Como responder com calma para pais e responsáveis - PORVIR
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Inovações em Educação

Como responder com calma para pais e responsáveis

Quando uma mensagem de e-mail irritada aparecer na sua caixa de entrada, pode ser tentador responder da mesma forma. Essas cinco dicas de uma diretora de escola podem ajudar a contornar a situação

por Jessica Cabeen, para o Edutopia ilustração relógio 11 de novembro de 2019

Quando lidamos com crianças e famílias, todos conhecemos o que chamo de “momentos peraí” – por exemplo, uma mensagem telefônica com a reclamação dos pais sobre uma interação que deu errado ou um post em rede social fora de contexto. O “peraí” pode vir na forma de um e-mail em fonte tamanho 60, negrito, maiúsculo e sublinhado; ou um post sobre você ou sobre a escola de um jeito depreciativo.

Esse tipo de situação sempre parece vir na hora errada. Podemos estar saindo do trabalho, ou só checando o e-mail bem na hora que a reclamação chegar. A preocupação pode ser pequena; no entanto, se não estamos com a cabeça no lugar, podemos tomá-la de maneira ofensiva.

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Embora não seja possível controlar o que os outros dizem sobre nós, podemos sim controlar como reagimos. Isso requer autocontrole, colaboração e vontade de buscar apoio. Ter certeza de que estamos realmente prontos para responder construtivamente também requer muita autorreflexão.

5 dicas para planejar suas respostas

1. Pense por mais um dia: se o e-mail chegar depois do horário escolar, é completamente aceitável aguardar até o próximo dia letivo para responder. Se está preocupado com o fato de pais ou responsáveis acharem que você está inacessível, configure uma mensagem automática informando sobre seus horários de trabalho para deixá-los cientes sobre quando você pode responder. Assim, mesmo que você veja a mensagem à noite, poderá descansar e refletir antes de respondê-la no dia seguinte.

2. Dê um passeio: Você já ouviu falar em apneia por e-mail? Isso acontece quando você prende a respiração inconscientemente enquanto lê os e-mails, esperando problema. Na próxima vez que um e-mail aparecer com um título ou remetente que te deixar nervoso, verifique sua frequência cardíaca e sua respiração.

Antes de responder a uma postagem ou e-mail difícil, geralmente eu saio do escritório e ando um pouco para passar o tempo com meus estudantes. Professores podem tirar um tempo para brincar no parquinho, ou caminhar até o escritório e voltar, apenas para tomar um ar fresco e entender melhor a situação antes de ler novamente e responder.

3. Ligue para um amigo antes de clicar em Enviar: Está em dúvida se sua resposta com oito parágrafos é suficiente – ou seria exagerada? Peça uma avaliação a outro professor de confiança, coordenador ou diretor. Muitas vezes ficamos preocupados com nossas próprias emoções nesses conflitos, por isso, ter uma opinião neutra traz uma perspectiva diferente para revisar a resposta.

Na minha antiga escola, dedicávamos um tempo durante as reuniões de desenvolvimento profissional para elaborar respostas a e-mails hipotéticos vindos de famílias. Essa prática nos ensinou como responder de maneira profissional e a importância de procurar ajuda ao comunicar algo difícil.

4. Atenda o telefone: Às vezes, a melhor resposta é transmitida em tempo real. Se você está gastando muito pensando, repensando e analisando sua resposta, basta recorrer ao telefone. Permitir que um ouça a voz do outro cria uma grande oportunidade de empatia, esclarecimento e entendimento sobre fatores de preocupação. Se você acha que não tem tempo para esse tipo de conversa, pense se você tem tempo para reconstruir ou reparar a relação quando o problema aparecer.

Esteja disposto a iniciar a conversa não com uma abordagem certo/errado mas sim com foco em colaboração e busca por soluções. Ninguém sai perdendo quando um objetivo comum é estabelecido baseado no cuidado e no interesse de todos os envolvidos. Há uma oportunidade para um efeito cascata, se você optar por liderar uma comunicação com empatia: quando você estabelece um denominador comum e constrói um relacionamento sustentável, fica mais fácil replicá-lo no futuro. Quanto melhor você pratica essa habilidade, mais fácil se torna e mais natural extrapolar os atributos da comunicação positiva para outros relacionamentos – no trabalho e em casa.

5. Deixe para lá: Às vezes, a melhor resposta é não ter uma. Talvez um dos pais só tenha clicado em “Responder a Todos” para ressaltar três erros de ortografia em uma newsletter que você enviou. Ou talvez você tenha dedicado tempo demais para um evento recente da escola, apenas para ver avaliações negativas das famílias em um tópico no Facebook. Você nunca vai ganhar uma briga nas mídias sociais, mas não use isso como desculpa para parar de contar a versão da escola. Mostrar gentileza em suas interações requer que você use suas habilidades de comunicação para neutralizar situações difíceis, em vez de exacerbá-las.

Por fim, usar estratégias para aumentar sua capacidade de lidar com situações e conversas difíceis permitirá que você tire preocupações da cabeça e diminua o estresse no seu dia a dia – o que libera mais tempo para atividades de ensino e liderança sem preocupação com a próxima notificação que aparecer na tela do seu celular.

Um pensamento final: Com muita frequência, oferecemos bondade e perdão aos outros com mais facilidade do que recebemos. Mas devemos estar abertos a receber bondade e perdão: muitos dos meus momentos peraí acabaram sendo pontos de virada positivos no meu relacionamento com uma família, integrante da equipe ou aluno, e eles finalmente me ensinaram a lidar melhor com essas situações no futuro.

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Publicado originalmente em Edutopia e traduzido mediante autorização
© Edutopia.org; George Lucas Educational Foundation


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formação continuada, tecnologia

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