Símbolo mundial na luta contra o racismo, Nelson Mandela (1918-2013) também é uma das personalidades mais lembradas quando o assunto é direito à educação. O ex-presidente sul-africano “dedicou sua vida a serviço da humanidade”, como descreveu a ONU (Organização das Nações Unidas), e difundia sua crença no poder transformador do ensino. “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo” tornou-se uma de suas definições mais célebres em favor da igualdade e dos direitos humanos.

Carinhosamente chamado pelos sul-africanos de Madiba (nome do clã Thembu ao qual Mandela pertence), Tata (palavra que significa “pai”) ou Khulu (“avô”, também em xhosa), Mandela nasceu no pequeno vilarejo de Mvezo e passou a infância em Qunu, onde foi o primeiro da família a frequentar a escola. Cresceu envolvido pelo respeito à cultura ancestral por meio da tradição oral: depois do jantar, costumava ouvir sua mãe e suas tias contarem histórias e fábulas, e aprendeu com o seu povo a importância das leis e da disciplina pelas lições ouvidas. 

Ao chegar à escola primária, de um único cômodo, com telhado de zinco e chão de terra, as crianças tradicionalmente ganhavam nomes ingleses. Ali, Rolihlahla Dalibhunga Mandela passou a ser chamado de “Nelson”, em homenagem ao oficial britânico Horatio Nelson (1758-1805)

Em 1939, Mandela ingressou no curso de direito na Fort Hare, a primeira universidade da África do Sul a ministrar cursos para negros. Expulso por se envolver em protestos estudantis, mudou-se para Joanesburgo e concluiu a graduação na Universidade de Witwatersrand. Também se tornou bacharel em Artes, pela Universidade da África do Sul.

Preso por 27 anos por se opor ao apartheid (regime de segregação racial do país), que impunha a separação entre negros e brancos em espaços públicos entre 1948 e meados dos anos 1990, ao ser libertado repetiu a frase dita ao juiz que o condenou trinta anos antes: “Eu estou disposto a morrer pela minha convicção”. Mandela ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1993 e foi eleito presidente da África do Sul no ano seguinte (leia aqui seu discurso de posse). Permaneceu no poder até 1999. Esteve no Brasil duas vezes, uma delas para receber o título de Doutor Honoris Causa pela UnB (Universidade de Brasília).

Escolas e universidades mundo afora levam seu nome. E o legado de Mandela também não deve ficar longe da sala de aula. Estabelecido pela ONU em 2009, 18 de julho é o Dia Internacional de Nelson Mandela, além de ser sua data de nascimento. O Porvir selecionou uma série de materiais para quem deseja conhecer melhor o legado de Madiba e quer levá-lo para as práticas pedagógicas. Confira:

Repórter. Entre os principais temas da educação, acompanha de perto assuntos relacionados à educação antirracista, literatura, inclusão e primeira infância.

Jornalista especializada em educomunicação, com estudos em mídia e cultura na América Latina. Trabalhou no Instituto Paulo Freire, onde aprofundou seu compromisso com a EJA e a educação em direitos humanos. No Porvir, escreve para todas as editorias....

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