Almanaque de empreendedorismo social incentiva crianças a tomarem decisões - PORVIR
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Inovações em Educação

Almanaque de empreendedorismo social incentiva crianças a tomarem decisões

A cartilha AgitAção social busca empoderar crianças para que elas busquem soluções para problemas de seu entorno

por Maria Victória Oliveira ilustração relógio 20 de outubro de 2015

Para empoderar crianças a transformar a sociedade Daniele Miranda e Tiago Amorim, apaixonados por empreendedorismo social,  buscam tirar do papel o projeto AgitAção Social. Ela, formada em educação física, e ele, em administração, se dizem apaixonados pelo empreendedorismo social. No projeto que busca financiamento no site Benfeitoria, eles explicam que a intenção não é ensinar crianças de 7 a 11 anos a abrir empresa ou criar plano de negócios, mas sim estimulá-las a identificar problemas e buscar soluções desde cedo.

Segundo Daniele, é importante que o assunto seja apresentado as crianças o quanto antes como forma de estímulo ao questionamento. “Trata-se de questionar, mobilizar e ter autonomia. Se a criança identificar problemas, ela pode mobilizar os amigos a fim de encontrarem soluções para aquilo que ela não acha certo”. Tiago completa “nós vemos o empreendedorismo social como uma causa, e o que a gente quer dessa causa é transformar realidades”.

O Almanaque

A cartilha em formato A4 começa com uma breve apresentação dos personagens Jiji (a jiboia), Mimo (o macaco), Pati (a porca) e Joca (o jacaré) falando sobre o que gostam de fazer e quais esportes gostam de praticar. Daniele e Tiago dizem que o uso de animais é proposital, e teve como objetivo estabelecer identificação mais efetiva com as crianças e criar um elo com a fauna brasileira. “Eu sou muito fã de quadrinhos. E, estudando sobre o tema, pode-se perceber que quanto mais caricato for o desenho, mais fácil é a identificação com o personagem. Se você usa um desenho muito realista, tipo uma menina loira e magra, as crianças diferentes daquele padrão não vão estabelecer tanta ligação”.

Depois da introdução, as crianças são apresentadas a uma história em quadrinhos na qual os personagens envolvem-se em uma situação problema na escola: o pátio do recreio com lixo espalhado pelo chão. A turma começa a se mobilizar, mas a história para na metade, incentivando as crianças a participarem da tomada de decisões durante as atividades. “A criança sai do papel de espectadora e começa a se envolver nas atividades junto com os personagens”, ressalta Daniele.

O Almanaque AgitAção Social é baseado em três princípios: a identificação do problema, a busca por soluções e a prática do que foi pensado para solucionar as questões. Para Tiago, “o empreendedorismo social ressalta a importância das pessoas conseguirem transformar aquele problema que incomoda todos os dias em um negócio e algo que seja sustentável, principalmente para trazer o bem para a comunidade”. Na publicação, as atividades aparecem sempre depois de uma página de conteúdo. “Na primeira parte, nós explicamos de forma simplificada o que é um problema: algo que não acontece como deveria. A Pati foi na casa do Joca, mas no caminho choveu e ela se molhou. Ela não deveria ter se molhado. Isso é um problema”, exemplifica Tiago.

A temática do lixo

Segundo Daniele, a temática do lixo foi escolhida para ilustrar a primeira edição por conta de um projeto anterior, chamado Ulinha. Trata-se de uma cartilha, também destinada a crianças, que fala dos direitos dos animais e propõe uma releitura do jogo de pescaria de festa junina. “Os animais não são pescados, mas são considerados sujeitos do meio ambiente. Então, desenvolvemos o pesca lixo: é uma atividade igual a pescaria, só que ao invés da criança pescar o peixe, ela pesca o lixo”.

Daniela afirma que o financiamento coletivo que busca R$ 15 mil tem como missão abrir espaço a novos temas. “Quando a gente começou a fazer o Almanaque, nós pensamos em utilizar um tema base, mas que deixasse em aberto pra que a criança extrapolasse isso e tivesse a chance de criar soluções para outros problemas também”.

Almanaque nas escolas

Segundo Tiago, depois da etapa do financiamento coletivo, a intenção é aplicar o Almanaque em colégios e treinar interessados para que apliquem com outras crianças. “O material é simples. A criança pode fazer sozinha. Mas a partir das atividades propostas, é possível desenvolver inúmeras dinâmicas de grupo, por exemplo”.

Aos interessados, a campanha de financiamento coletivo do AgitAção Social vai até o dia 30 de novembro, nesse link.


TAGS

empreendedorismo, ensino fundamental, financiamento coletivo

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