Desenvolver a leitura é o primeiro passo para se tornar bilíngue - PORVIR
Crédito: FG Trade/iStock

Inovações em Educação

Desenvolver a leitura é o primeiro passo para se tornar bilíngue

Aumentar o vocabulário, aperfeiçoar a compreensão da gramática e estimular a criatividade são alguns dos benefícios do hábito leitor. Confira sugestões de especialistas.

Parceria com Árvore

por Ana Luísa D'Maschio ilustração relógio 3 de setembro de 2021

Dos termos das redes sociais, da expressão nos jogos digitais e dos filmes e séries mais assistidos, tudo passa pelo aprendizado de um novo idioma. Ter o contexto disso depende da leitura. Ainda mais quando se trata da língua inglesa – a mais falada do mundo e de ensino obrigatório a partir do 6º ano, de acordo com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular).

Para Maria Drummond, gestora de conteúdo pedagógico da Árvore, que oferece soluções de leitura a instituições públicas e particulares, é preciso olhar cada vez mais para a linguagem usada pelos estudantes. “As crianças são nativas digitais. Se não usamos as mesmas ferramentas que elas usam, acabamos ofertando uma educação desatualizada. Acreditamos que a educação é voltada para a criança conhecer o mundo e saber navegar no mundo como ele é hoje, não como era há anos.”

A habilidade leitora é fundamental para aumentar o vocabulário, aperfeiçoar a compreensão da gramática, estimular a aprendizagem e a criatividade. De acordo com o estudo Demandas de Aprendizagem de Inglês no Brasil, do British Council, 76% dos brasileiros que estudam inglês fazem uso da leitura com alguma frequência.

“Iniciar a leitura em outro idioma é um desafio interessante e importante para melhorar o desenvolvimento da habilidade em qualquer contexto – sendo a pessoa nativa ou estrangeira”, afirma Rodolfo Marinho, especialista em projetos editoriais e materiais didáticos do Observatório para o Ensino da Língua Inglesa no Brasil. “Trata-se de um recurso chave, um estímulo para apoiar o processo de ensino-aprendizagem e também para os momentos de lazer e diversão”, complementa.

Formação leitora
Garantir o interesse dos estudantes pela literatura é uma das preocupações da professora bilíngue Jacqueline Lopes, do Centro Educacional Miraflores, no Rio de Janeiro. De maneira individual ou em rodas de conversa, sua turma costuma ir além da interpretação da obra, com vistas ao estímulo não só da leitura em si, mas da escrita e da oralidade por meio de debates. “Quando surge uma expressão antiga, por exemplo, que não esteja adequada à realidade dos alunos, ou um dado histórico, sempre traçamos paralelos com questões da atualidade”, conta Jacqueline.

Outro hábito adotado pela educadora é oferecer aos estudantes informações relacionadas à obra, como o contexto histórico ou a vida do autor. “Há pouco, lemos ‘A volta ao mundo em 80 dias’, em formato de histórias em quadrinhos. Selecionei dez curiosidades sobre Julio Verne e trabalhamos aspectos de sua biografia, com os grupos apresentando o resultado das pesquisas. É uma maneira de praticar a leitura e também a oratória, ajudando o aluno a perder o medo de falar em público”, exemplifica. (Para o Porvir, Jacqueline listou dez sugestões para ler melhor dentro e fora da sala de aula – você as confere ao final do texto).

Demanda crescente
A partir de conversas com escolas e professores sobre o trabalho com a língua inglesa, intensificado pela BNCC, a Árvore ampliou as funcionalidades de sua plataforma gamificada para apoiar o aprendizado bilíngue. Por lá, estão cadastrados quase dois mil livros digitais em inglês, com uma curadoria que os classifica por temas, autores, grau de complexidade e nivelamento. Um dicionário para consulta também acompanha as obras. “Ler é pensar, e nós temos o propósito de formar leitoras e leitores críticos, proficientes em todas as línguas”, afirma Danielle Brants, cofundadora e líder da área de produto da Árvore.

A professora Jacqueline concorda que as soluções digitais são essenciais para a educação no século 21. “O livro físico facilita os grifos, mas ainda é algo caro, pouco acessível a todos os públicos e isso faz com que muitas pessoas reduzam seus hábitos de leitura. Com os aplicativos e plataformas digitais, você pode carregá-los no bolso e se manter atualizado quando quiser. É a cara da geração Z estar com a leitura em dia por meios eletrônicos”, afirma.

O apoio da tecnologia para a formação de novos leitores tem garantido o crescimento do setor editorial. Em 2020, o número de livros eletrônicos vendidos no Brasil aumentou 83% e a venda de livros tradicionais caiu 18% (dados comparados a 2019), informa uma pesquisa realizada pela Nielsen, em parceria com a Câmara Brasileira do Livro.

