O que os professores precisam saber sobre memória? - PORVIR
Crédito: Makhbubakhon Ismatova/iStock

Inovações em Educação

O que os professores precisam saber sobre memória?

Entender como armazenamos e usamos as informações é algo inestimável para que professores apoiem os alunos a memorizar o aprendizado por mais tempo

por Blake Harvard, do Edutopia ilustração relógio 20 de julho de 2022

Um dos aspectos mais importantes da aprendizagem, que pode ser menos compreendido, é a memória humana. Temos a tarefa de transmitir habilidades e conhecimentos aos alunos – trata-se do aspecto mais importante do nosso trabalho. No entanto, quantos educadores obtiveram diplomas e certificados de ensino sem qualquer menção ao funcionamento da memória? Com que frequência a memória humana é um tópico de estudo de livro ou sessão de desenvolvimento profissional? Eu me formei como professor há 15 anos e não me lembro de nenhuma aula sobre o assunto. Qualquer desenvolvimento profissional que recebi sobre o tema da memória foi raro, ou tive que buscá-lo por conta própria.

Não conheço nenhum professor que não queira fazer o melhor para seus alunos. Ser capaz de instruir e oferecer ambientes de aprendizagem que sejam eficientes e eficazes para o aprendizado requer conhecimento dos processos de memória e uma compreensão básica de como trabalhar as limitações da memória humana.

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Então, o que os professores precisam saber sobre memória?

Sugestões para orientar os alunos a mover seu aprendizado para a memória de longo prazo: 

Sentidos e memória sensorial: Isso pode parecer óbvio, mas o primeiro passo para lembrar é a sensação – os alunos precisam sentir o material. Na maioria das vezes, na escola isso equivale a ver e/ou ouvir a informação. Este é um primeiro passo necessário, mas é bastante fugaz por si só. Por exemplo: agora, com esta leitura, você está “sentindo”, recebendo uma grande quantidade de informações. Na sala de aula, os professores precisam criar um ambiente no qual seja mais fácil para que os alunos sintam o material. Embora não seja atualmente a ideia mais popular na educação, todos os meus alunos estão voltados para a frente da minha sala, onde as informações são apresentadas. Isso aumenta as chances de eles sentirem, visualmente, o material necessário.

Atenção: Se os alunos não dão atenção a essas sensações, a memória é nula. Para usar um chavão da educação atual, isso é engajamento. Engajamento é o que o cérebro atende. É um ato de cognição. Obviamente, isso é de extrema importância no que diz respeito ao aprendizado. Onde os alunos colocam sua atenção é onde eles têm a oportunidade de aprender. Estão focados no estímulo necessário para o aprendizado ou na tela do celular? Ou estão divididos entre múltiplas sensações?

Na minha sala de aula, quero tornar o mais fácil possível para que os alunos possam concentrar sua atenção no mais importante para o aprendizado. Crio um ambiente mais livre de distrações possível, considerando o que eles podem ter em sua mesa, quais decorações tenho nas paredes, com que clareza e concisão apresento o material, além da configuração física das mesas e cadeiras.

Memória de trabalho: Se os alunos percebem e atendem ao material de aprendizagem, a informação pode ser compreendida e codificada em sua memória de trabalho. Simplificando: o pensamento consciente que você está tendo agora é o que está presente em sua memória de trabalho – é a informação com a qual você está trabalhando cognitivamente. Mas, novamente, vemos que, embora este seja um passo muito necessário, não é suficiente para a retenção de material a longo prazo. A memória de trabalho é bastante fugaz, tanto em sua capacidade de processar informações em um determinado momento quanto na quantidade de tempo que ela manterá essas informações. Até certo ponto, é um pouco como um funil para informações – apenas um determinado material pode passar sem ser perdido, por isso é imperativo que os professores monitorem cuidadosamente a complexidade cognitiva da sala de aula e as aulas que projetamos.

Por exemplo, em minha sala de aula, isso significa manter o principal como principal: o que é absolutamente necessário para meus alunos encontrarem e entenderem para aprender? Na maioria das vezes, tudo o que nossos alunos assistem e se envolvem sobrecarrega sua memória de trabalho. Se o design instrucional for muito complicado, ou não for explícito o suficiente sobre o que os estudantes devem focar, eles podem não ter espaço em sua memória de trabalho para o estímulo necessário ao processamento, porque estão focando na informação errada. O design instrucional deve permanecer simples, especialmente para materiais novos e/ou complicados.

Não estou dizendo que as salas de aula e as aulas devam ser sem graça, mas com cada nova informação que os alunos encontram, a carga em sua memória de trabalho aumenta. Escolha sabiamente.

Memória de longo prazo: Como sabemos, ao contrário da memória de trabalho, a memória de longo prazo é ilimitada tanto em sua capacidade quanto no tempo que pode armazenar informações. Do ponto de vista prático, esse deve ser um objetivo do educador: levar informações pertinentes à memória de longo prazo dos alunos. Embora fosse fantástico se as memórias do material da sala de aula fossem processadas automaticamente na memória de longo prazo, esse geralmente não é o caso. Para a maioria dos materiais de sala de aula, isso requer um processamento trabalhoso.

Duas das melhores estratégias de aprendizado baseadas em evidências são a prática de recuperação e a prática espaçada. Essas estratégias exigem, em diferentes momentos, que os alunos acessem suas memórias do material e usem e apliquem seus conhecimentos. O que é bastante interessante sobre isso é que, quando os alunos recuperam essas memórias, elas agora estão na memória de trabalho.

De um modo geral, quanto mais ensaiamos o reconhecimento ou a evocação de memórias, mais fortes e eficientes elas se tornam. Mesmo que um aluno possa se lembrar de algo de um dia para o outro, indicando que é parte de sua memória de longo prazo, isso não significa que seja necessariamente acessível para sempre – uma memória não utilizada pode ser esquecida ou irrecuperável. Praticar a utilização do conhecimento é imperativo tanto como avaliação da aprendizagem quanto para a aprendizagem.

*Publicado originalmente em Edutopia e traduzido mediante autorização
© Edutopia.org; George Lucas Educational Foundation


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competências para o século 21, ensino fundamental, ensino médio, ensino superior, neurociência, socioemocionais

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