Por que a escolha de tecnologia precisa estar alinhada ao objetivo de aprendizagem - PORVIR
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Inovações em Educação

Por que a escolha de tecnologia precisa estar alinhada ao objetivo de aprendizagem

A escolha que o educador faz do momento certo de uso das tecnologias precisa estar de acordo com o que se deseja ensinar ao aluno

Parceria com Sejunta

por Ruam Oliveira ilustração relógio 2 de setembro de 2021

A preocupação com o acesso aos dispositivos móveis é algo que está presente tanto nas famílias, como também nas escolas e em diferentes espaços. Quando se pensa no uso de dispositivos móveis na educação, a diferença está na intenção com que se aplicam tais ferramentas. Neste caso, sabe-se que não se trata de dar foco no dispositivo, mas sim na habilidade que está sendo trabalhada com o auxílio dele.

Ester Ohl, especialista em educação na Sejunta Tecnologia, Apple Authorized Reseller, conta que o uso de dispositivos móveis na educação deve ser feito como uma forma complementar na sala de aula. Ao trabalhar, por exemplo, a construção de narrativas, o ideal é não focar no equipamento, mas sim no caminho que deve ser trilhado para que essa narrativa seja construída.

“Acho que o ponto principal de se usar um dispositivo é que ele precisa ter um sentido pedagógico. É pensar qual o sentido que quero que o aluno aprenda e trazer isso com o uso do dispositivo”, disse.  Ester aponta que muitos estudantes já possuem tablets, smartphones ou computadores à disposição em casa, então em sala de aula a postura deve ser outra.


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Entender o que é mais adequado aos estudantes depende das metodologias que o educador ou a escola decidem usar. Em tempos de ensino híbrido e flexibilização da aprendizagem, com momentos de aprendizagem online não apenas em casa, como foi durante o longo período de aprendizagem remota, mas também em sala de aula, faz sentido considerar o uso de dispositivos móveis.

“Não tem problema, por exemplo, usar durante uma aula inteira ou metade da aula por três dias seguidos. Vai depender muito do planejamento que a professora ou professor em questão tem”, pontuou.

O que ela quer dizer é que a tecnologia usada em sala de aula requer um olhar direcionado, com objetivo claro. E o que o educador decide também tem um peso nessa equação, tanto em relação à quantidade de tempo ou se de fato usará ou não dispositivos tecnológicos na aula o tempo inteiro.

Do conceito à prática
Barbara Coelho, Tech Integrator na Avenues, uma Apple Distinguished School, aponta que o professor é quem vai pontuar e dizer qual é o momento de usar a ferramenta digital e qual é o momento que usar outras ferramentas e optar por diferentes dinâmicas. “O que a gente faz para garantir que esse uso seja o mais adequado é justamente através de um professor, de um treinamento com os professores.”

Na escola onde atua, Bárbara afirma que encaram os dispositivos tecnológicos como uma ferramenta, assim como é possível olhar para blocos de LEGO e enxergá-los como um material para um tipo diferente de aula. Ela afirma que a escola trabalha esse entendimento de que as ferramentas digitais estão primordialmente a serviço do objetivo de aprendizagem.

É fato que com a pandemia e o maior tempo dentro de casa, tanto crianças quanto adolescentes ficaram mais tempo ligados em telas de computador e tablet. Com o retorno presencial e a possibilidade de continuar utilizando dispositivos móveis precisa vir unificada com esse olhar atento e direcionado para as atividades específicas de cunho pedagógico.

“Professores e alunos estão empolgados com a volta às aulas presenciais. Garantimos que o iPad seja usado para aprimorar seu aprendizado. Alunos estão usando os iPad para pesquisar e criar projetos que representem o seu aprendizado. Eles usam, por exemplo, apps como Strip Designer e Book Creator para mostrar seu trabalho de formas criativas.”, pontua Kari Olsen, Digital Leader e professora da St. Paul’s School, também Apple Distinguished School.

Kari diz que muitas vezes a tecnologia é utilizada pelos estudantes aos finais de ciclo, quando precisam olhar para os resultados. “Os alunos usam uma variedade de aplicativos para pesquisar, criar e publicar seus trabalhos. Por exemplo, alunos do Prep 5 (quinto ano) criaram uma narrativa baseada no tema da liberdade. Esse também era o tema do tópico e eles se inspiraram muito no texto central Rooftoppers, de Katherine Rundell. Depois de escrever seus textos, os alunos usaram seu iPad e o aplicativo Book Creator para exibir e compartilhar seus trabalhos.”, disse.

Outro exemplo citado por ela é quando alunos PP3 (5 a 6 anos) trabalhavam no tema “The Stories We Tell”, eles usaram o Photon Robot para recontar uma das histórias que haviam trabalhado. As crianças usaram um iPod Touch e o aplicativo Photon EDU para praticar a programação do robô e, posteriormente, construir um mapa da história com materiais 3-D no chão.

No caso da Avenues, Bárbara destaca que os estudantes trabalham a documentação pedagógica, em que eles próprios são os protagonistas dessa documentação. “Eles são também responsáveis pelos registros dos projetos, registros das experiências de aprendizado deles. Isso é uma forma para que eles reflitam sobre a própria experiência como alunos, para que eles comecem a ficar mais conscientes da forma como eles aprendem”, disse a educadora.

Aprendizagem ativa
Ester considera que usar o iPad pode ser uma maneira de estimular a criatividade dos estudantes e fazê-los ter uma experiência de aula mais rica e interessante. Trabalhar com realidade aumentada ou criação de vídeos, por exemplo, está na lista da educadora como bons elementos que podem ser usados positivamente na estratégia pedagógica da escola, inclusive para diferenciar o que seria de uso escolar do que os estudantes habitualmente fazem em tempos de lazer, com os dispositivos que possuem em casa.

A representante da St. Paul’s afirma que atualmente a interação do professor com a tecnologia é muito natural na escola por usarem os recursos digitais para diferentes tarefas como registrar presenças, pesquisar novos materiais, preparar e postar recursos no ambiente virtual de aprendizagem ou no diário digital dos alunos, atribuir tarefas, dar feedback (retorno avaliativo, devolutiva), usar o sistema de registro de comportamento e comunicar-se com os alunos.

Aprender a usar a ferramenta é também um ponto importante para os próprios educadores. Bárbara destaca que a escola tem uma preocupação em capacitar os docentes no uso das ferramentas para que justamente eles as utilizem com foco para além da tecnologia em si a ponto de compreender quando cabe ou não utilizá-la. Ela afirma que os educadores são, em sua maioria, muito engajados em descobrir os usos mais efetivos da tecnologia em classe.

“Nós temos treinamentos específicos para grupos específicos de professores que precisam de mais suporte. Podemos ter um treinamento muito específico para entender mais e começar a usar a ferramenta de maneira mais técnica, com essa aplicação pedagógica”, diz.

Seja durante o dia inteiro de aula, seja apenas em ocasiões específicas, o uso dos dispositivos requer planejamento, objetivos claros e intencionalidade. A metodologia escolhida fará com que o professor escolha o melhor momento de usar os dispositivos móveis, por exemplo. A especialista em educação da Sejunta afirma que é essencial que o educador  compreenda qual seja o momento que melhor funciona utilizar um iPad, mesmo que ele contenha vastas possibilidades de uso. Para ela, algumas coisas funcionam melhor com “giz, voz e tecnologia”. O importante é saber encontrar o momento certo.

 

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autonomia, dispositivos móveis, tecnologia

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