O mundo já está em clima de Copa e, para entrar em campo, o Porvir também apresenta sua seleção. Nessa brincadeira, reunimos referências de países do torneio e que, de diferentes formas, contribuíram para a defesa de uma educação democrática.

A escolha dos nomes levou em conta a relação direta com a pedagogia. Foram convocados professores, pesquisadoras, educadores populares e pensadores que ampliaram  o debate sobre escola, aprendizagem, cultura, justiça social, diversidade e direito à educação.


A lista reúne trajetórias variadas, com nomes ligados à psicologia do desenvolvimento, à escola ativa, à alfabetização, à formação docente, à educação popular, à inovação educacional, à educação de mulheres, à interculturalidade e à descolonização do conhecimento.

Como toda seleção, esta também é fruto de escolhas e deixa muitos nomes importantes de fora. A proposta é provocar o leitor: quais ideias devem entrar em campo quando falamos de uma escola mais participativa, comprometida com a aprendizagem de todos?

Utilize os comentários ao final do texto e conte para a gente: quais seriam os craques da educação que você escalaria para o seu time? 

Goleiro: Jean Piaget (1896-1980), Suíça
Um dos nomes mais conhecidos da psicologia e da educação, Jean Piaget mostrou que as crianças constroem conhecimento ativamente, em interação com o mundo. Defende a ideia de que aprender não é repetir respostas prontas, mas desenvolver formas próprias de pensar.


Lateral: bell hooks (1952-2021), Estados Unidos
Professora, escritora e intelectual feminista negra, bell hooks é uma das grandes referências da educação como prática de liberdade. Inspirada também por Paulo Freire, defendeu uma pedagogia baseada no diálogo, na escuta, no afeto, na presença e no enfrentamento das desigualdades de raça, gênero e classe. Apoia a ampliação da aprendizagem para que a sala de aula seja um espaço de pensamento crítico, participação e transformação.


Lateral: Rosa María Torres, 1950, Equador
Pedagoga, linguista, pesquisadora e referência latino-americana em educação, Rosa María Torres dedica sua trajetória à alfabetização, à educação básica, à aprendizagem ao longo da vida e às políticas públicas educacionais. Com atuação em organismos internacionais, governos e iniciativas de educação popular, sua obra ajuda a pensar uma escola comprometida com o direito de aprender em todas as idades. Abre o campo para uma educação que valoriza a alfabetização e a participação social.


Zagueiro: Célestin Freinet (1896-1966), França
Professor francês e referência da escola ativa, Célestin Freinet valorizava cooperação, texto livre, jornal escolar, investigação e participação dos estudantes. Sustenta uma escola viva, ambiente no qual os alunos produzem conhecimento por meio da investigação, em vez de apenas receber conteúdos passivamente.


Zagueira: Umeko Tsuda (1864-1929), Japão
Educadora japonesa e pioneira da educação superior para mulheres no Japão, Umeko Tsuda fundou uma das primeiras instituições privadas voltadas à formação universitária feminina no país. Protege o princípio de que uma educação progressista precisa enfrentar desigualdades históricas e ampliar oportunidades para quem foi deixado fora da escola.


Volante: José Pacheco, 1951, Portugal
Educador português e idealizador da Escola da Ponte, José Pacheco é referência sobre escola democrática, colaborativa e centrada na autonomia dos estudantes. Sua carreira mostra que é possível organizar a aprendizagem com  mais participação, responsabilidade e sentido para cada aluno. É adepto do jogo coletivo, ao reforçar que a escola pode ser construída em comunidade, com estudantes, professores e famílias jogando juntos.


Meia: Emilia Ferreiro (1937-2023), Argentina
Referência internacional nos estudos sobre alfabetização, Emilia Ferreiro transformou a compreensão dos professores sobre a relação das crianças com a leitura e a escrita. Organiza o jogo ao demonstrar que a criança formula hipóteses e participa  ativamente do próprio aprendizado.


Meia: Reina Reyes (1904-1993), Uruguai
Professora, pedagoga e referência do pensamento educacional uruguaio, Reina Reyes defendeu a educação como direito, a escola laica, a democracia e a formação de sujeitos capazes de pensar com autonomia. Sua obra articula educação, igualdade e participação social, em diálogo com os desafios da escola pública latino-americana. Faz a educação avançar com pensamento crítico e fortalecendo a vida democrática.


Ponta: Vicky Colbert, 1948, Colômbia
Socióloga, pesquisadora e referência latino-americana em inovação educacional, Vicky Colbert é uma das criadoras da Escuela Nueva, modelo que transformou a educação rural na Colômbia e inspirou experiências em diferentes países. Sua proposta valoriza a aprendizagem ativa, a autonomia dos estudantes, e a participação comunitária. Avança rapidamente ao ataque, lembrando que uma educação progressista é fundamental para territórios mais vulneráveis, a fim de reconhecer seus contextos e criar condições para que todos possam aprender com sentido.


Ponta: Graça Machel, 1945, Moçambique
Educadora, reformadora educacional e uma das vozes internacionais mais reconhecidas na defesa de mulheres e crianças, Graça Machel lembra que acesso à escola e à aprendizagem de qualidade devem caminhar juntos. Ex-professora e primeira ministra da Educação e Cultura de Moçambique, ela participou de uma forte expansão das matrículas escolares no pós-independência, com atenção à alfabetização e ao acesso das meninas. Mais tarde, ao levar para a ONU (Organização das Nações Unidas) o debate sobre crianças afetadas por conflitos armados, reforçou que proteger a infância também passa por garantir educação, cuidado e oportunidades de futuro. Abre espaço para uma escola comprometida com equidade e transformação social.


Centroavante e capitão: Nego Bispo (1959-2023), Brasil
Pensador quilombola, escritor e educador popular, Nego Bispo defendia os saberes dos povos tradicionais, a vida em comunidade e outras formas de aprender, produzir e conviver. Sua obra critica a lógica colonial e valoriza conhecimentos que nascem da terra, da oralidade, da ancestralidade e das experiências coletivas. Não desperdiça oportunidades, pois sabe que ninguém aprende sozinho, ninguém vence sozinho, e a educação tem de reconhecer os saberes que existem dentro e fora da escola.


Técnico: Paulo Freire (1921-1997), Brasil
Um dos educadores mais conhecidos do mundo, Paulo Freire fundamentou sua prática no diálogo, na escuta ativa, na leitura crítica da realidade e na transformação social. Sua perspectiva teórica rechaça a mera transmissão de conteúdo. Em vez disso, propõe a criação de condições para que os estudantes desenvolvam autonomia, compreendam seu contexto político e atuem para que todos possam aprender, agir no mundo e transformar a realidade coletivamente.

Jornalista especializada em educomunicação, com estudos em mídia e cultura na América Latina. Trabalhou no Instituto Paulo Freire, onde aprofundou seu compromisso com a EJA e a educação em direitos humanos. No Porvir, escreve para todas as editorias....

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