“É uma escola bem bonita, no centro da cidade. Quem vem visitar sempre fica encantado, pede para tirar fotos. Tem um jardim na frente, com mesinhas coloridas. É um lugar em que todos podem sentir orgulho de estudar”, descreve Marcio Roberto Gabriel sobre a Escola Municipal Pedro Soldera, onde atuou como coordenador por 16 anos. A escola fica em Taguaí, um município paulista de apenas 14 mil habitantes. Ao lado de Estiva Gerbi, a rede está entre as vencedoras do Prêmio Gestão Inovadora na Educação, realizado pela Mind Lab, em parceria com o Porvir.
Há alguns meses, o professor Marcio passou a trabalhar como diretor em outra unidade da rede, a Padre Giovanni Ferreti. Ele garante que a atenção com os espaços é a mesma. “Essa nova escola tem uma configuração bem diferente, mas também com muito cuidado com espaço físico; oferece quadra coberta, pátios tanto aberto quanto coberto. Além disso, tem recursos como um projetor multimídia em todas as salas”, conta.
O cuidado com a infraestrutura é o primeiro passo para criar condições para uma educação de qualidade. “A escola tem que ser um espaço atrativo para as crianças. Depois, tem que ser um ambiente seguro e de respeito. Então, precisamos de bons professores. A partir de então, basta os estudantes quererem aprender – e eles querem”, explica Marcio sobre a receita de sucesso do município.
Cuidado com os espaços e continuidade na gestão
A rede de Taguaí tem uma trajetória de bons resultados na educação. Desde 2021, a nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) para os anos iniciais vem crescendo consistentemente, tendo chegado a 7,9 em 2025. Foi a maior nota da história da rede, a primeira colocação regional e a 12ª melhor entre os 645 municípios do estado de São Paulo.
A rede tem atualmente quatro unidades de ensino fundamental e uma nova em construção, com recursos do novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). “As crianças precisam de um espaço com a estrutura adequada para aprender e para conviver. Mas nós dependemos que o governo federal ou estadual nos libere verbas para construção, porque com a arrecadação do município a gente não consegue”, explica a secretária de Educação, Lenita Romano Bergamo.
O município também se organizou para zerar a fila das creches. “Toda família que procura, consegue vaga. Em outubro abrimos uma nova sala de maternal, para atender novos bebês”, conta a secretária.
Para Lenita, o segredo para alcançar qualidade e chegar a todos está na consistência e no fator humano. “Claro que há atualizações, mas temos um foco e não ficamos mudando de programas o tempo todo. Nossos gestores estão na função há muitos anos, conhecem bem o território. E os nossos professores são muito engajados”, afirma.
Os prédios são importantes, mas apenas o ponto de partida. “Os professores têm de gostar de onde estão, para se sentirem acolhidos e terem um bom clima de trabalho. Assim, todos podem se focar no que realmente importa, ou seja, que as crianças aprendam”, diz Lenita.
Tempo integral com autonomia e acolhimento
Em outro pequeno município paulista, Estiva Gerbi, com 12 mil habitantes, a necessidade de adequar os espaços físicos se repete. “A questão da criação de vagas de creche passa pela questão do espaço físico e os recursos financeiros para isso. Na educação infantil não temos fila de espera, mas para ampliar o ensino em tempo integral, precisamos fazer reformas”, conta o secretário de Educação, Valdir Pazini.
O secretário faz questão de ressaltar que não se trata de qualquer espaço físico e que a creche e a escola de tempo integral não são “depósito de crianças” para permitir que os pais trabalhem. “Sobretudo quando fica o dia todo, a criança tem que se sentir bem. A escola tem que ser convidativa, com espaços lúdicos, agradáveis, interativos”, diz. Como parte desse bem-estar, a rede oferece kit de material escolar e uniforme, com peças adequadas ao verão e, sobretudo, ao inverno.
Depois de uma queda em 2019, o Ideb de Estiva Gerbi para os anos iniciais passou a crescer a cada edição do índice, chegando a 6,3 em 2025. “Tivemos algumas escolhas erradas em outras administrações, mas retomamos o rumo. Quando o município é pequeno, todo investimento tem que ser certeiro”, afirma Pazini.
Há 24 anos como diretora na rede, Mara Cristina Del Judice viu muitas transformações nos programas de educação e nos espaços, que precisaram se adequar. “A escola já teve três turnos, manhã, tarde e EJA à noite. Hoje somos de tempo integral. Tivemos que fazer uma ampliação para ter mais salas de aula”, recorda. “Ser integral muda a dinâmica, aumenta o vínculo com os alunos. Às vezes, passam mais tempo conosco do que com os pais”, diz.
Para a gestão, é preciso criar estratégias para manter o interesse dos estudantes ao longo do dia. “No começo, colocamos muitas aulas de esporte, mas depois foi necessário adequar, entender o que eles queriam, para não desmotivar”, afirma ela, lembrando que as aulas de artes marciais, por exemplo, não caíram no gosto da comunidade e acabaram sendo trocadas.
Atualmente, a escola aposta em projetos. Para isso, dá muita liberdade aos professores. “Na minha visão, inovar é dar autonomia para o professor. Ele tem que cumprir o currículo, mas podendo adequar com atividades que possam se aproximar mais da vivência dos alunos, dos gostos deles”, defende Mara Cristina.
Com os projetos, os estudantes muitas vezes saem da escola para visitas de estudo, o que transforma toda a cidade e, às vezes, até cidades vizinhas em espaços de aprendizagem. Os projetos também ajudam a trabalhar o desenvolvimento socioemocional e o fortalecimento da autoestima. “Hoje essas questões parecem muito maiores que antigamente, mas talvez esteja só mais explícito, porque eles se abrem com a gente, falam quando estão com problemas”, cita a diretora.
“Toda a tecnologia e infraestrutura são importantíssimas. Mas tem horas que o que os alunos mais precisam é de apoio humano”, diz Mara Cristina. Nessas ocasiões, o melhor espaço que a escola pode oferecer cabe dentro de um abraço.


