Jogo de tabuleiro aproxima estudantes de patrimônio histórico em SC - PORVIR
Crédito: Luis Echeverri Urrea / iStockPhoto

Diário de Inovações

Jogo de tabuleiro aproxima estudantes de patrimônio histórico em SC

Estudantes desenharam mapa geográfico da cidade e produziram réplicas de monumentos históricos para trabalhar cultura, memória e identidade

por Graziella Coelho Vieira ilustração relógio 21 de novembro de 2019

O projeto “O Jogo do Patrimônio” foi desenvolvido com uma turma de 5º ano na escola COC Lages, com o intuito de resgatar a memória e o conhecimento de identidade histórica. A ideia surgiu quando eu estava em sala fazendo uma explanação sobre arquitetura e patrimônio e, em meio à conversa, fui questionada sobre a construção no centro de nossa cidade, onde uma grande escola havia sido demolida para dar lugar a uma nova praça.

Muitas dúvidas surgiram, principalmente, no que se diz respeito ao cuidado e preservação de Patrimônio Histórico. Percebendo o interesse da turma, decidi criar um jogo de tabuleiro que pudesse dialogar sobre cultura, história, memória e identidade, de maneira a conversar com a linguagem infantojuvenil.

Busco criar em minhas práticas pedagógicas situações divertidas que remetam à realidade do estudante. Acredito que assim o professor consegue melhores resultados de aprendizagem e torna a compreensão e a comunicação mais fácil, sensível e significativa.

Começamos então com a pesquisa e mapeamento geográfico dos monumentos e construções históricas de nossa cidade, Lages (SC). Envolvemos a geografia neste projeto, pois para construção do tabuleiro era necessário compreender o mapa da cidade e onde iriam ficar os pontos escolhidos.

Primeiro, descobrimos que a maior concentração de monumentos históricos fica no centro da cidade. A partir disso, dividi a turma. Uns desenharam o mapa do centro, alguns escolheram o percurso que os jogadores deveriam atravessar, e os demais ficaram encarregados de replicar em miniatura os patrimônios históricos e confeccionar os peões (inspirados nos bustos de grandes nomes da nossa história).

Pedi à coordenação da escola que nos ajudasse neste processo, então alugamos um transporte que faria o trajeto do jogo, a fim de possibilitar à turma do 5º ano uma aula diferenciada sobre as construções patrimoniais e seu contexto histórico em nossa sociedade. Paramos em todos os pontos escolhidos para conhecer a arte, arquitetura e a história que permeava cada um.

Em uma próxima etapa, trabalhamos a noção de espaço e a tridimensionalidade para poder modelar os monumentos (feitos com massa de biscuit e tinta PVA) e confeccionar o tabuleiro.

Envolvemos a pesquisa sobre a história e a arquitetura da nossa cidade ao elaborarmos as perguntas e as ações que seriam executadas nas jogadas, para possibilitar aos jogadores a conscientização sobre preservação de memória e identidade. O trabalho teve a duração de dois meses, pois, durante o processo, necessitamos de teoria sobre imigração, escravidão, geografia, preservação de patrimônio, desenho, estratégia de jogo, escultura, arquitetura e duas saídas a campo.

Ao finalizarmos o “Jogo do Patrimônio”, levei os estudantes a uma visita guiada e monitorada ao Centro Cultural Vidal Ramos Sesc, que passou por um processo de restauração que durou seis anos e hoje é exemplo de preservação de patrimônio na cidade. O mesmo local representa ponto de chegada para o vencedor. Assim que acabamos a monitoria, fomos até a biblioteca do centro cultural uma partida do Jogo do Patrimônio e discussão sobre a experiência de aprendizagem.

Atualmente, o jogo permanece na escola e pode ser emprestado aos estudantes, que podem levá-lo para casa e jogar com seus familiares, amigos e comunidade, expandindo a cultura, a história e a conscientização sobre a valorização do patrimônio.


Graziella Coelho Vieira

Tem licenciatura em artes visuais e é especialista em estética e metodologia da arte. Professora da disciplina de Arte no COC Lages by Pearson, artista plástica, vocalista de uma banda de rock e blues, e também idealizadora e gestora do projeto Profsdomundo, que leva criatividade em sala de aula aos professores do Brasil. Trabalha há 15 anos com educação criativa e arte, em diversas esferas sociais. Seu propósito como educadora é contribuir ao conhecimento, transformando a sala de aula em um ambiente criativo, de exploração dos saberes, conectando às diversas áreas do conhecimento à linguagem do estudante. Procura contextualizar o aprendizado para que, desta forma, o ensino torne-se significativo, proporcionando experiências práticas ao contexto social e cultural contemporâneo.

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ensino fundamental, gamificação, uso do território

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edison martins

Fico cada vez mais encantado com os conteudos do Porvir e quando vejo jovens metendo a na Massa como esses jovens aumenta a esperanca no Brasil.