“Escolha a gentileza”, “Quando puder ser qualquer coisa no mundo, seja gentil”, “Gentileza importa”.
Não faltam mensagens sobre a importância da gentileza. A maioria dos estudantes já está familiarizada com a ideia de ser gentil com os outros. No entanto, há pouca atenção ao valor de ser gentil consigo mesmo. O amor-próprio nem sempre surge de forma natural.
Estudantes do ensino fundamental podem se beneficiar de técnicas e rotinas simples que reforcem o autocuidado e o amor-próprio. Para que sejam gentis com os outros, os alunos precisam primeiro compreender profundamente como ser gentis consigo mesmos.
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A seguir, algumas rotinas simples que utilizo em minha sala de aula e que podem fortalecer o amor-próprio entre os estudantes.
Por que ensinar amor-próprio
Pensamentos negativos sobre si mesmos são mais comuns entre estudantes do que muitas vezes se imagina. Um levantamento dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência de saúde pública dos Estados Unidos, mostra que quatro em cada dez estudantes do ensino médio relatam sentimentos persistentes de tristeza ou desesperança. Esses índices podem ser ainda mais altos entre grupos marginalizados, como a comunidade LGBTQ, sigla que reúne pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgênero e outras identidades de gênero e orientações sexuais.
Padrões de pensamento negativos podem provocar baixa autoestima, dificultar a construção de relações saudáveis com colegas e interferir no progresso acadêmico.
Ensinar estratégias para que os estudantes pratiquem o amor-próprio pode interromper a autocrítica, aumentar a autoestima e gerar efeitos positivos no campo social, emocional e da saúde. Quando essas práticas são ensinadas de forma explícita, é possível substituir pensamentos negativos por alternativas mais saudáveis.
Normalizar o diálogo interno positivo
Ensine os estudantes a dizer palavras gentis para si mesmos. Para que isso se consolide, o diálogo interno positivo precisa ser ensinado de forma explícita e praticado regularmente.
Uma maneira de fazer isso é modelar esse comportamento em voz alta. Para professores, isso pode soar como: “Uau, isso foi difícil, mas estou orgulhoso de mim por ter persistido diante desse desafio” ou “Cometi um erro, mas vou tentar novamente”.
Ao demonstrar esse tipo de fala, damos aos estudantes vocabulário para lidar com pensamentos negativos sobre si mesmos e com dúvidas sobre o próprio valor.
Estação do amor-próprio
Reserve um pequeno espaço na sala de aula dedicado ao autocuidado. Essa estação deve ser um local confortável e acolhedor (com almofadas macias e cores tranquilas) para que os estudantes possam ir quando estiverem frustrados ou se sentindo mal consigo mesmos.
Esse espaço pode incluir páginas para colorir com palavras motivacionais, para estudantes mais novos, e diários de afirmações, para os mais velhos. Livros que incentivam o amor-próprio também enriquecem a proposta. Entre os meus favoritos estão Seja você mesmo, Molly Lou Melon, de Patty Lovell, e Girafas não sabem dançar, de Giles Andreae, ambos com edições em português.
Na minha sala de aula, a estação do amor-próprio fica aberta por períodos de cinco minutos em momentos de transição, como durante as atividades da manhã, após o recreio ou depois do almoço. Quando um estudante termina, outro pode ocupar o espaço.
Diário de momentos de orgulho
Reserve um tempo diário ou semanal para que os estudantes reflitam sobre suas conquistas.
Os diários de momentos de orgulho são uma maneira simples de registrar e refletir sobre conquistas do dia a dia ou da semana. O ato de escrever ou desenhar pequenas e grandes vitórias é significativo para os estudantes. Registrar essas conquistas ajuda a garantir que esses momentos não sejam esquecidos.
Ter um diário dedicado a esses registros oferece evidências concretas do progresso e do crescimento pessoal, fortalecendo a autoestima.
Lembre aos estudantes que nenhuma conquista é pequena demais. Se algo causa orgulho, vale a pena registrar.
Bolsinhas de positividade
Percebi que é muito mais difícil para os estudantes encontrar palavras positivas quando estão enfrentando uma dificuldade. É nesse momento que entram as bolsinhas de positividade.
Costumo iniciar o ano letivo com essa atividade, justamente para direcionar a atenção para sentimentos de felicidade. Oriente os estudantes a escrever mensagens positivas sobre si mesmos quando estiverem tranquilos e bem. Eles podem escrever e decorar afirmações positivas em pequenos papéis.
Depois, crie um recipiente para guardá-las, como um saco plástico ou uma pequena caixa. Esse recipiente pode ficar sobre a mesa do estudante. Quando surgir um desafio e eles precisarem de encorajamento, basta retirar uma mensagem para obter um pequeno impulso de motivação.
Currículo de pontos fortes
Peça aos estudantes que criem um “currículo de pontos fortes” para apresentar suas habilidades, interesses e talentos.
Primeiro, proponha um momento de reflexão para que identifiquem suas qualidades. Perguntas como “O que você gosta de fazer?”, “O que você faz tão bem que poderia ensinar a outras pessoas?” e “O que faz você se sentir orgulhoso?” ajudam a reconhecer suas competências.
Depois, os estudantes produzem um currículo de uma página apresentando seus pontos fortes. Também podem incluir uma seção chamada “Palavras de incentivo”, com frases ou expressões que os ajudam a superar desafios.
É importante reservar um tempo para que compartilhem esse currículo com professores, colegas, familiares e outros educadores.
Um bom momento para isso são as reuniões conduzidas pelos próprios estudantes com as famílias. Assim, eles se sentem protagonistas ao apresentar suas qualidades. No fim do ano, também podem atualizar o documento para destacar novas aprendizagens e avanços.
Ao contar aos outros sobre seus talentos, interesses e formas preferidas de aprender, os estudantes fortalecem a autoconfiança e celebram o próprio progresso.
Rotinas de gratidão
Para praticar o autocuidado, os estudantes também se beneficiam de rotinas semanais de gratidão.
Uma estratégia que utilizo é o círculo de gratidão semanal. Ao longo da semana, estudantes e professores podem registrar em papéis coisas pelas quais são gratos. Um estudante pode mencionar a ajuda de um amigo. Outro pode agradecer por ter aprendido a tabuada.
Ao final da semana, durante cerca de 10 minutos, todos se reúnem em círculo para ler esses registros. A atividade é simples e divertida e ajuda a fortalecer um ambiente de apreciação e alegria na sala de aula.
Uma pessoa só consegue amar os outros na medida em que aprende a amar a si mesma. Quando os estudantes aprendem a reconhecer o que há de bom em si, tornam-se mais propensos a reconhecer o que há de bom nos outros. Ensinar as crianças a cultivar o amor-próprio pode gerar impactos positivos que ultrapassam os limites da sala de aula, contribuindo para a construção de comunidades que ampliam a empatia e o cuidado com o próximo.
* Publicado originalmente em Edutopia e traduzido mediante autorização
© Edutopia.org; George Lucas Educational Foundation

