O futebol pode ajudar as escolas? Essa é a missão do Instituto Vini Jr. - PORVIR
Crédito: Instituto Vini Jr./Divulgação

Inovações em Educação

O futebol pode ajudar as escolas? Essa é a missão do Instituto Vini Jr.

Usando e abusando da tecnologia, a organização social do jogador aposta no esporte como linguagem educativa

por Danilo Mekari ilustração relógio 13 de janeiro de 2023

Um craque do futebol vive de gols, glórias e jogadas mágicas, daquelas que ficam marcadas para sempre na história do esporte. Há, porém, aqueles que se esforçam para alargar esse campo de possibilidades. O carioca Vinícius Júnior, atacante do Real Madrid (Espanha) e da seleção brasileira, é um deles: além de dribles desconcertantes e bolas na rede, o jogador tem entre os seus principais objetivos impactar positivamente a educação pública do Brasil.

Esse impacto se dá por meio de uma organização que leva seu nome – o Instituto Vini Jr. Fundado em julho de 2021, quando o atleta tinha apenas 20 anos, o instituto pretende apoiar as escolas públicas do país na construção de novos modelos de ensino-aprendizagem. Para tanto, defende a utilização da tecnologia como ferramenta para enriquecer a experiência em sala de aula e do esporte como linguagem.

Futebol transversal

Retomando a experiência escolar do próprio Vini Jr., o diretor executivo da organização, Victor Ladeira, defende que é preciso recriar as condições para que os estudantes sintam prazer em estar na escola. “O Vini achava a escola um lugar chato. Hoje, ele é um jovem que reverbera a voz de uma geração. A escola parou no tempo, e o seu formato tradicional já não dialoga com as juventudes. Queremos apoiar tanto na questão da infraestrutura, como na instrumentalização dos docentes para que se conectem mais com as novas gerações”, pontua.

Em seus tempos de escola, o futuro craque – como era de se esperar – já tinha apreço pelas aulas de educação física, principalmente quando o assunto era jogar futebol. “É um momento onde a criança é criança, quando consegue se expressar da melhor forma”, acredita Ladeira. “É quando a gente sai das carteiras enfileiradas diante da lousa e vai correr, conversar, gritar, suar e aprender com o corpo.”

Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, Vini Jr. – anunciado nesta quinta-feira, 12 de janeiro, como um dos finalistas do prêmio da Fifa de melhor jogador do mundo –, afirmou que sua preocupação é ajudar os jovens a terem mais sucesso por meio da educação. “O futebol é um sonho, mas não é maravilhoso se pudermos ajudar as crianças a saírem da pobreza estudando? Meu objetivo é fazer isso acontecer a médio e longo prazo. Precisamos ter mais médicos, advogados, engenheiros saindo das favelas. Pretendemos dar oportunidades a eles”.

Muito mais do que apenas o jogo em si, o futebol também pode ser um aliado em diversas etapas do processo de ensino-aprendizagem. “Por ser uma linguagem universal e atemporal, o esporte oferece uma gama de conexões com os saberes empíricos dos estudantes”, analisa o diretor. Nesse cenário, se abrem muitas possibilidades para trabalhar o futebol de maneira transversal – em disciplinas como matemática, geografia, geometria e história. 

Confira a galeria de imagens do projeto:

App Base: percurso de aprendizagem

Para tirar essas ideias do papel, o Instituto Vini Jr. tem focado esforços em dois projetos: um aplicativo e um centro de tecnologias. Ambos carregam um nome fortemente associado aos espaços de formação de futebolistas no Brasil: Base.

O app Base utiliza o conteúdo programático das escolas, amparado pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular), para oferecer um percurso de aprendizagem por meio de uma plataforma gamificada. São mais de 2,5 mil questões, divididas em cinco etapas, elaboradas em parceria com a equipe pedagógica da Escola Municipal Paulo Reglus Neves Freire, localizada no bairro Mutuaguaçu, em São Gonçalo (RJ), onde o próprio Vini Jr. estudou. 

A ferramenta é direcionada aos anos iniciais do ensino fundamental. “Para finalizar o percurso e conquistar medalhas e troféus, é necessário realizar uma atividade extraclasse, conduzida pelo professor. Isso é importante para sair um pouco da tela e botar o corpo em movimento”, acentua Ladeira.

“Ainda bem que lançamos o app na escola onde estudei porque eu sabia como era. Tenho muitas boas lembranças daqueles tempos, claro, mas principalmente de jogar futebol! Eu apenas pensei que poderia fazer mais e estou fazendo mais”, destacou Vini Jr. ao jornal inglês. “Temos muitos exemplos de atletas fazendo isso. Fui inspirado pelo que LeBron James [jogador de basquete da NBA], Lewis Hamilton [piloto de Fórmula 1] e Marcus Rashford [jogador do Manchester United e da seleção da Inglaterra] estão fazendo. Então, comecei fazendo algo primeiro para o meu bairro, mas quem sabe se pode crescer em todo o Brasil.”

CT Base: polo de inovação

Já o Centro de Tecnologia Base é um polo de inovação que contempla infraestrutura, metodologias e capacitações para apoiar professores e gestores escolares na criação de projetos educacionais inovadores. Até o momento, quatro escolas foram contempladas com o espaço – além da Paulo Freire, há um CT Base em escolas municipais dos bairros da Penha e do Morro da Providência, no Rio de Janeiro (RJ), e outra em Rio Preto (MG). O quinto CT Base será aberto na escola quilombola Professora Lydia Sherman, localizada em Armação dos Búzios (RJ).

O CT Base é equipado com smartphones, tablets, laptops e TV, e possui uma ambientação que remete a um estádio de futebol, como puffs em formato de bola e gramado sintético no piso. “A falta de infraestrutura para as novas tecnologias é um entrave para a inovação escolar”, reforça o diretor. “Quando fazemos a capacitação dos profissionais da escola, a gente sempre começa com essa provocação: como é que eu penso numa tecnologia educacional para além do digital?”

Entre os planos para 2023 está a construção de uma escola-modelo do Instituto Vini Jr., perto de onde o craque nasceu, “para oferecer o melhor que a gente puder em termos de boas práticas pedagógicas para as crianças menos favorecidas da região”.

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competências para o século 21, ensino fundamental, ensino médio, tecnologia

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