Bibliotecas Parque do Rio oferecem programação cultural com foco no livro - PORVIR
Crédito: Marina Morena Costa

Inovações em Educação

Bibliotecas Parque do Rio oferecem programação cultural com foco no livro

Inspirada em inciativas colombianas, rede carioca promove oportunidades de experimentação que incentivem cidadãos a produzirem saberes

por Marina Morena Costa ilustração relógio 27 de junho de 2016

Bibliotecas do mundo inteiro têm inovado em sua programação cultural para atrair leitores e absorvido as novas mídias, uma vez que o livro não está mais somente na prateleira. A rede de Bibliotecas Parque do Rio de Janeiro segue essa tendência e utiliza diferentes formas de arte para conquistar, instigar e proporcionar experimentação e aquisição de conhecimento dos cidadãos. O objetivo é oferecer uma programação cultural e educativa, de biblioteca (com ênfase nessa distinção), tendo o livro e a literatura como base, insumo e principal ferramenta.

“As bibliotecas e os museus são os espaços que mais se ressignificaram, que vêm tentando buscar um novo papel na sociedade. Nossa aposta conceitual e prática é que elas precisam ser não apenas espaços que promovam acesso ao conhecimento, mas de produção de saberes”, avalia Vera Schroeder, superintendente da Leitura e do Conhecimento da Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro.

Assim, um jovem que participa de um laboratório de dramaturgia ou de música em uma das unidades da rede pode aprender a tocar cavaquinho e talvez se interesse em saber quem foi Pixinguinha e o que ele tem a ver com funk que toca em seu fone de ouvido. “Essa é a nossa aposta: ter vários espaços de experimentação que levem o sujeito a ter a curiosidade de ir à estante pegar um livro, sentar e ler”, completa Schroeder.

Criada em 2010 com a unidade de Manguinhos, o projeto foi inspirado nas bibliotecas parque de Medellín e Bogotá, na Colômbia, país que apostou na construção de espaços culturais para provocar transformações humanas e sociais em regiões de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), marcadas pela violência do narcotráfico e da desigualdade social. Schroeder conta que a equipe da Secretaria de Cultura viajou para a Colômbia e bebeu nessa fonte conceitual e de experimentação. Iniciativas em outros países, como Chile e França também serviram de inspiração para o projeto.

A primeira unidade da rede a ser inaugurada foi Manguinhos, na zona norte da cidade. No ano seguinte, a rede reformou e absorveu a Biblioteca Pública de Niterói, na cidade vizinha. A Biblioteca Parque da Rocinha, na zona sul do Rio, foi inaugurada em 2012, e em março de 2014, após uma extensa reforma, modernização e ampliação, a Biblioteca Pública do Estado, idealizada por Darcy Ribeiro, tornou-se a matriz da rede, rebatizada de Biblioteca Parque Estadual (BPE).

Localizada no centro do Rio, na Avenida Presidente Vargas, uma das mais movimentadas da cidade, e bem próxima à Central do Brasil, terminal dos trens que servem o subúrbio e a região metropolitana, a BPE atrai um público variado. É possível encontrar pessoas em situação de rua assistindo a DVDs, lendo ou descansando nas confortáveis poltronas, ao lado de estudantes de doutorado do Museu Nacional.

“Muitas pessoas passaram a ter uma identidade porque queriam assistir a um filme ou retirar um livro. São pessoas que ficavam com os olhos cheios de lágrimas dizendo para as bibliotecárias ‘agora eu tenho dois documentos, minha identidade e carteirinha da biblioteca’. O que a gente mais quer é que essas pessoas que você encontra nas ruas, andando pela [avenida] Presidente Vargas ou na [avenida] Rio Branco, possam ser encontradas dentro de um espaço público, sem ter seletividade”, diz Schroeder.

Junto e misturado

“Você tem que encontrar meios de seduzir as pessoas, de aproximar os jovens da leitura. Essa sedução se dá às vezes por meio do teatro, da música, do cinema”, pontua Patricia Lattavo, gerente de Conteúdo da BPE. Na programação, é comum ter mesas de discussão de livros que viraram filmes ou filmes que viraram livros.

Em abril, a rede realizou o ciclo “Ditadura em Cena”, e promoveu um debate com Mario Magalhães, autor da biografia de Carlos Marighella, Maria Marighela, neta do guerrilheiro, e Silvio Tendler, diretor do filme baseado no livro. Os debates, encontros, lançamentos de livros, espetáculos de dança e de teatro sempre dialogam de alguma maneira com o acervo.

“Nosso desafio é não perder de forma alguma a característica de ser uma rede de bibliotecas com caráter inovador, mas sem ser chamado de centro cultural. Nada contra esses espaços, mas a gente quer colocar as bibliotecas em um novo patamar, que possa lhes conferir um valor maior”, avalia Schroeder.


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educação mão na massa, novos espaços, uso do território

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