Benefícios globais
Segundo Rodolfo Marinho, é preciso que os estudantes reconheçam o valor da leitura não apenas de forma a cumprir um objetivo pontual de avaliação, mas a partir de um estímulo que pode ser iniciado por gêneros textuais pelos quais eles tenham interesse no momento. “Valem artigos de jornais, orientações para algum jogo, notícias sobre séries ou filmes, músicas, memes, entre tantos outros meios que contribuem para o desenvolvimento da habilidade leitora”, exemplifica o especialista.

A experiência da professora Jacqueline também mostra que ler em inglês possibilita aprender outras línguas, além de aperfeiçoar a expressão oral, a escrita e o pensamento crítico. “É como se você estivesse ampliando o seu cérebro e se exercitando. Quanto mais você lê, mais você aprende e desenvolve novas habilidades.”

As vantagens de se aprender um novo idioma não param por aí – a neurociência traz evidências sobre os benefícios cognitivos de as crianças aprenderem um segundo idioma. “O cérebro de uma criança bilíngue se estrutura de maneira diferente de quem fala uma língua só. A concentração, o foco e a capacidade de raciocínio e socialização também são intensificados”, complementa Maria.

Aprender inglês abre portas acadêmicas e profissionais, concordam os entrevistados. “Quando falamos da língua inglesa especificamente, ela se faz muito importante nesse momento. Não só em relação ao que orienta a BNCC e à questão curricular, mas também em relação às oportunidades no mercado de trabalho, ao profissional do século 21 e à formação cidadã ”, finaliza Danielle Brants.


10 dicas para trabalhar (e melhorar) o hábito leitor
Por Jacqueline Lopes

A professora Jaqueline Lopes

  1. Mantenha a postura. O corpo precisa estar com uma postura correta para que o aluno consiga projetar a voz. A partir do momento em que nos jogamos na cadeira, sentamos de qualquer jeito, tendemos a baixar os ombros, não conseguimos fazer com que nossa voz tenha força. Seremos ouvidos se estivermos com as costas na cadeira e com os ombros bem posicionados.
  2. Projete a voz. Normalmente, as crianças tendem a fazer a leitura timidamente, com a voz baixinha. Sempre que elas estiverem lendo, incentive-a e faça elogios. Estimule os estudantes para que possam continuar com segurança.
  3. Use o dicionário. O dicionário tem que estar ali, aberto para os alunos, ou um dicionário online deve estar disponível, com fácil acesso para todos. Divido uma experiência com vocês: quando criança, eu e o meu pai tínhamos a prática de grifar no dicionário toda palavra nova que líamos durante o ano. Em dezembro, fazíamos a coleta das palavras que vimos em todas as leituras. É bem interessante chegarmos ao final do ano e perceber o quanto aprendemos.
  4. Anote. Use bloco de notas, caderninhos, post it, bloco de notas do computador. Sempre faça anotações sobre suas leituras, sobre as personagens, o autor e o tema. Registre suas impressões sobre os acontecimentos do livro.
  5. Faça pausas. Essa é uma dica para quem tem dificuldade em manter o foco ou fará uma leitura mais longa. Há aplicativos que ajudam a fazer essa minutagem, para uma leitura de 15 minutos com pausa de cinco minutos, por exemplo. Daqui a um mês, você muda para 20 minutos e segue aumentando. Essa pausa é extremamente necessária, inclusive nas atividades em sala de aula, para que os estudantes tenham um tempo para respirar e voltar com mais fôlego.
  6. Leia diariamente. Devemos tirar por volta de 30 minutos a 1 hora para alguma leitura, não necessariamente uma leitura obrigatória. Escolha uma leitura que você goste, sem exceder o seu tempo. Se perceber que ficou com sono ou está cansado, pare. A leitura nos auxilia no vocabulário, na fala, na escrita e na construção dos textos.
  7. Informe-se sobre a obra. É legal saber sobre a obra, o livro, o texto, o autor, o ano em que aquele livro foi publicado antes de começar. Isso torna a leitura mais interessante, porque conseguimos entrar, literalmente, na história daquela publicação.
  8. Tente se ouvir lendo. Ler para alguém ou para si mesmo em voz alta é importante e uma prática muito positiva para treinar a oratória, o ritmo trazido pela pontuação.
  9. Leia em um lugar apropriado. Uma cadeira desconfortável atrapalha. Se tiver muito calor ou muito frio, também. Há quem consiga ler deitado e manter o foco. Escolha um lugar de que você goste e fique relaxado.
  10. Faça um resumo do que leu. Quando terminar o capítulo de um livro, faça um resumo com suas próprias palavras. Assim, você conseguirá refletir ainda mais sobre aquela leitura.

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TAGS

ensino fundamental, ensino infantil, ensino médio, leitura, tecnologia

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