Eleições 2022: Orçamento e recuperação de aprendizagens estão entre prioridades na educação
Crédito: Alice Vergueiro

O financiamento da educação foi apontado por representantes dos presidenciáveis Ciro Gomes (PDT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Simone Tebet (MDB) como um dos principais desafios do próximo governo. 

A mesa de debates “Eleições 2022: a educação na disputa presidencial” abriu a programação do 6º Congresso de Jornalismo de Educação, promovido pela Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação), na manhã desta segunda-feira (12). Ex-secretário de educação de São Paulo, Rossieli Soares, representante da candidata Simone Tebet, afirmou que hoje há um “desastre” quando o assunto é orçamento. “O Brasil precisa tomar uma decisão sobre que tipo de país quer ser”, disse. 

O economista e deputado federal por Minas Gerais Reginaldo Lopes, representante da candidatura de Lula à presidência, pontuou que é importante para o governo combinar as metas fiscais com metas sociais, e não encará-las separadamente. 

“A educação não pode entrar na regra fiscal. É uma vergonha nos próximos quatro anos não universalizar o ensino integral, principalmente nos primeiros anos”, comentou Reginaldo. A regra fiscal diz respeito a uma restrição de longo prazo sobre metas fiscais. Um exemplo é a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 241, promulgada em 2017, que impõe um limite de gastos públicos no orçamento federal. 

Coordenador de programa de governo de Ciro Gomes, o economista Nelson Marconi ressaltou que o atual teto de gastos é “uma obra de ficção” e que deve ser retificado.

A mesa foi mediada pelos jornalistas Antônio Gois e Renata Cafardo. A Jeduca convidou um representante da candidatura de Jair Bolsonaro, mas nenhuma resposta foi dada pela equipe.

Confira a íntegra do debate (é preciso ter cadastro no site da Jeduca):

Reforma do ensino médio

O Novo Ensino Médio também apareceu na discussão. O assunto divide alguns setores educacionais, seja pela própria forma como foi construído, seja pela implementação, iniciada neste ano de 2022. 

Reginaldo acredita que o atual modelo necessita ser revisto e criticou a maneira como a implementação vem sendo feita. Para ele, há a necessidade de maior investimento na oferta de ensino integral. 

Outro ponto destacado pelo deputado foi a questão dos itinerários formativos. A sugestão de Reginaldo é incluir outros atores da educação para trabalhar nesses itinerários, como o Sistema S de ensino, institutos federais e universidades. 

Rossieli criticou a implementação do novo modelo. O ex-secretário disse ter havido uma estagnação e que implementar o Novo Ensino Médio demandava uma postura mais empenhada do atual governo. 

Pandemia e educação 

A conversa não poderia deixar de passar pelos impactos causados pela pandemia de Covid-19 na educação. A necessidade de recuperação das aprendizagens esteve na fala de todos os representantes, que afirmaram ser uma das prioridades de quem assumir o cargo. 

Da perspectiva de Nelson Marconi, a “Alfabetização na Idade Certa” é um dos pontos que mais sofreu durante o período. Com a experiência de aulas online em casa, a pandemia evidenciou muitos elementos que não funcionaram. “É óbvio que a educação domiciliar não vai dar certo”, afirmou o economista.

O representante de Lula também destacou que o próximo governo deverá assumir a responsabilidade de criar um plano que recupere aprendizagens não adquiridas na pandemia. E isso, para Reginaldo, deverá ser feito com o apoio de diferentes setores além do Ministério da Educação, como o Ministério da Saúde, por exemplo. 

Repórter. Entre os principais temas da educação, acompanha de perto assuntos relacionados à educação antirracista, literatura, inclusão e primeira infância.

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