que quando mais tarde é exigido em concursos mais concorrido no Brasil as de múltiplas escolha. Devemos treinar nossos alunos a esse tipo de situação. Para que quando se depararem com provas nesse modelo de escolhas de respostas certas, na qual resultará a sua aprovação. Nao se desesperam ou entre em aflição ocorrendo muitas das vezes sua desclassificação. Não devemos comparar a nossa educação brasileira a educação de outros países.
Concordo com você, mas não cem por cento…é verdade que concursos não nos avalia de outra forma que não seja por colocar um X no lugar certo. Mas, em sua maioria há questões objetivas, mas há outras para exercitarmos nossas habilidades, principalmente a de pensar usando da lógica, exclusão, pontuação, como vírgulas, etc, conhecimentos prévios, etc. Mas, em nada muda o fato de que devemos avaliar com muito mais qualidade!
Eu lí com atenção seu comentário. Saí da página e, inquieto, retornei. Não quero aqui fomentar nenhum discurso de ódio (o que está sendo muito comum atualmente na internet), mas preciso me posicionar de forma oposta ao que você escreveu. Não por simplemente querer, mas porque há equívocos conceituais que publicamente você não poderia cometer como professora.
O primeiro diz respeito às ferramentas de avaliação. Sim, é importante buscar outras formas de se avaliar. Tornar a avaliação mais próxima da realidade dos alunos. Não se deve utilizar uma única técnica de avaliação, mas sim um método mais dinâmico (com técnicas variadas) que, inclusive, chame a atenção do aluno.
Quanto ao preenchimento de provas de múltipla escolha: é muito complicado usar a palavra “treinar” quando queremos ensino de qualidade a partir do APRENDIZADO. Ao ler me veio à cabeça “adestrar”, “encapsular”, “toler”. Treinamento pode até ser uma ferramenta dentro da educação, mas não pode ser usado com o fim explícito no seu texto.
A comparação entre a educação brasileira e a de outros países DEVE acontecer sempre. As pessoas poderiam estar abertas a novas ideias para que modelos possam ser modificados e as escolas saíam de suas caixinhas de dobradiças enferrujadas.
Tecnologicas em educação, portanto, DEVEM ser difundidas e podem ser adaptadas à realidade brasileira. Mas para isso é importante não reproduzirmos a ideia de seu texto.
É preciso criticarmos um sistema que, por exemplo , retira Artes e Filosofia do currículo escolar (talvez você esteja de acordo com isso – afinal, filosofia e arte favorecem mais o amadurecimento crítico do que adestramento para o mercado de trabalho).
Mas pra finalizar, quero dizer que é um comprometimento pessoal importante, o posicionamento nas redes. Temos de tomar muito cuidado, sobretudo, quando nos intitulamos para balisar nosso discurso (“sou professora de escolas públicas”). Temos que cuidar das ideias que queremos passar e com o conteúdo. No seu caso tenho minhas críticas ao conceito de educação que você prega (e são mais severas do que pude colocar aqui). E há trechos ininteligíveis devido à grafia de algumas palavras, coerência e coesão dos textos.
Nossa! Hora de sair. Também dou aula… E hoje é dia de avaliação!!!!!
Concordo parcialmente com o amigo!
No entanto, relato aqui mais uma experiência enquanto gestor com os professores de filosofia e sociologia.
Fui ver as aulas deles e verifiquei as provas que estavam aplicando nos alunos.
Com relação às aulas destes professores (que tinham sido aprovados em um processo seletivo muito concorrido e assim, considerados os melhores da sua geração!) Observei que as aulas eram monótonas, com leitura dos livros, pouca discussão. Bem diferentes das aulas de sociologia e filosofia que tive nos meus cursos de pós-graduação.
Quando fui ver o modelo de provas que estavam aplicando. Notei que não tinha nada que fizesse o aluno refletir, era pura decoreba e múltipla escolha.
Como era a primeira vez que montavam as provas, errei, e acabei ficando quieto. No 2º bimestre fui acompanahar novamente e o diagnóstico foi o mesmo. Assim, tive que conversar com eles. Perguntei: “meus amigos, aonde está aquela filosofia e sociologia que faz pensar!?” me responderam que estavam fazendo o que aprenderam na faculdade!
Então me pergunto novamente, o que está acontecendo? alguma coisa está errada!
Como professor penso que devemos estar aberto as novas tecnologias e os novos conceitos de avaliação, bem como fazer o possível para uma aula divertida dinâmica, implementar as metodologias ativas e tal… Mas como a colega colocou, precisamos sim, de técnicas e treinamentos para os vestibulares e concursos, principalmente vestibulares federais. Vai sonhando que um joguinho garante a entrada em uma universidade de altíssima qualidade, ou então aprovação em cargos públicos com excelentes remunerações.Penso que: Nossa missão é ajudá-los a perseguirem seus sonhos e ideais, e aí entra o mundo do trabalho, o mundo real onde quem não nasceu com privilégio financeiro precisa fazer o seu melhor…Sem ofensas a quem quer que seja.
Também dou aula? E quer falar da educadora em relação a palavra “treinar”….. kkkkk. Lecionar talvez….
Um dia quero escrever como vc.

