Mapa mental apoia o aprendizado de matemática no ensino híbrido - PORVIR
Crédito: lucadp/iStock

Diário de Inovações

Mapa mental apoia o aprendizado de matemática no ensino híbrido

Professora de Belo Horizonte (MG) conta como a metodologia potencializa o protagonismo dos estudantes do fundamental 2

por Liliane Anastácio ilustração relógio 23 de março de 2022

Comecei o trabalho com mapas mentais lá no início da pandemia da Covid-19 e, à época, compartilhei a prática aqui no “Diário de Inovações”. Precisava de um tipo de registro eficaz no qual os alunos tivessem protagonismo ao fazer, fossem criativos e fizessem associações duradouras com o conhecimento matemático.

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Trabalhar com este tipo de registro multimodal foi muito gratificante. Os alunos do fundamental 2 conseguiram fazer seus próprios mapas mentais, fato que sempre deixo em evidência, uma vez que é de muita importância elaborar os seus próprios mapas mentais e não utilizar os prontos da internet.

Os mapas mentais próprios traduzem as associações feitas por cada um e estas são únicas para cada pessoa. Quando começa o trabalho de conscientização e intencionalidade sobre o porquê vamos utilizar os mapas mentais como recurso didático, peço para que os alunos imaginarem um cubo qualquer em suas mãos. Cada pessoa imagina um cubo diferente, alguns imaginam de papel, outros o cubo mágico, outros azul e assim por diante. Cada um faz um tipo de associação diferente, por isso cada mapa mental é único e importante para quem o criou.

Com a volta ao ensino presencial, mas de maneira híbrida, pensei em mais uma forma de utilização de mapas mentais para registro, assimilação e fixação dos conteúdos de matemática. Portanto, no momento presencial comigo em sala, ensinava o conteúdo oralmente, líamos informações, fazíamos exercícios e depois de adquirirmos o repertório suficiente sobre tal conteúdo, construímos um mapa mental compartilhado.

Mapa mental apoia o aprendizado de matemática no ensino híbridoCrédito: Arquivo pessoal

O mapa mental compartilhado era realizado de maneira que eu, como professora, ia até o quadro branco e escrevia e associava as palavras-chaves ou imagens-chaves que os próprios estudantes iam sugerindo. A pergunta era: “O que posso associar com essa palavra chave em relação ao contéúdo?”.

O resultado foi potente e curioso. Às vezes, eram palavras que eu não tinha pensado. Por exemplo, no mapa mental que fizemos sobre razões especiais, quando expliquei sobre densidade demográfica, utilizamos campos de futebol de modo a mensurar o que era um quilômetro ao quadrado para tornar concreto o conceito de área. No momento do mapa mental, quando eu perguntei o que poderíamos associar à expressão densidade demográfica, um aluno disse: “Futebol!”. Para nós, que estávamos ali naquele momento, a palavra futebol, lembrava campo de futebol, que lembrava espaço, que lembrava quilômetro ao quadrado, ou seja, era uma palavra-chave potente que fazia associação com o conteúdo.

Outro ponto interessante é que, mesmo repetindo o processo para outros grupos de estudantes, outras turmas, os mapas mentais construídos juntos eram diferentes – afinal de contas, as associações para cada um também eram distintas.

Ao final, cada um fazia a cópia do quadro em seu caderno e, mais uma vez, eu fazia a pergunta: “Existe mais alguma coisa que você colocaria no seu mapa, e que não colocamos?”. E alguns alunos ainda completavam com mais algumas palavras-chaves ou imagens-chaves que faziam sentido para eles.

O mapa mental pode ser considerado uma metodologia ativa se trabalhado de maneira correta com os estudantes. Para o ensino da matemática, ele tem trazido bons resultados.


Liliane Anastácio

Doutoranda em educação pela Universidade Nacional de Rosario (Argentina). Mestre em matemática pela UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei). Possui graduação em matemática pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e graduação em pedagogia pelo Centro Universitário de Maringá. Atualmente é chefe do DCE e professora universitária no curso de Licenciatura Plena em Matemática da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais - Ibirité). É professora concursada na Prefeitura de Belo Horizonte e na rede privada. Atua com o ensino da matemática nos anos finais do Ensino Fundamental. Tem experiência no ensino de matemática para o ensino médio e EJA. Atua com linhas de pesquisa em geometria e educação matemática. Também atua em linhas de pesquisa sobre matemática nos anos iniciais do ensino fundamental.

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ensino fundamental, matemática

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