Aos 10 anos, quando disse à mãe que queria ser professora, a piauiense Willmara Marques Monteiro recebeu um conselho que orientaria sua vida: “Seja professora, mas seja com brilho no olho”. Ela não apenas seguiu essa recomendação à risca ao longo de sua carreira, como dedicou à mãe (e aos alunos) o Prêmio Professor Porvir na Categoria Tecnologia, que conquistou na segunda edição do evento, em 2025.
Willmara deu vida ao “Hackers da Caatinga”, seu “projeto do coração”, no contraturno da Escola Municipal Paulo Freire, em Petrolina (PE). O projeto surgiu com o propósito de lidar com dois grandes desafios: a necessidade de recompor o aprendizado de matemática e a falta de pertencimento da turma à Caatinga. Tudo começou com canetinhas e cartolinas, mas logo se transformou em um laboratório de informática construído a partir de doações que ela mesma buscou de porta em porta.
Com a ampla divulgação do prêmio, o projeto logo ganhou reconhecimento, culminando com a criação do primeiro espaço maker da região, por meio da iniciativa Mais Ciência na Escola, do governo federal, que implementa laboratórios de robótica em escolas públicas. O laboratório foi equipado com impressoras 3D, kits de robótica, notebooks, cortadoras a laser e outros recursos tecnológicos.
“O Hackers da Caatinga foi um sonho que começou com canetinhas coloridas e cartolinas, um sonho que eu nunca pensei que fosse se tornar tão gigante. Eu só queria mostrar para aquelas crianças que existia uma possibilidade, que eles poderiam, sim, ter acesso à tecnologia”, disse Willmara.
“Florescendo como um pé de Ipê!”
Além de ganhar destaque na imprensa local e nacional, Willmara compartilhava suas conquistas com orgulho em sua página no LinkedIn. Com a ampliação da tecnologia na escola, ela escreveu ver o Hackers da Caatinga “florescendo como um pé de Ipê!”
Recentemente, ela registrou com alegria que havia começado a cursar engenharia da computação, ampliando ainda mais seu vasto currículo.
Professora de computação, matemática, robótica e games, pós-graduada em formação docente e em design de UX, Willmara era licenciada em computação pelo Instituto Federal do Sertão Pernambucano – Campus Petrolina. Sua carreira foi marcada pela integração de robótica, games e pensamento computacional, utilizando metodologias como Design Thinking e Aprendizagem Criativa para tornar a informática educativa mais dinâmica e inclusiva.
A ligação de Willmara com o Porvir vem de longa data. Em 2018, como professora do Instituto Federal do Sertão (PE), ela nos contou como envolveu futuros educadores de informática em simulações de desafios reais para repensar o papel da tecnologia na educação. Leia mais sobre essa experiência aqui.
Nossa homenagem
Durante a 2ª edição Prêmio Professor Porvir, a poetisa Jô Freitas fez um poema dedicado a cada um dos vencedores, um gesto que Willmara também destacou com carinho em seu perfil profissional.

Willmara representa a essência do Prêmio Professor Porvir em muitos aspectos. O prêmio não é apenas uma celebração de práticas criativas e inspiradoras, mas também um passo para que as ideias de transformação na educação ganhem mais espaço, tornando-se políticas públicas e mostrando que a educação vai além de transmitir conteúdo.
Nesta sexta-feira, 16 de janeiro, nós nos despedimos de Willmara. Ela faleceu aos 34 anos em razão de problemas de saúde, e deixa o marido, Cássio Fernandes.
Ainda consternados, celebramos sua trajetória, que cruza com a do Porvir em muitos aspectos.
Esse é o legado que Willmara deixa, não só com “Hackers da Caatinga”, mas também com sua trajetória apaixonada por uma educação mais justa. Como bem escreveu Jô Freitas:
“Hackers da Caatinga não é apenas um projeto.
É um manifesto silencioso de esperança.
É prova viva de que a educação muda destinos.
E de que, mesmo no solo árido, é possível florescer.”
Sua memória seguirá nos inspirando a florescer ainda mais.
Muito obrigado por fazer parte da história do Porvir, professora Willmara.