Parabéns
Mas a escola não serve só para isso e sim para também formar cidadãos e cidadãs. Não adianta ser concursado e não ter educação. Muitas vezes essas metodologias podem ser aplicadas sim, pois podem despertar um maior interesse dos estudantes pelo estudo.
Sou educadora também. Sou a favor de fazer outras formas de avaliações, porém não deve ser abolido a prova tradicional, afinal a realidade de Concursos e vestibulares é totalmente diferente .
Interessantes ideias de avaliação de alunos. Sou professor e tradutor de textos. Como uma pessoa engajada na área da educação e comunicação, acho fundamental que os métodos avaliativos para alunos sejam diversificados. É essencial que a educação se inove a cada época e que métodos de avaliação tenham como objetivo principal o aprendizado do aluno.
Concordo que os métodos para avaliação sejam diversificados, no entanto, concordo com a Michellee sobre a questão dos vestibulares. Infelizmente, nossos indicadores estão abaixo da crítica.
Enquanto gestor de uma escola, observava que perto das provas, no período de revisão dos assuntos, muitos professores colocavam filmes para discutirem o assunto e tornar o ambiente agradável perto da data da prova (pois o pessoal estava estressado) isso acontecia por 10 anos seguidos! Conversei com o diretor da escola e mudamos isso. Na véspera das provas os professores deveriam fazer a revisão dos assuntos e preparar os alunos para as avaliações (as quais tinham uma grande variedade de formatos de questões).
Resultado:Enquanto o universo de alunos em recuperação nos últimos 10 anos orbitava entre 300 e 350 alunos, naquele ano o número de jovens em recuperação foi de 165.
Outro aspecto a destacar que pesquisei é o seguinte, tenho visto muitos estudiosos defendendo os modelos variados de avaliação, modelos construtivistas, etc, no entanto, seus dependentes estudam nas escolas tradicionais, conteudistas, que têm a tradição de preparar os alunos para o vestibular.Isso para mim é uma hipocrisia.
Por fim, em outra pesquisa, avaliei o rendimento dos alunos que ficavam com média entre 5 e 7 na escola (a qual tinha 4 mecanismos de avaliação: uma prova escrita como avaliação somativa individual; os trabalhos de casa em grupo ou individuais; varias provas individuais ou em grupo como forma de verificação após as aulas e; pontos por participação nas aulas ou em atividades diversas).
Observei que os alunos que ficavam com média bimestral entre 6 e 7 é porque tinham notas muito altas nos trabalhos de casa em grupo ou individuais e tinham notas entre 3 e 5 nas provas escritas, sejam elas a somativa ou as de verificação após a aula.
Da mesma forma, os alunos com média 5, tinham tirado notas muito altas nos trabalhos de casa, no entanto, tinham tirado entre 2 e 4 em todas as provas escritas, sejam elas as verificações imediatas ou a somativa.
Lhes pergunto o seguinte meus amigos!
O que esse aluno que foi submetido a um modelo de avaliações variadas aprendeu?
Esses alunos serão os médicos e engenheiros que esquecerão de tomar o procedimento correto na cirurgia e que farão o cálculo errado na construção e os seus paciente ou clientes irão morrer???!!!
Alguma coisa tem que ser feita.
Nunca se investiu tanto em educação, mas nunca tivemos tantos indicadores péssimos!
Alguma coisa está errada.
Acredito que os professores se esforçam para transmitir o melhor de sí e em construírem as melhores oportunidades para a aprendizagem ser significativa.
Vejo que os alunos, por sua vez, quando são colocados em “prova”, quando são testados se esforçam e produzem bons resultados!
Só me resta acreditar que o método está errado.
Fui formado na taxionomia de Bloom, no entanto, de família humilde, estudei em escola pública, tinha bons professores (respeitados professores!) não fiz cursinho, passei em um concurso federal e hoje sou grato à toda formação que tive!
Resumindo: temos que repensar o método!
Longe de querer fomentar o ódio entre os participantes, somente foi o relato de uma experiência. Sucesso a todos nesta lide que não é fácil! é um sacerdócio!
Concordo em parte com todos os pontos de vista, pois faz muito sentido cada observação… concordo que as escolas precisam oferecer diversos tipos de avaliação, não excluindo uma ou outra, mas unindo, pois haverá aluno que vai se adaptar melhor a alguma delas… e o mais importante é termos a consciência de que formamos cidadãos não apenas pra vestibulares ou concursos, mas principalmente pra vida… Tem alunos que preferem se dedicar a projetos pessoais do que entrar na universidade…
Acredito que a escola como espaço de discussão é um ambiente integrador que, muitas vezes, esse carácter é colocado de lado. Por via de comodismo o simplificar o processo de avaliação. Essas possibilidades de avaliação traz mais uma certeza que a escola precisa se inserir no processo tecnológico. Em sua essência a escola é a possibilidade de fortalecimento de aprendizagem.
cada país tem um realidade, precisamos ponderar cada método de avaliação, acredito na avaliação formativa e de observação, porém descartar todo processo de outros modos de teste no cenário brasileiro é meio arriscado, uma vez que as oportunidades ainda são para avaliações escritas, deste modo há que se mudar a politica de avaliação do sistema brasileiro antes para assim realizar as novas formas de avaliação
O meu objetivo é pesquisar, estudar e posso contribuir quando for possível.