Como a aprendizagem ativa prepara os estudantes para os desafios do mundo moderno - PORVIR
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Inovações em Educação

Como a aprendizagem ativa prepara os estudantes para os desafios do mundo moderno

Concepções erradas podem atrapalhar a aplicação da aprendizagem ativa. A metodologia ajuda estudantes a se sentirem vistos e ouvidos, colocando-os no centro de seu processo de aprendizado

Parceria com Cloe

por Maria Victória Oliveira ilustração relógio 19 de novembro de 2021

Quando adultos, olhar para a sua turma do ensino médio é um processo no mínimo curioso. Enquanto alguns colegas decidiram fazer o vestibular e seguiram a carreira escolhida, outros foram viajar ou estudar fora do país. Há aqueles que escolheram empreender e abriram o próprio negócio, outros que já entraram no mercado de trabalho direto, e também quem decidiu esperar mais um pouco. Apesar de muito diferentes, todos esses caminhos podem ser potencializados pela aprendizagem ativa.

Fazer uso dessa metodologia demanda, entretanto, combater algumas concepções incorretas que ainda circulam não só entre as famílias dos estudantes, mas também entre algumas equipes docentes.

Estrutura e intencionalidade
Para Letícia Lyle, sócia-fundadora da Camino Education, um dos principais pontos é a compreensão de que a aprendizagem ativa não se trata de uma “fazeção” de coisas, mas uma metodologia com uma intencionalidade, que, assim como nas abordagens mais tradicionais de ensino, conta com matriz curricular e objetivos de aprendizagem.

“Não é verdade que aprendizagem ativa é só “colocar a mão na massa” sem muita direção. A metodologia é uma forma diferente de trabalhar o conteúdo como fazíamos tradicionalmente na aula expositiva, mas nem por isso deixa de ter esses elementos muito importantes. Além disso, conta muito mais com o papel do estudante e com a interação com o professor do que somente passar o conteúdo”, explica.

O ‘ativo’ da aprendizagem ativa
Aprendizagem ativa está muito longe de ser uma abordagem com crianças correndo e pulando. Letícia cita Kevin Mattingly, professor da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, que questiona: “como você sabe que sabe alguma coisa?”. A pergunta parece simples, mas faz pensar.

Se proposta aos estudantes, a questão pode gerar respostas como “eu sei porque consigo explicar para um colega, consigo conectar o tema a outro assunto e sei usar esse tema”. Nesse sentido, Letícia reforça que raramente a resposta será “eu sei porque fiquei parado ouvindo uma aula”. “O processo de saber alguma coisa necessariamente envolve o estudante olhar para o tema, refletir e colocá-lo dentro da memória de longo prazo. Isso não é um caminho garantido se ele está em uma aula expositiva o tempo inteiro.”

Dessa forma, é, sim, possível ter momentos de aula expositiva, mas que devem ser combinados com intervalos para o estudante ativamente se questionar sobre o que está aprendendo, classificar e reclassificar o que está escutando e debater com colegas, por exemplo. A aprendizagem ativa diz respeito, portanto, a adotar uma postura ativa de aprendizagem, ao contrário do que acontece em aulas totalmente expositivas, nas quais os alunos, sentados em fileiras, apenas escutam o professor.

Treinar essa postura desde a escola pode ajudar os estudantes a lidar melhor com os desafios que podem aparecer em seu caminho, como uma mudança de carreira, a criação do próprio negócio ou a escolha por trajetórias menos tradicionais que podem enfrentar resistência.

Conscientização
Um dos caminhos apontados por Letícia para combater ideias erradas a respeito da aprendizagem ativa é produzir e fornecer informações de qualidade sobre a metodologia.

“Muitas das concepções erradas estão relacionadas a uma ideia de que se não passarmos muito conteúdo [aos alunos], o ensino é fraco. Mas na verdade é a mesma concepção de um funil: se “jogarmos” muito conteúdo que não é absorvido para o longo prazo, nada sobra e as coisas vão embora. Hoje em dia, já sabemos mais sobre como a memória funciona.”

É importante, portanto, divulgar mais informações sobre neurociências, por exemplo, sobretudo considerando que os adultos – sejam os pais ou professores – aprenderam e foram criados em metodologias diferentes que não a aprendizagem ativa. Assim, por mais que escolas e redes de ensino possam, eventualmente, sofrer pressões para abandonar a metodologia ativa, Letícia reforça a importância de persistir e sustentar essa prática.

“Muitas vezes, por conta da pressão, escolas acabam se rendendo a voltar com apostilas de conteúdo. Mas quem acaba se prejudicando são os estudantes, que continuam vivendo um modelo tradicional porque educadores e escolas não conseguiram sustentar a discussão com as famílias e com os próprios educadores. [A compreensão] não é uma coisa que vai acontecer de uma hora para outra, precisaremos sempre trabalhar juntos e garantir esse suporte”, pontua.

Esse processo de formação com os pais, com a imprensa e com os próprios professores deve ser pautado em como a aprendizagem ativa é uma metodologia mais apropriada para os dias de hoje, que prepara os estudantes para o mercado de trabalho, pois ele aprendeu a desenvolver as competências do século 21, aprendeu a ter flexibilidade e lidar com o mundo digital.

“A grande diferença da aprendizagem ativa é abrir possibilidade para a riqueza de cada indivíduo aparecer no dia a dia e na sala de aula. Na hora que os estudantes voltarem para escola e perceberem que ela não mudou como eles mudaram, eles vão se sentir muito traídos. Nesse ponto começamos a ver que a aprendizagem não é só “decoreba” pela nota e pelo ENEM. Tem uma parte que é, mas outro pedaço da aprendizagem depende de você se sentir visto, se sentir possível, de fazer o exercício mental, fazer perguntas sobre o que está acontecendo. Essa curiosidade e esse interesse partem de uma metodologia diferente que não tem todas as respostas, mas que abre muito espaço para perguntas”, defende Letícia.

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Cloe

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aprendizagem ativa, metodologias

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