Escola no Chile é eleita a mais inovadora do mundo - PORVIR
Crédito: Escuela Emilia Lascar/Reprodução

Inovações em Educação

Escola no Chile é eleita a mais inovadora do mundo

Criado para reconhecer experiências que contribuem para o progresso da sociedade, prêmio global conta com cinco categorias; duas escolas brasileiras estavam entre as finalistas

por Mariana Rossi ilustração relógio 20 de outubro de 2022

Celebrar escolas de todo o mundo pelo papel que exercem no desenvolvimento de uma nova geração de estudantes é um dos objetivos do Prêmio Melhores Escolas do Mundo (World’s Best School Prize). Os vencedores desta primeira edição, que contou com duas experiências brasileiras entre os finalistas, foram divulgados nesta quarta-feira (19). Cada ganhador recebeu US$ 50 mil.

Na categoria Inovação, a vencedora foi a Escuela Emilia Lascar, em Peñaflor, no Chile. Há 80 anos, a escola atende crianças de classes sociais mais baixas na educação infantil e no ensino fundamental. Com as dificuldades técnicas para os alunos acessarem as aulas online durante a pandemia, a escola lançou a “Emilia TV”, programação para ensinar diferentes questões da vida cotidiana, como identidade de gênero e saúde mental, usando o poder da televisão.

O Projeto Abrigo Wakadogo, de Uganda, ganhou a categoria Superação de Adversidades. Fundada após a guerra, a instituição de caridade tem uma creche e uma escola voltada aos anos iniciais do ensino fundamental, que leva a educação para 450 crianças em um vilarejo remoto em Gulu, no norte do país. A escola tem uma das menores taxas de evasão da região.

Na categoria Colaboração Comunitária, a Dunoon Grammar School, do Reino Unido, foi a selecionada. Localizada no meio rural, os jovens costumavam deixar a cidade para prosseguir seus estudos. A escola, então, passou a fortalecer os projetos da comunidade e aumentar o sentimento de pertencimento. Entre os projetos desenvolvidos pelos alunos estão organizar bingos em asilos e construir um aplicativo para evitar o desperdício de alimentos na região.

A Bonuan Buquig National High School, nas Filipinas, venceu em Ação Ambiental. Após um tufão deixar a cidade inundada em 2009, impactando a região, a escola começou a investir em projetos de proteção ambiental e de luta contra as mudanças climáticas. A família de muitos estudantes vivem da pesca, por isso, algumas ações do projeto foram trabalhar no restauro de manguezais e limpar as praias da cidade.

A categoria Apoiando Vidas Saudáveis premiou a Curie Metropolitan High School, nos Estados Unidos. Terceira maior escola de Chicago, os estudantes, latinos e afro-americanos que vivem em regiões de pobreza e violência, são acolhidos na escola, por meio de conversas, apoio social e de um programa voltado para as artes. Projetos em arte visual, música e dança apoiam a criatividade e promovem o bem-estar dos estudantes.

Para Vikas Pota, fundador da T4 Education e do Prêmio Melhores Escolas do Mundo, a premiação “traz à tona a expertise de escolas inovadoras de todo o planeta para que os líderes possam aprender com histórias incríveis”. A iniciativa, da T4 Education, conta com apoio da Fundação Lemann, Accenture, American Express, Yayasan Hasanah e Templeton World Charity Foundation.

Relembre as finalistas brasileiras

Duas escolas brasileiras ficaram entre as finalistas. Direto de Cabrobó, no sertão de Pernambuco, a Escola de Ensino Fundamental Evandro Ferreira dos Santos, que concorria na categoria Superação de Adversidades, busca melhorar a educação dos alunos dando suporte aos pais que não tiveram oportunidade estudar, alfabetizando-os por meio da EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Durante a pandemia, boa parte dos estudantes, com idades entre 11 e 15 anos, não contaram com o apoio dos familiares nas tarefas escolares porque a maioria não sabia ler e escrever. Por isso, o projeto “Distantes sim, desconectados não! Família e escola projetando sonhos, promovendo a inclusão” foi criado, com ênfase, inicialmente na alfabetização de mães.

Na outra ponta do Brasil, a EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Professora Adolfina J. M. Diefenthäler, localizada em Novo Hamburgo (RS), concorria na categoria Colaboração Comunitária. Na escola, um Comitê de Gestão Democrática independente abre espaço para que pais e alunos possam trazer suas ideias sobre o que acham que poderia mudar na escola.

Assembleias mensais nas classes, conferências anuais com todos da instituição fazem parte do projeto. Qualquer estudante tem o direito de opinar, sugerir ou emendar propostas, o que gera um sentimento de corresponsabilização.

Pelo lado do desempenho acadêmico, há projetos de iniciação científica que começam logo na educação infantil. Na atividade “Fora da Caixa”, um pilar do projeto pedagógico da escola, crianças de diferentes séries desenvolvem juntas atividades sob a gestão dos diferentes professores. Assim, também aprendem a aprender e conviver uns com os outros.


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inovação, prêmios

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