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Diário de Inovações

Alunos gravam programas de rádio para estudar literatura

Em escola pública de Bragança (PA), professora de literatura envolveu a turma em projeto interativo para estudar o modernismo

por Maria do Socorro Braga Reis ilustração relógio 12 de março de 2020

Sou professora de língua portuguesa do ensino médio da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Professora Yolanda Chaves, em Bragança (PA). Para dar conta do longo conteúdo de língua portuguesa e literatura, criei um projeto de rádio chamado “Rádio 3º Médio YC”, que “roda” nas redes sociais e dentro do grupo da turma no WhatsApp.

Precisava dissecar o conteúdo do Modernismo, mas não queria fazer isso em forma de seminário, pois cada vez que isso acontecia, algumas equipes não reagiam como eu esperava. Este novo projeto consistiu em fazer os estudantes viajarem ao início do século 20 para estudar a estética Modernista, fazendo pesquisa em livros e principalmente na internet. Comecei a encorpar o projeto da rádio dividindo a turma em cinco equipes. Cada uma ficou responsável por um movimento e dois autores.

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O trabalho consistia em criar um programa de rádio com título relacionado ao nome de uma das obras dos autores, além vinhetas e toda a programação. Essas tarefas foram desenvolvidas em uma semana. Eu distribuía as demandas, e os estudantes faziam os estudos na sala do NTE (Núcleo de Tecnologia Educacional) da escola ou até mesmo em casa. As aulas ou mesmo o grupo do WhatsApp eram usados para tirar dúvidas.

Foram criados cinco programas: Rádio Abaporu, Rádio Caetés, Rádio Jubiabá, Rádio Sagarana e Rádio Poemas. As vinhetas foram gravadas com o apoio de professor e radialista idealizador do programa Aluno Repórter, que além de gravar com os estudantes, ministrou uma oficina de rádio na escola. As vinhetas foram pensadas para diferentes momentos da programação, como início do programa, bate papo com o autor, conversando com autor, conversa de pé de ouvido, poemas musicados, minuto do movimento, entre outros.

A cada orientação, as equipes demonstravam muita propriedade no conteúdo explorado e traziam sugestões que eu nem havia pensado. Elas começaram a descobrir os poemas musicados, a vida dos autores, a arte e, principalmente, a compreensão aprofundada dos manifestos.

Durante o processo de produção, os estudantes tiveram uma ideia brilhante. Eles fizeram o download de entrevistas com alguns autores disponíveis no YouTube , recortaram a parte da respostas e os entrevistaram em seus programas.

Eles se engajaram tanto com a proposta que começaram a trazer novas sugestões. A princípio, cobrei relatórios escritos dos encontros das equipes. Uma equipe escolheu apresentar o relatório no bloco de notas, com fotos e áudios. Assim, todas as outras começaram a entregar nesse mesmo formato. A rádio estava ganhando corpo! Os programas foram gravados nos celulares, em algum espaço da escola, ou nas casas dos estudantes.

Depois de gravados, eles foram editados em aplicativos e renderizados em mp3 (formato de arquivo de áudio que mantém qualidade e ocupa pouco espaço em disco). Após esse processo, eles compartilhavam no grupo da turma, onde também estão a direção da escola, a coordenação pedagógica e os familiares. Todos acompanham as atividades e as “broncas” da turma. Com essa proposta, passei a contar com um maior envolvimento de todos nas minhas aulas.


Maria do Socorro Braga Reis

Licenciada em letras (habilitação em português) pela Universidade Federal do Pará (2002) e em computação pela Universidade Federal Rural da Amazônia (2015). Mestre em linguagens e saberes na Amazônia pela Universidade Federal do Pará (2018). Professora formadora do Núcleo Tecnológico Educacional - NTE Bragança. Também atua como professora de língua portuguesa e literatura brasileira na EEEFM Profª Yolanda Chaves.

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educomunicação, ensino médio, tecnologia