Com música e histórias, professora discute respeito às diferenças com crianças - PORVIR
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Diário de Inovações

Com música e histórias, professora discute respeito às diferenças com crianças

Projeto em escola pública municipal usou recursos lúdicos para trabalhar diversidade, tolerância, sentimentos e diferentes constituições de famílias

por Carla Cristina Scherer ilustração relógio 23 de agosto de 2018

Sou professora de educação infantil em uma classe na EMEI Pingo de Gente, em Portão (RS). Como forma de mediação das relações entre as crianças em relação à inclusão, estou desenvolvendo o projeto “Diferentes Identidades nas Histórias e Músicas Infantis”.

De forma lúdica, por meio de canções e histórias que abordam diferentes identidades, trabalhei no sentido de diminuir as expectativas e angústias a respeito de questões do dia a dia deles. Discutimos o respeito às características de cada um, percebendo que as pessoas não são iguais, mas constituídas de traços e personalidades próprios.

Estabeleci com o grupo as regras de convivência, estimulando a tolerância às diferenças, tornando-os mais pacientes e prestativos com próximo. Abordamos valores e sentimentos como companheirismo, bondade, compaixão, amizade, colaboração e solidariedade.

Ao longo desse processo, pesquisamos sobre a escolha dos nomes dos alunos, como se deu e por quem. Descobrimos o significado de cada nome, o que as crianças acharam muito engraçado.

Fiz uso de vários livros de literatura infantil com o tema diversidade. Utilizei a Literatura de Cordel, que não é muito popular no nosso estado (Rio Grande do Sul), como uma diversidade cultural, capaz de levá-los a literatura do nordeste. Escolhi o cordel “A Revolta dos Brinquedos”, que aborda a importância de cada brinquedo e como cada um deles era muito querido, apesar de ser diferente um do outro. Usamos encenações, danças, ilustrações, atividades de coordenação motora fina em propostas artísticas e dinâmicas de grupo para entender os valores e sentimentos envolvidos.

Construímos painéis com diferentes ilustrações, gráficos, apresentação artística e pesquisas (como um estudo da metamorfose da joaninha e a vida de insetos) para abordar o respeito às fases pelas quais cada pessoa passa, assim como eles, que já foram bebês e agora são meninos. Para essa etapa, separei fotos e slides de um arquivo pessoal para estreitarmos nossos laços, pois assim eles puderam conhecer pessoas da minha família.

Com a história “Os Três Porquinhos”, trabalhamos as diferenças entre os três irmãos, que eram semelhantes fisicamente, mas tinham personalidades diferentes. Isso era comprovado pelo andamento da história, em que o personagem mais dedicado ao trabalho de construção da casa precisa ser tolerante e solidário para receber seus irmãos e abrigá-los, mesmo após terem zombado de sua demora na construção.

Com o uso de bonecos e de um cenário, construídos em grupos, fizeram a dramatização da história. Pesquisamos os mais diferentes tipos de casas humanas, de iglu a pau a pique ou casas de animais (tocas, ninhos, etc).

Em outra atividade, trabalhamos com livros de literatura infantil sobre a temática do medo, para que as crianças pudessem dizer em que situações demonstravam este sentimento. Muitos estavam associados a eventos do cotidiano. Em seguida, fizemos uma categorização: medos reais e imaginários. Percebemos que muitos estavam associados ao que era noticiado na TV, jornal local ou na comunidade. Após conversa, simbolicamente aprisionamos cada um deles na “caixinha dos medos”.

Como tarefa à distância, as crianças tiveram que conversar com os pais sobre seus principais medos e fazer com eles a leitura de um poema. Aproveitamos para abordar a ansiedade através da leitura de um dos livros de uma coleção infantil que trata de vários sentimentos. Ouvimos atentamente o que os deixava ansiosos no dia a dia. Neste momento, aproveitei para trabalhar a música de uma campanha sobre violência contra a criança chamada “Não engula esse choro, menino”.

Discutimos também a importância das crianças conversarem sempre sobre suas angústias com um adulto de confiança: a professora, a mãe, a dinda, o pai, ou seja, alguém em quem confiam.

A partir de agora, abordaremos as diferentes constituições de famílias deles e de outros colegas, usando as histórias “Famílias de A a Z” e “As Famílias dos Animais”.

Com as diversas músicas e danças, aprendemos que é normal ser diferente, que ninguém é igual a ninguém, pois, afinal, aqui na nossa escola “todo mundo é uma caveira”. O projeto ainda está em andamento.


Carla Cristina Scherer

Licenciatura em pedagogia com ênfase em educação infantil na UNISINOS e pós-graduação em gestão escolar na UFRGS. Já diversos cursos na área de inclusão: A Criança Portadora de Necessidades Educacionais Especiais, Dificuldades de Aprendizagem, Pedagogia de Projetos, O Uso Pedagógico do Laptop Educacional Conectado- Aprender a Pensar com a Tecnologia Digital.

TAGS

diversidade, educação infantil, socioemocionais

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