Como combater o racismo na escola - PORVIR
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Inovações em Educação

Como combater o racismo na escola

Educadoras discutem mudanças e práticas para promover uma educação antirracista; baixe também uma ferramenta gratuita para autoavaliação

por Marina Lopes ilustração relógio 18 de novembro de 2020

Cerca de 17 anos depois de ser sancionada, a Lei 10.639/2003, que estabelece as diretrizes para incluir no currículo a obrigatoriedade de trabalhar história e cultura afro-brasileira, ainda enfrenta resistência e esbarra em desafios para ser implementada. Mais do que nunca, e ainda por conta das enormes desigualdades impostas pela pandemia do coronavírus (Covid-19), a escola precisa assumir o seu papel no combate ao racismo e na construção de ambientes inclusivos e representativos.

Para educadoras e especialistas ouvidas pelo Porvir, esse trabalho passa diretamente pelo reconhecimento de uma série de atitudes e posturas presentes no cotidiano da escola que evidenciam o racismo estrutural da nossa sociedade. “Nós vivemos em uma sociedade extremamente racista, e a escola, como parte dessa sociedade, produz e reproduz esse racismo”, afirma a educadora e escritora Luana Tolentino, que participou da trilha 11 do Clube Porvir.

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A escolha dos livros didáticos, as histórias que são contadas para as crianças e até mesmo a seleção de estudantes para protagonizarem eventos e atividades oficiais dizem muito sobre em que medida o racismo ainda permeia o dia a dia da escola. “Não são escolhas inocentes, frutos do acaso. Elas são o resultado do racismo que permeia a nossa sociedade”, destaca Luana.

Essa discussão também envolve uma mudança de perspectiva curricular, que ainda valoriza uma visão eurocêntrica da história.“Precisamos descolonizar o currículo”, defende a professora Ana Cristina Silva Godoy, da Escola Municipal de Educação Infantil Nelson Mandela, que é referência da rede pública de São Paulo pelo trabalho de inclusão e combate ao racismo. De acordo com ela, o documento ainda é bastante orientado pelas bases brancas europeias, que omitem os percursos, a história e a cultura do negro, do indígena, dos orientais e demais povos.

Selecionar obras de autores negros e com personagens negros, apresentar a trajetória e os aprendizados de personalidades negras da história e da atualidade e valorizar a cultura negra são algumas das ações que podem fazer parte do dia a dia de uma instituição comprometida com o combate ao racismo. Além disso, também é fundamental envolver os estudantes no debate. “As crianças, desde pequenas, por viverem em uma sociedade estruturalmente racista, trazem atos racistas para dentro da escola. Elas trazem isso como uma maneira de repetição”, observa Ana.

Durante o mês de outubro, o Clube Porvir desenvolveu uma trilha com essas e outras dicas para promover uma educação antirracista. Em celebração ao Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, tornamos aberta uma ferramenta de autoavaliação para ajudar você a identificar ações racistas no cotidiano escolar e construir estratégias de intervenção.

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TAGS

diversidade, educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, ensino superior

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