Clube de observação de aves leva atividades colaborativas às aulas remotas - PORVIR
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Diário de Inovações

Clube de observação de aves leva atividades colaborativas às aulas remotas

Projeto para o 5º ano do ensino fundamental envolveu diferentes registros, como fotos, descrições e relatos, além de permitir aos estudantes estabelecer uma nova relação com o meio ambiente

por Dária Teixeira Passos ilustração relógio 28 de janeiro de 2021

É possível montar um Clube de Observação de Aves e mobilizar uma comunidade sem sair de casa?

O COA (Clube de Observação de Aves) Garça-Branca nasceu como consequência natural de um projeto colaborativo desenvolvido com os alunos do 5º ano do Colégio Novomundo, em Praia Grande (SP), sobre aves que encontramos nos manguezais e da importância de conhecerem de perto a avifauna da nossa região, contribuindo assim, para uma ciência cidadã.

O trabalho desenvolvido foi tão intenso e colaborativo que a todo o momento, no início ou ao final da aula remota, os estudantes queriam rever suas produções e falar sobre sua pesquisa (utilizamos o Google Slide pela facilidade de acesso). A cada dia conhecíamos mais sobre as espécies que convivem conosco. Quando trouxemos a ideia do clube era como se todos dissessem “Era isto que queríamos!”

Estudante Henry Oliveira mostra foto em celular com pássaro avistadoCrédito: Arquivo Pessoal/Daria Passos

Estudante Henry Oliveira anota observações em brochura do clube

O nome do clube foi escolhido pelos próprios estudantes, por meio de uma enquete. Na sequência, eles receberam em suas casas um encarte com as principais aves da nossa região, com o objetivo de auxiliar na observação e na identificação das espécies.

O primeiro encontro remoto, em razão da pandemia, aconteceu em julho e desde então passou a ser realizado quinzenalmente, às sextas-feiras. Nesses encontros, os estudantes apresentavam suas observações por meio de registros diversos (fotos, descrições, relatos, etc.), além de compartilhar seus conhecimentos sobre as aves observadas e aprender mais sobre outras por meio das experiências vividas pelos colegas.

Montamos uma pasta no Google Drive para a organização dos registros (imagens, logo, história do clube, entre outros). O clube possui uma lista ativa, com o registro das observações feitas pelos membros (cada aluno recebeu o link de acesso no Google Docs, onde podem registrar a qualquer momento: espécie observada, observador, local, data).

O clube conta também com o apoio do Projeto Trinta-Réis (um projeto de pesquisa, conservação e educação através do estudo dos trinta-réis, uma ave marinha encontrada no litoral paulista), que participa das reuniões e auxilia na construção de atividades pedagógicas direcionadas à observação de aves e contato com a natureza. O COA agora possui um espaço próprio no site do Projeto Trinta-Réis, onde consta a nossa história, fotos e a lista ativa de observações abastecida pelos próprios alunos.

Respondendo a pergunta feita no início do relato: Sim! É possível montar um clube de observação de aves e mobilizar uma comunidade sem sair de casa. Porém, vivemos uma pandemia e, claro, tivemos dificuldades com algumas ações específica. Por exemplo, a ideia de montar pequenos grupos para saídas de campo (importantíssimas em uma observação) não foi possível, mas os alunos (sem sair de casa) puderam observar melhor o seu entorno, valorizar o que está perto e perceber que pequenos atos podem mudar sua realidade.

Recebemos relatos de famílias montando comedouros em suas casas, de alunos onde a primeira ação ao acordar é olhar pela janela (acredite, para observar não precisamos obrigatoriamente de binóculo, nem câmeras) ou de outros participando de ações em prol da defesa do meio ambiente.

Para 2021, o clube objetiva novas ações, bem como apresentação e utilização de aplicativos que auxiliem na identificação de espécies e incluam os estudantes em uma comunidade mundial de observadores de aves. E continuaremos aprendendo que “Quando conhecemos, cuidamos. Quando cuidamos, coexistimos. Quando coexistimos, preservamos”.

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Dária Teixeira Passos

Bióloga e pedagoga, consultora acadêmica, professora e palestrante em saúde infantil, integrante do grupo de educadores Google de Praia Grande e aprimoranda em diversidade escolar

TAGS

aprendizagem baseada em projetos, aprendizagem colaborativa, coronavírus, ensino fundamental, tecnologia, uso do território

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