Cultura maker apoia o aprendizado criativo durante a pandemia e na retomada das aulas - PORVIR
Crédito: SDI Productions/iStock

Inovações em Educação

Cultura maker apoia o aprendizado criativo durante a pandemia e na retomada das aulas

Colocar a mão na massa torna a aprendizagem mais significativa mesmo a distância e pode diversificar as aulas presenciais depois de tanto tempo de ensino remoto

Parceria com APDZ

por Ana Luísa D'Maschio ilustração relógio 29 de outubro de 2021

Deixe de lado o medo de errar, refazer, recriar. Partindo de uma abordagem mão na massa, a cultura maker valoriza cada etapa do processo de construção de objetos e ferramentas, com o objetivo de deixar o aprendizado mais significativo. “Como as coisas ao nosso redor são desenhadas? Como os objetos são criados? Como é pensado esse design? Despertar essa sensibilidade faz com que professores e alunos olhem para o mundo de maneira a querer intervir, a querer resolver algum problema, para torná-lo mais inovador e mais bonito”, afirma Soraya Lacerda, professora e coordenadora do Thomas Maker, espaço de colaboração e empreendedorismo em Brasília.

“Para ensinar o aluno a ser maker, o professor precisa ser maker, desenvolvendo uma pré-disposição para a exploração, para a investigação e para o questionamento. Não se trata só do fazer artesanal, mas de pensar em soluções práticas para questões reais dessa comunidade educacional”, complementa Soraya. “Ao criar, o aluno vê sentido naquilo que está fazendo, coloca em prática o que está aprendendo. Nesse contexto, o professor também é um aprendiz, um facilitador do conhecimento, não mais um detentor”, diz.

O pensamento é compartilhado pela diretora pedagógica da APDZ Educação e Tecnologia, Sueli Abreu. “A cultura maker deveria ser incorporada a qualquer situação na qual o aluno é o centro do processo de aprendizagem”, assegura. “Durante a pandemia, tivemos de trabalhar individualmente. Nós nos apoiamos no maker a partir de recursos mais virtuais e usamos muito pouco a questão sinestésica, de colocar a mão nos objetos. A volta às aulas permitirá, aos poucos e com todos os cuidados, o retorno do trabalho em equipe e o mão na massa cooperativo. Afinal, aprendemos pela nossa vivência e pela vivência social com o outro, que é fundamental e foi suprimida durante as aulas remotas”, aponta Sueli.

Na prática, mesmo a distância

Mesmo durante o distanciamento social, as iniciativas maker conseguiram driblar as dificuldades da formação a distância e estimular a criação de objetos físicos e virtuais. Uma delas é o projeto Favela Hacker, laboratório de aprendizagem criativa e metodologias ativas localizado em Acari, periferia do Rio de Janeiro, dentro do CIEP (Centro Integrado de Educação Pública) Antônio Candeia Filho.

Trata-se de uma iniciativa do eLABorando (espaço de (co)criação, experimentação e aprendizagem com foco na educação e cultura inclusivas) e a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, com oficinas para professores e estudantes. “Em um primeiro momento, parecia não ser possível manter as atividades, mas estamos sempre nos reinventando. Conseguimos criar uma websérie para o nosso Instagram, que é a nossa principal rede, com 10 vídeos. Cada um deles traz uma atividade passo a passo para que as crianças pudessem fazer em casa, pensando em como estimulá-las”, explica Daiane Brasil, educadora e maker do eLABorando.

Da criação de um projetor de vídeo, passando por uma montanha-russa feita com rolo de papel toalha até um foguete de palito de sorvete, todas as instruções também foram impressas e deixadas na secretaria da escola, para que os responsáveis por estudantes sem conexão ou equipamentos adequados pudessem realizar as sugestões durante o período a distância. “Em tempos de pandemia, costumamos dizer que o ensino não precisa de realidade aumentada. Ele precisa de humanidade aumentada, de estarmos atentos a estes alunos e trabalharmos, mais do que nunca, com a empatia”, concorda Soraya Lacerda.

Com e sem tecnologia

O movimento maker surgiu bastante apoiado nas questões tecnológicas, relembra Sueli. Em 2005, o lançamento da Revista MAKE (MAKE Zine, no nome original) marcou a Maker Faire (“Feira de Fazedores”), incentivando as pessoas a construírem seus próprios objetos. Nesse contexto, a terminologia Do It Yourself (Faça Você Mesmo), criada com o movimento punk nos anos 1970, foi ampliada, baseando a cultura maker.

Se hoje algumas atividades como robótica e programação não existiriam sem a mão na massa e o apoio da tecnologia, outras, como as sugeridas pelo Favela Hacker, podem acontecer de maneira um pouco mais analógica. “Muitas vezes, o professor que não é ligado ao universo tecnológico olha com estranhamento para as metodologias maker, vinculando-as às novas tecnologias, como impressora 3D com corte a laser, circuitos com arduinos, por exemplo. Quando conseguimos transpor essa percepção, deixando claro que se trata de motivar o aprender sobre como tudo é feito à nossa volta, isso desperta a sensibilidade tanto do educador quanto do estudante”, esclarece Soraya.

“Seja para criar um projeto de robótica ou furar um simples pedaço de madeira, tudo pode partir do desafio de uma pergunta disparadora. O aluno vai atrás de respostas para fazer essa intervenção no mundo”, complementa a coordenadora do Thomas Maker. Soraya ainda destaca a possibilidade de vincular o aprendizado com todas as competências e habilidades específicas da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). “Seja na matemática, seja em linguagens ou outra área da educação: em todas elas é possível usar essa postura construtivista”, conclui Sueli Abreu.

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cultura maker, ensino fundamental, ensino médio, mão na massa, metodologias, robótica, tecnologia

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