Qual é o papel da audiência na construção das notícias? No Porvir, a resposta é a cocriação. A participação ativa e engajada dos leitores é fundamental e parte indissociável do planejamento editorial. Ter em vista quem são os destinatários das reportagens, artigos de opinião, infográficos e demais ferramentas faz a diferença na forma como elas são desenvolvidas.
Com isso em perspectiva, ampliamos a seção “Direto da Comunidade”, que traz conteúdos sugeridos por membros das comunidades do Porvir no WhatsApp. E demos um passo adiante, convidando os próprios professores a atuarem como coautores e repórteres da apuração jornalística.
Em agosto, mês dos povos originários, convidamos educadores da nossa comunidade de Educação Antirracista para entrevistarem duas referências no tema: a escritora indígena Aline Rochedo Pachamama e o professor ribeirinho Joelmir Silva.
Por meio de um formulário disponibilizado no grupo, os interessados em participar foram convidados a compartilhar seu interesse e dúvidas relacionadas aos saberes indígenas. O mote principal foi “Saberes indígenas para todas as escolas”.
Organizamos então um encontro online em 19 de agosto, para que os professores selecionados pudessem entrevistar os especialistas. Das perguntas feitas ao longo da conversa, surgiu a reportagem “A lei existe, mas a floresta ainda não entrou na escola”, publicada no site nesta semana.
Participaram da atividade as professoras Janete Borges, da Diretoria Regional de Educação de Santa Bárbara, em Belém (PA), e Eliane Cunha, da Escola Maria Odila Guimarães Bueno, em São Paulo (SP). A dinâmica envolveu rodadas de perguntas intercaladas entre as duas professoras, com mediação do Porvir.
A temática indígena é uma das prioridades do Porvir. Com essa experiência, percebemos a importância de ampliar esse compromisso também para a nossa comunidade de leitores e professores que nos acompanham há mais de uma década.
Eliane destacou: “Todos os dias eu leio pelo menos alguma coisa, passo pelo menos um vídeo e conto para os meus alunos. Pelo menos aqueles ali que estão comigo, eles estão lutando junto comigo. E a gente tem tentado levar essas sementinhas para a frente. É difícil? É. É uma luta? É. Mas o que eu posso fazer e o que eu consigo fazer, eu faço”.
Janete também mencionou a dificuldade de incluir o tema no cotidiano escolar: “Nós estamos, sim, ali na luta, na resistência, porque a gente acredita que o Brasil é terra indígena e que a gente consegue levar o trabalho, mesmo com as barreiras”, disse.
Esta primeira experiência marca o início de uma série de encontros com os participantes das nossas comunidades no WhatsApp, reforçando a parceria do Porvir com seu público. O projeto “Direto da Comunidade” representa o início da celebração dos nossos 15 anos, estreitando a relação com quem nos acompanha e consolidando um exercício de escuta da audiência.

