Aluno com autismo conta sua história em projeto de curta-metragem - PORVIR
Crédito: Andrey Popov / Fotolia.com

Diário de Inovações

Aluno com autismo conta sua história em projeto de curta-metragem

Com incentivo de professora do atendimento especializado e da família, estudante do 9º ano desenvolve pesquisas e produz filme com dinossauros

por Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol ilustração relógio 6 de fevereiro de 2019

Enquanto professora especialista em TEA (Transtorno do Espectro do Autista) de sala de recursos e itinerância no AEE (Atendimento Educacional Especializado) em escolas públicas do estado de São Paulo, procuro realizar no início do ano letivo uma sondagem sobre o perfil dos alunos, em particular com cada criança e também com suas famílias. Tento identificar suas angústias, ansiedades, alegrias e expectativas, além de seus gostos, dificuldades e potenciais de aprendizagem.

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Sempre respeito o perfil de competência de cada aluno em relação às suas limitações, assim como procuro conhecer sobre os atendimentos que os mesmos realizam fora da escola com outros profissionais. A ideia é criar uma rede de diálogo para fortalecer os registros sobre o perfil de cada aluno para organizar, definir e adaptar ações e atividades integradas ao currículo comum de suas séries. Procuro apresentar esses registros a coordenação da escola para que o atendimento do AEE fortaleça ações integradas junto aos demais professores.

Elaboro propostas de atividades que possam desenvolver a autoconfiança dos alunos em suas competências. Nessa perspectiva, relato o exemplo de atividade de curta-metragem que foi realizado com o aluno Vinicius Melo, do 9º ano da escola Escola Estadual Antônio Marmora, na cidade de Mogi das Cruzes (SP).

A atividade em vídeo garantiu a participação do aluno no Festival de curta metragem, realizado pela Diretoria de Ensino da região de Mogi das Cruzes no final ano de 2018. Com uma proposta de integração com a disciplina de arte, ela incentivou o aluno ir além da aprendizagem de sala de aula ao demandar pesquisas em livros e na internet sobre a vida dos dinossauros (gosto e curiosidade que ele tem desde pequeno), realizar filmagem, tirar fotos e participar da montagem dos cenários e ajustes da organização de forma ativa.

O processo de produção do curta também possibilitou maior aproximação da família, onde a mesma colaborou com relatos e fotos sobre a história que foi narrada. Após o desenvolvimento desse projeto de aula, a família relata que Vinicius está interessado em fazer curso de fotografia, está mais falante e confiante de suas ações.

Algumas dificuldades no desenvolvimento do percurso desse projeto foram identificadas. Uma delas foi a resistência de alguns professores, que não entendem a importância do trabalho transdisciplinar em forma de projetos, identificando que conteúdos curriculares precisam ser expostos em sala de aula com giz e lousa. Outra questão é que a escola como um todo que precisa respeitar as limitações e acreditar no potencial de todos os alunos, deixando de infantilizá-los.


Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol

Possui graduação em educação física, mestrado na área da educação. É especialista em educação física Escolar, Transtorno do Espectro Autista (TEA) em neuropsicopedagogia e psicomotricidade. Atuou por 27 anos como professora de educação física na rede pública Estadual de São Paulo. Atualmente é professora especialista de sala de recursos e itinerância na área de educação especial para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no sistema público do estado de São Paulo. É vice-presidente da ONG Grupo Fazer o Bem.

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ensino fundamental, inclusão, tecnologia

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Maria de Lourdes de M.Pezzuol

Enquanto educadores precisamos interrogar os sentidos e dar importância de saber caracterizar cada aluno a partir de seu potencial.

Cecilia
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Cecilia

Que trabalho lindo, professora espetacular! Quem ama o que faz só poderia dar este resultado!