É possível montar um Clube de Observação de Aves e mobilizar uma comunidade sem sair de casa?

O COA (Clube de Observação de Aves) Garça-Branca nasceu como consequência natural de um projeto colaborativo desenvolvido com os alunos do 5º ano do Colégio Novomundo, em Praia Grande (SP), sobre aves que encontramos nos manguezais e da importância de conhecerem de perto a avifauna da nossa região, contribuindo assim, para uma ciência cidadã.

O trabalho desenvolvido foi tão intenso e colaborativo que a todo o momento, no início ou ao final da aula remota, os estudantes queriam rever suas produções e falar sobre sua pesquisa (utilizamos o Google Slide pela facilidade de acesso). A cada dia conhecíamos mais sobre as espécies que convivem conosco. Quando trouxemos a ideia do clube era como se todos dissessem “Era isto que queríamos!”

Estudante Henry Oliveira mostra foto em celular com pássaro avistado
Estudante Henry Oliveira anota observações em brochura do clube

O nome do clube foi escolhido pelos próprios estudantes, por meio de uma enquete. Na sequência, eles receberam em suas casas um encarte com as principais aves da nossa região, com o objetivo de auxiliar na observação e na identificação das espécies.

O primeiro encontro remoto, em razão da pandemia, aconteceu em julho e desde então passou a ser realizado quinzenalmente, às sextas-feiras. Nesses encontros, os estudantes apresentavam suas observações por meio de registros diversos (fotos, descrições, relatos, etc.), além de compartilhar seus conhecimentos sobre as aves observadas e aprender mais sobre outras por meio das experiências vividas pelos colegas.

Montamos uma pasta no Google Drive para a organização dos registros (imagens, logo, história do clube, entre outros). O clube possui uma lista ativa, com o registro das observações feitas pelos membros (cada aluno recebeu o link de acesso no Google Docs, onde podem registrar a qualquer momento: espécie observada, observador, local, data).

O clube conta também com o apoio do Projeto Trinta-Réis (um projeto de pesquisa, conservação e educação através do estudo dos trinta-réis, uma ave marinha encontrada no litoral paulista), que participa das reuniões e auxilia na construção de atividades pedagógicas direcionadas à observação de aves e contato com a natureza. O COA agora possui um espaço próprio no site do Projeto Trinta-Réis, onde consta a nossa história, fotos e a lista ativa de observações abastecida pelos próprios alunos.

Respondendo a pergunta feita no início do relato: Sim! É possível montar um clube de observação de aves e mobilizar uma comunidade sem sair de casa. Porém, vivemos uma pandemia e, claro, tivemos dificuldades com algumas ações específica. Por exemplo, a ideia de montar pequenos grupos para saídas de campo (importantíssimas em uma observação) não foi possível, mas os alunos (sem sair de casa) puderam observar melhor o seu entorno, valorizar o que está perto e perceber que pequenos atos podem mudar sua realidade.

Recebemos relatos de famílias montando comedouros em suas casas, de alunos onde a primeira ação ao acordar é olhar pela janela (acredite, para observar não precisamos obrigatoriamente de binóculo, nem câmeras) ou de outros participando de ações em prol da defesa do meio ambiente.

Para 2021, o clube objetiva novas ações, bem como apresentação e utilização de aplicativos que auxiliem na identificação de espécies e incluam os estudantes em uma comunidade mundial de observadores de aves. E continuaremos aprendendo que “Quando conhecemos, cuidamos. Quando cuidamos, coexistimos. Quando coexistimos, preservamos”.

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Educadora há 18 anos. Consultora acadêmica, palestrante em saúde infantil, líder do grupo de Educadores Google de Praia Grande e aprimorada em multiplicidade escolar.

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