No Brasil, há atualmente cerca de 338 mil organizações não governamentais, de acordo com de acordo com dados da Abong (Associação Brasileira de Organizações não Governamentais). O número de voluntários chega a 42 milhões, segundo levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Se de um lado a quantidade de ONGs cresce de modo expressivo, na outra ponta está a necessidade da qualidade da gestão dessas entidades. Foi pensando na formação dos profissionais que a Fundação Dom Cabral criou a Pos (Parceria de Organizações Sociais). Iniciativa, que há três anos, trabalha na profissionalização da gestão de organizações do terceiro setor, para que tenham mais recursos e expandam sua atuação social.

Hoje, a parceria é formada por 33 organizações sociais de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Os profissionais dessas entidades passam por uma formação baseada em três eixos metodológicos: gestão,  aquisição de conhecimento e intercâmbio. A partir de um planejamento estratégico elaborado em conjunto, os gestores recebem acompanhamentos periódicos para avaliar indicadores e metas.

 

Ainda como parte do programa de formação, há capacitações que atendem a aspectos específicos como gestão do voluntariado, avaliação de resultados de projetos sociais ou mobilização de recursos. “As entidades são muito comprometidas com a causa, mas isso pode ruir se não houver uma gestão profissional, com recursos e estrategicamente orientada para gerar as transformações na sociedade”, afirma Elson Valim, coordenador da Pos.

“Vimos, porém, que não bastaria ter uma meta. Era preciso planejamento, organização e acompanhamento das nossas ações para termos os resultados sociais que desejávamos”

Presente na Parceria desde maio deste ano, a Cufa (Central Única das Favelas), da capital fluminense – que desenvolve principalmente por meio do hip-hop outras ações de inclusão social –, é a mais recente a aderir ao programa. Criada há mais de 10 anos, a organização tem uma equipe composta, sobretudo, por jovens formados em cursos da própria entidade, a maioria oriunda de comunidade vulneráveis.

Segundo Fernanda Borriello, diretora de programas e projetos da Cufa, o estudo está ajudando a melhorar o nível de gestão da equipe, principalmente aqueles que não tinham nenhuma formação na área de gestão organizacional. “Muitas pessoas que trabalham aqui não tem formação superior e começaram a trabalhar por conta do estímulo, instinto e força de vontade, mas sem habilidades de gestão, sem preparo”, diz.

Em São Paulo, o Instituto IT Mídia, mantido pela IT Mídia, trabalha com uma meta: ‘profissionalizar’ 1.000 jovens em situação de exclusão até 2014, nas áreas de saúde e tecnologia da informação – segmentos em que a companhia atua –, e inseri-los no mercado de trabalho. Membro do Pos, desde 2011, até o momento, o instituto já capacitou 165 jovens. Eles recebem bolsa integral para cursar faculdades relacionadas à saúde ou tecnologia e, uma vez terminada a graduação, contam com o apoio do instituto para ingressar como mão-de-obra qualificada em empresas parceiras. “Vimos, porém, que não bastaria ter uma meta. Era preciso planejamento, organização e acompanhamento das nossas ações para termos os resultados sociais que desejávamos”, conta Adelson de Sousa, presidente do Instituto IT Mídia. 

Planejamento

Segundo ele, a adesão à formação possibilitou traçar o planejamento estratégico balizado por metas e indicadores, e capacitar a equipe em gestão, o que deu mais clareza ao processo e consistência à iniciativa. “O número é um detalhe, agora queremos selecionar melhor os alunos, reduzir a evasão deles da faculdade e colocá-los no mercado de trabalho de forma duradoura, perene”, conclui.

“É importante acompanhar cada entidade de modo sistêmico, avaliando seus indicadores e suas metas. Desconheço um programa que se proponha a estar com essas organizações por 4, 5 ou 6 anos”

A formação é paga e custa, em média, R$ 2.500 mensais, de acordo com Valim, o custo é 25% do valor referente ao que seria cobrado se direcionado a empresas. Para o coordenador, o diferencial do programa é o fato de aliar treinamento, aplicação prática e uma rede com encontros presenciais entre as entidades parcerias. “Esses três aspectos precisam caminhar juntos para que se complementem e deem conta de uma uniformidade que ajude a melhorar a gestão dessas organizações e, claro, promova mais transformações sociais”, afirma.

A cada dois meses, as equipes das organizações se reúnem em alguma das cidades para a troca de intercâmbios. Os encontros partem de um tema em comum; no último, por exemplo, foi abordado o desafio da captação de recursos. “Embora a maioria seja de áreas de atuação distintas, esses encontros enriquecem os trabalhos de cada organização. Todos se conheçam, sabem o que cada um está fazendo para lidar com determinadas situações e partilham boas experiências e casos de êxito”, afirma Valim.

Outro aspecto importante da iniciativa, afirma Valim, é o acompanhamento de cada organização a longo prazo. “É importante acompanhar cada uma delas de modo sistêmico, avaliando seus indicadores e suas metas. Desconheço um programa que se proponha a estar com essas organizações por 4, 5 ou 6 anos, como é o nosso caso”, completa.

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4 Comments

  1. Prezados senhores:

    É possível fazer uma visita à Fundação Dom Cabral para conhecer melhor o programa? A Fundação Dom Cabral no âmbito do Programa faz parcerias com outras Universidades?

    Grata!

  2. Prezados senhores:

    É possível fazer uma visita à Fundação Dom Cabral para conhecer melhor o programa? A Fundação Dom Cabral no âmbito do Programa faz parcerias com outras Universidades?

    Grata!

  3. Olá Lúcia, tudo bem?

    Vou encaminhar suas dúvidas para o Elson Valim, coordenador da iniciativa.

    Um abraço,

    Vagner de Alencar

  4. Olá Lúcia, tudo bem?

    Vou encaminhar suas dúvidas para o Elson Valim, coordenador da iniciativa.

    Um abraço,

    Vagner de Alencar

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