Brasil 27 roda país para registrar negócios sociais - PORVIR

Inovações em Educação

Brasil 27 roda país para registrar negócios sociais

Projeto quer identificar uma empresa voltada a resolver problemas da sociedade em cada estado brasileiro

por Patrícia Gomes ilustração relógio 17 de junho de 2013

A dupla Pedro Vitoriano e Fábio Serconek voltou da Europa de seus respectivos mestrados, o primeiro em sustentabilidade e o segundo em inovação, com uma pergunta na cabeça: será que esse movimento de negócios sociais que existe no mundo está acontecendo no Brasil? Assim que voltaram ao país participaram de um evento sobre o tema no Rio de Janeiro, conversaram com muitos envolvidos e chegaram rapidamente à conclusão de que sim, há muitos empreendedores desenvolvendo empresas que têm por objetivo gerar lucro, mas também resolver um problema da sociedade. Agora a pergunta que se fazem é outra: como será que o retrato dos negócios sociais brasileiros? Para responder a essa questão, lançaram o projeto Brasil 27, em que visitarão todos os estados para conhecer um exemplo de negócio social em cada unidade da federação.

“Nosso objetivo é levantar casos de sucesso que possam servir de referência para outros empreendedores iniciantes”, afirma Vitoriano. O primeiro evento dessa jornada acontece hoje, no Rio Grande do Sul, com um workshop e, no decorrer da semana, com a visita ao primeiro negócio selecionado. No workshop, a dupla discutirá com um grupo de jovens sobre empreendedorismo social, mostrará ferramentas de análises de negócio e discutirão a iniciativa que representará os gaúchos no levantamento. A escolhida, chamada Justa Trama, é uma cooperativa formada por cerca de 700 trabalhadores, entre agricultores, tecedores e costureiras, que trabalham segundo os conceitos da economia solidária, na cadeia que vai do plantio à comercialização do algodão agroecológico.

Brasil 27 roda país para registrar negócios sociais dos estadoscrédito ViewApart / Fotolia.com

Sempre no formato de fazer um workshop de capacitação para jovens locais e uma visita ao negócio selecionado – que pode ser acompanhada por participantes da oficina –, o projeto de Vitoriano e Serconek tem a intenção de visitar negócios variados no país e que, preferencialmente, representem uma especificidade local de forma inovadora. Em cada visita, farão uma entrevista com o empreendedor responsável com o objetivo de identificar como cada caso se relaciona com quatro grandes temas: o modelo de negócio adotado, o perfil do empreendedor, o impacto social gerado e lições aprendidas ao longo da trajetória da empresa. “Tentamos escolher iniciativas que sejam muito diferentes. Em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, tivemos muitos indicados e precisaremos fazer uma seleção cuidadosa. Nos estados do Norte, os indicados estão em menor número. Mas ainda sim queremos traçar o mapa dos negócios sociais do Brasil”, afirma o empreendedor.

Isso porque, muito antes de colocar o pé na estrada, a dupla fez contatos com atores do setor, começou a cadastrar negócios sociais, pediu indicações e levantou casos em todos os estados. Com uma lista de centenas de negócios, começaram então um trabalho em que pesquisavam cada um deles e aplicavam critérios pré-estabelecidos (ter ao menos um ano de operação formal, ter a base da pirâmide incluída na cadeia produtiva, ser inovador, não depender apenas de doações, entre outros) para reduzir o rol a uma única iniciativa a ser visitada. “Fazer esse funil foi muito difícil, houve um trabalho de pesquisa prévia grande”, afirma. Só no Rio Grande do Sul, por exemplo, foram 40 indicados; nove ficaram após serem submetidos aos critérios de seleção do projeto e, por fim, um foi escolhido.

Acompanhando o Brasil 27

Os registros da jornada, tanto dos workshops quanto das entrevistas, ficarão disponíveis no blog do projeto. Para Vitoriano, o processo será tão mais rico quanto atores locais quiserem participar do relato dos negócios. “Queremos estimular a coautoria local, que os jovens participem”, afirma. Além dos textos dos blogs, há uma intenção de poder disponibilizar, ao fim da jornada, outros materiais, como relatórios e até um livro. Agora, o Brasil 27 está com um projeto no Benfeitoria para levantar fundos para também filmar as iniciativas. A dupla está pedindo R$ 15 mil, que podem ser doados até 29 de julho.


TAGS

empreendedorismo, negócios de impacto social, sustentabilidade

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