Se você acredita na importância do desenvolvimento de habilidades socioemocionais ainda na primeira infância, deve ficar atento ao livro infantil “Tenho Monstros na Barriga”, de Tonia Casarin. Com o objetivo de ajudar crianças a identificar o que elas estão sentindo, o livro conta a história do menino Marcelo e dos monstrinhos que ele tem na barriga.
Na verdade, monstrinhos foi a forma que Tonia escolheu para chamar os sentimentos. “Eu não queria que os sentimentos fossem vinculados a cores ou animais. Eu queria associá-los a algo abstrato, porque cada criança pode ter o seu monstrinho, já que cada um sente de uma forma diferente. Acho que é uma forma abstrata e até fofa das crianças identificarem o que sentem”.
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A ideia de abordar o tema com crianças surgiu a partir das experiências que seu mestrado em educação lhe proporcionou. Ela percebeu que o estudo de competências sociais e emocionais só começa a se tornar importante para as pessoas quando elas atingem a idade adulta ou entram no mercado de trabalho. “Eu comecei a questionar porque não começamos a discutir isso antes, como na faculdade. Mas parei para pensar: na faculdade ainda é tarde. Fui ‘voltando’ e então cheguei às crianças”, relata Tonia.
A percepção da necessidade de aumento do engajamento dos pais da educação dos filhos foi outro fator motivacional para o desenvolvimento do trabalho. “O livro não ajuda só as crianças, mas ajuda os próprios pais a conhecerem seus filhos e saberem o que eles sentiram em determinados momentos”.
A interação que a publicação permite é mais uma forma de dar voz às diferentes formas de pensar e sentir. Funciona da seguinte forma: toda vez que um sentimento do Marcelo, o personagem principal, é apresentado, segue-se uma página em branco para que a criança desenhe seus próprios monstros. “Ela pode continuar interagir com esse material ao longo do tempo. Os sentimentos dela vão amadurecendo porque ela está amadurecendo”.
A primeira tiragem do livro será viabilizada pelo financiamento coletivo e doada a escolas públicas, de forma a incentivar que o livro torne-se um material de sala de aula. “A ideia é que cada vez mais pessoas possam usar o livro para interagir com as crianças e incentivar o desenvolvimento das habilidades socioemocionais”.
Os interessados podem curtir a página do livro no Facebook e contribuir para a arrecadação no Catarse, que vai até o dia 2 de novembro.

