Professor cria canal digital de combate ao bullying em escola do Maranhão - PORVIR
Crédito: Ponomariova_Maria/iStock

Diário de Inovações

Professor cria canal digital de combate ao bullying em escola do Maranhão

Projeto criado em escola municipal de Presidente Dutra, interior do Maranhão, apoia estudantes a denunciar casos de bullying anonimamente

por Rafael Sousa ilustração relógio 19 de outubro de 2022

O projeto “Bullying? #NaMinhaEscolaNão” é uma iniciativa simples no combate ao bullying. Foi criada na Escola municipal Joana Lima de Macedo, onde leciono filosofia, localizada em Presidente Dutra, no estado do Maranhão (cerca de 360 km da capital, São Luís).

Simples, mas extremamente significativa e inovadora, a iniciativa é realizada por meio de ferramentas gratuitas do Google Workspace (antigo G Suite). A ideia do projeto surgiu em 2021, após uma criança do 7º ano me perguntar se a escola tinha algum mecanismo antibullying, uma vez que sua amiga, vítima desse tipo de violência, estava chorando.

Diante do fato, minha primeira reação foi acolher a vítima, conversar e acalmá-la. Em seguida, fui categórico ao admitir que a escola ainda não possuía um espaço específico para denúncias de bullying, mas que eu iria criá-lo. Passei o dia refletindo o caso, em busca de alguma solução ou, no mínimo, algo para amenizar e prevenir casos que envolvem bullying na escola. 

Adesivo distribuído na escola.
Crédito: Rafael Souza

Surgiu a ideia de usar uma ferramenta intuitiva, que poderia ser acessada por meio daquilo que nossos jovens tanto utilizam: o aparelho celular. Em 2022, mais especificamente em 7 de abril (Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola), houve o lançamento do projeto. Ele funciona com a utilização de um QR Code que encaminha o pai ou estudante para uma cartilha virtual com orientações sobre a definição de bullying e seus tipos. Na mesma página, é possível gerar uma denúncia virtual simplesmente apertando o “botão antibullying”. 

Após o envio da denúncia (que, por decisão do denunciante, pode ser encaminhada para um professor em particular ou para todo o quadro docente da escola), eu, professor Rafael, notificado com a denúncia, me responsabilizo em repassar as informações para a opção desejada. As informações também são levadas à coordenadora pedagógica e à direção escolar.

Após receber as informações envolvendo bullying na escola, cada professor, por meio de suas estratégias pedagógicas, busca interferir nos casos de violência de forma educativa. Vale lembrar que o projeto tem caráter educativo e preventivo, nunca punitivo.

A escola Joana Lima possui cerca de 600 estudantes e, no período de dois meses, apenas sete casos foram compartilhados com os professores. No entanto, o número de usuários do serviço foi maior (15 alunos) – isso porque existe toda uma avaliação feita por mim com o intuito de não repassar denúncias falsas. 

Professor abre canal digital de combate ao bullying em escola do Maranhão
Crédito: Rafael Sousa

Obrigatoriamente, no formulário de denúncia, o estudante deve informar seu nome, telefone e sala que estuda para que o caso seja avaliado e repassado aos docentes. Caso contrário, fica impossível buscar soluções. Algumas denúncias envolveram racismo, roubo, homofobia e outros constrangimentos (apelidos depreciativos). Os professores recebem as denúncias por meio do WhatsApp, com todos os dados informados pelo denunciante.

Com certeza, o número de casos de bullying é bem maior do que o número de denúncias que venho recebendo, e esse é o motivo que tenho para aperfeiçoar o projeto “Bullying? #NaMinhaEscolaNão”. Por enquanto, essa iniciativa tem a própria comunidade escolar como rede de apoio – no entanto, pretendo que esse mecanismo se aproxime mais dos estudantes.

Futuramente, alguns recursos tecnológicos automatizados farão parte dessa ação, como Chatbots, para orientar, instruir e encaminhar os estudantes para efetuar denúncias. Além disso, já existe um diálogo (ainda informal) com membros da Polícia Militar visando a expansão integrada do projeto e formação de um Pelotão Escolar para atuar contra a violência na escola.

Após a criação da página “Bullying? #NaMinhaEscolaNão”, adesivos foram distribuídos para pais e estudantes, assim como foi realizada uma reunião para instrução e orientação voltada à comunidade escolar sobre a violência na escola, para esclarecer a sistemática do projeto antibullying. A aceitação foi maravilhosa e alguns casos de bullying foram mapeados e investigados.

Professor abre canal digital de combate ao bullying em escola do Maranhão
Crédito: Rafael Sousa

A escola é um instrumento da sociedade para toda a sociedade, ela deve oferecer um ambiente seguro e acolhedor para toda a comunidade. O projeto “Bullying? #NaMinhaEscolaNão”, de simples criação, mas de inestimável valor, foi realizado com amor e carinho e, como tudo que é bom, merece ser compartilhado com outras instituições escolares. 

No futuro, a meta também é desenvolver o projeto para inibir e prevenir não apenas a violência estudante-estudante, mas também a violência estudante-professor. Afinal, o bullying não deve ser compreendido como algo intrínseco ao mundo estudantil, pois educadores também sofrem diversos tipos de violências, tanto físicas quanto psicológicas.

O que é necessário para replicar este projeto?

Acesso à internet. Não é necessário nenhum custo financeiro para que essa ação seja replicada de forma virtual, pois apenas recursos gratuitos do Google foram utilizados. No caso do código QR Code, já existem muitos sites na internet que transformam links em imagens QR Code.

Os custos que tive foram apenas de material adesivo para distribuição do código QR Code, que viabiliza acesso à cartilha e ao ambiente de denúncia.


Rafael Sousa

Professor graduado e mestre em filosofia, especialista em tecnologias educacionais, prática docente, metodologias ativas, com MBA em gestão estratégica de inovação tecnológica. É Google Educador certificado e historiador graduado. Atualmente, atua como professor do fundamental II no município de Presidente Dutra, no Maranhão.

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competências para o século 21, ensino fundamental, ensino médio, tecnologia

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