caminhos da aprendizagem: como o cérebro aprende?
Crédito: ismagilov/iStock

Com seus 86 bilhões de neurônios e mais de 100 trilhões de conexões, o cérebro é capaz de processar e arquivar uma enorme quantidade de informações que chegam a ele a todo momento, enviadas pelos órgãos dos sentidos. Essa fantástica atividade dos neurônios é desencadeada pelas experiências que vivenciamos e torna o cérebro uma fábrica de aprendizagem que funciona 24 horas por dia.

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Não é possível saber quanto conhecimento os estudantes levam para casa depois de um dia na escola. Atividades, projetos, testes e provas refletem parte do que foi aprendido. Mas, no final das contas, aquilo que realmente o estudante guardou no seu “arquivo pessoal” é algo difícil de mensurar. 

É certo que ainda há muito a ser explorado nesse território desconhecido, mas a neurociência tem avançado na compreensão de como o cérebro recebe, processa, armazena e utiliza informações, o que vem permitindo esclarecer como esse processo “invisível” acontece na mente do estudante.

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Como ocorre a aprendizagem do ponto de vista do funcionamento cerebral? 

Os estímulos que o estudante recebe durante uma aula chegam ao cérebro pelos órgãos dos sentidos e ativam diferentes conjuntos de neurônios, conectados entre si, cada um deles envolvido com uma função mental importante para a aprendizagem. A atenção seleciona as informações e o cérebro dá um significado a elas. As emoções geram a motivação necessária para que as funções executivas planejem estratégias em favor da aprendizagem. 

Quando o estudante elabora, repete, relembra, recupera e cria novas informações, ele reativa neurônios e desencadeia neuroplasticidade. Esse processo promove modificações das conexões cerebrais, denominadas sinapses, e consolida as informações na memória de longa duração. Assim, o cérebro processa a aprendizagem, transformando as experiências vividas em conhecimentos, habilidades e atitudes. 

Leia também: A necessária ponte entre a neurociência e a educação

Cotidianamente, pais e professores contribuem para as mudanças cerebrais e o aprimoramento das funções mentais que levam à aprendizagem, fornecendo os estímulos, as interações sociais e os valores que serão processados pelo cérebro do estudante. No entanto, em geral, eles conhecem muito pouco sobre como o cérebro aprende.

Daí o necessário diálogo entre a neurociência e a educação, tendo como tema central a aprendizagem. Saber como aprendemos pode contribuir, significativamente, para a compreensão de questões relativas ao cotidiano escolar. A neurociência ajuda a fundamentar a prática pedagógica e a demonstrar que as estratégias pedagógicas que respeitam o funcionamento cerebral tendem a ser mais eficientes.

Nesse contexto, o Sesi (Serviço Social da Indústria) desenvolveu um estudo, fruto do diálogo entre uma neurocientista e uma educadora. Os principais resultados deste estudo são apresentados no livro “Neurociência e educação: olhando para o futuro da aprendizagem”, que aborda 12 princípios da neurociência relacionados à aprendizagem e 22 tendências que estão configurando a educação do futuro. Por meio de linguagem acessível e utilização de infográficos são indicados importantes caminhos para um processo educacional mais efetivo.

O livro será lançado no V Encontro Anual da Rede Nacional de Ciência para Educação, que será realizado presencialmente no Museu do Amanhã (RJ) de 17 a 19 de novembro, reunindo educadores, cientistas e estudantes interessados na área de ciência para a educação. A programação completa está disponível no site.


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Pedagoga, psicopedagoga, mestre e doutora em Educação pela UnB (Universidade de Brasília). Atualmente, é especialista do Sesi (Serviço Social da Indústria), onde coordena estudos e pesquisas no campo da educação. Autora do livro "Mapa da evolução...

Médica, neuropsicóloga, mestre em Fisiologia e doutora em Biologia Celular pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Idealizadora e coordenadora do Programa de Extensão NeuroEduca, pioneiro na formação de professores no campo da Neurociência....

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76 Comments

  1. Ouvi um certo relato de um orador anônimo, por isso não citarei nome, que ao entrar em modo de aprendizado, sem repetição, meditação e insistência, acatamos cerca de 20 % do que nos foi ensinado no certo exercício de aprendizado. Um exemplo, se apenas ouvirmos uma palestra e não haver um certo exercício de fixação pós treinamento, ou meditação em grupo, ou exercicios apenas acatamos os assuntos mais emotivos ao nosso cérebro. Corresponde?

  2. Muito interessante, é necessário estabelecer essa ponte para os professores adotarem estratégias inovadoras, efetivas, dinâmicas e rápidas para que os alunos escolham práticas de estudos mais eficientes, resultando em melhorias da qualidade da educação.

  3. É redimensionar a autoconfiança e valorizar mais a reflexão do que o resultado de cada trabalho, precisa colocar em prática a assimilação já construída para estabelecer novas relações para entender o que não sabe.

  4. A personalidade a cr ou ança já nasce com ela apenas podebdo ter algumas mudanças ,mas e o a já pronta para o mundo

  5. O processo educacional é um sistema dialógico,de um lado, o ato de ensinar e , de outro, o de aprender. No entanto, por mais óbvio que isso seja, o processo de ensino envolver necessariamente o de aprendizagem. Assim, é essencial que se entenda o impacto que cada ação causa, seja aquela voltada ao ensinar ou aquela voltada ao aprender.

    1. Verdade! Os caminhos da aprendizagem possuem duas vias: a motivação, curiosidade de aprender , descobrir o saber e a dádiva chamada de ensinar, que hoje chamamos de facilitar ,mediar o conhecimento para orientar o voo.

  6. Muito interessante o material, acho que deveria ser divulgado, iria nos ajudar a entendermos mais sobre o assunto e procurar nos informar sobre o tema.

  7. O cérebro faz seleção, aquisição porém a consolidação se dá através do envolvimento emocional.

  8. É de muita importância todo esses conhecimentos , pois uma boa aprendizagem precisa de estímulos! E nós professores devemos trabalhar de forma que nossos alunos aprendam de acordo com sua realidade vívida, pois assim o conhecimento fica mais acessível e sem dificuldade para tá assimilando as atividades que são passadas a eles , e sempre partindo do concreto.

  9. Exatamente. Esse tema ´é super importante. Formar um cidadão século XXI é um desafio, Porém precisamos repensar as nossas práticas pedagógicas.

  10. Acredito piamente que a educação é a ciência devem andar de mãos dadas para que a prática pedagógica seja embasada e fundamentada na ciência já que o ser humano é um todo.

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