Professor do RJ é eleito Educador do Ano com projeto de inclusão social - PORVIR
Crédito: Mariana Pekin

Inovações em Educação

Professor do RJ é eleito Educador do Ano com projeto de inclusão social

José Marcos Couto Jr., docente de história, criou projeto sobre valorização e pertencimento inspirado em música de Chico Buarque

por Vinícius de Oliveira ilustração relógio 1 de outubro de 2018

Com um projeto sobre inclusão social que trabalhou o sentido de pertencimento com alunos do ensino fundamental, o professor de história José Marcos Couto Jr., da Escola Municipal Áttila Nunes, no Rio de Janeiro (RJ), foi eleito na noite desta segunda-feira (1) o Educador do Ano pelo prêmio Educador Nota 10, em cerimônia realizada na Sala São Paulo, no centro da capital paulista. A premiação é uma iniciativa da Fundação Victor Civita em parceria com a Fundação Roberto Marinho, apoio da Revista NOVA ESCOLA e patrocínio da Fundação Lemann e da SOMOS Educação.

“O objetivo foi mostrar às crianças que alguns setores da sociedade não as enxergam e estimulá-las a vencer isso. E elas foram se inserindo cada vez mais em mundos que antes diziam não lhes pertencer”, disse José Marcos Jr., sobre seu projeto desenvolvido com turmas de 8º e 9º anos. O projeto teve como inspiração a música “As Caravanas”, de Chico Buarque (assista ao clipe), que fala sobre como moradores do subúrbio e de comunidades são vistos com discriminação na zona sul do Rio de Janeiro.

O objetivo foi mostrar às crianças que alguns setores da sociedade não as enxergam e estimulá-las a vencer isso. E elas foram se inserindo cada vez mais em mundos que antes diziam não lhes pertencer

Primeiramente, José Marcos Jr. fez um trabalho de conscientização no qual alunos discutiam a importância das pessoas que ajudavam a escola a funcionar diariamente. Em seguida, para expandir a ideia de pertencimento e fazer com que as turmas encontrassem novos ambientes, o professor levou alunos ao teatro, centros culturais e outros espaços que, apesar de públicos, não eram vistos como parte da realidade deles.

Mais tarde, já em sala de aula, os alunos foram convidados a reescrever outras letras de Chico Buarque e também a Lei Áurea, segundo a lógica da inclusão social. Um dos resultados do trabalho foi o livro “Que sejam lidos, que sejam vistos”, que reúne histórias pessoais dos alunos diante de todo o trabalho de reflexão proposto pelo professor.

Ao receber o prêmio Educador Nota 10 com a canção Caravanas ecoando pela Sala São Paulo, José Marcos Jr. dedicou seu primeiro troféu da noite à família, colegas e alunos, além de lembrar da importância de levar o tema da invisibilidade social à sala de aula diante do atual contexto social e político do país. “Em tempos de ódio, no qual vivemos o fascismo contra escolas amordaçadas, em que minorias têm que se curvar diante de maiorias, temos que ser visíveis para impedir que o ovo da serpente ecloda”, afirmou, antes de levantar o punho e encerrar com “Marielle, presente!”, em referência à vereadora que foi assassinada no Rio de Janeiro em março. Nesta semana, o crime completou 200 dias sem solução.

Esta foi a 21ª edição do prêmio Educador Nota 10. Nesta segunda, a cerimônia comandada pelo apresentador Otaviano Costa e pela jornalista Sandra Annenberg contou com a presença do ministro da Educação Rossieli Soares, que anunciou que os 10 finalistas serão condecorados com a Ordem Nacional do Mérito Educativo, honraria destinada a reconhecer excepcionais serviços prestados à educação.

O Educador do Ano é um passo importante dado pelo professor José Marcos Jr. rumo ao Global Teacher Prize, prêmio conhecido como “Nobel da Educação”, que é distribuído anualmente pela organização britânica Varkey Foundation em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Em 2018, a Fundação Victor Civita e a Varkey Foundation se associaram para ampliar o reconhecimento do trabalho realizado por educadores brasileiros e a troca de experiências.

Como foi em 2017: Professora de escola indígena é eleita Educadora do Ano

Voto popular

Ivonete Dezinho, professora de matemática no ensino fundamental 2 da EMEF Professor Milton Dias Porto, de Naiviraí (MS), foi a vencedora do prêmio #EsseProjetoé10 por ter recebido 24% dos votos populares em disputa realizada pela internet.

No projeto “De pai para filho – uma abordagem do ensino da matemática nas profissões”, os estudantes pesquisaram como a matemática aparece no exercício de profissões de garçom, padeiro, astronauta, médico pediatra, arquiteto e chefe de cozinha. Eles também conversaram com familiares para entender como eles lidam com os números no dia a dia.

Confira abaixo a lista de ganhadores do prêmio Educador Nota 10:

ANA CLÁUDIA SANTOS

Língua Portuguesa – Ensino Médio
O ser(tão) de cada um
EE Padre Paulo – Santo Antônio do Monte (MG)

Para derrubar a crença de que Guimarães Rosa escreve textos difíceis de ler, a professora Ana Cláudia Santos criou uma sequência didática para alunos de 3º ano do ensino médio que envolveu estudo de aspectos estilísticos dos textos, elaboração de produções orais, reflexão entre a obra e a realidade e trabalho de animação com a técnica stop motion. “Precisei passar pelo crivo do uso das atuais mídias digitais e incorporá-las a meu trabalho. Para mim, foi um dos trabalhos mais enriquecedores. Guimarães não será mais o mesmo.”

 

ANA PAULA MELLO

Geografia – Fundamental 2
O meu lugar: educação e memória de Niterói
Escola Municipal Levi Carneiro – Niterói (RJ)

Por meio de um trabalho de educação patrimonial, a professora Ana Paula Mello fortaleceu a relação de estudantes de 6º e 7º ano com bens culturais e naturais de Niterói. Desenhos, fotos, oficinas de Arqueologia e uma saída de campo ao Museu de Itaipu ajudaram a turma a entender o valor do patrimônio e da paisagem do lugar. “Trabalhar Educação Patrimonial ajuda a fortalecer a relação dos jovens com os bens culturais e naturais, sensibilizando-os sobre a sua responsabilidade na valorização e preservação do patrimônio.”

 

CRISTIANE DIAS

Língua Estrangeira – Fundamental 2
We speak the same language
EEB Maria José Hulse Peixoto – Criciúma (SC)

Com a proposta de driblar a ideia de que não se aprende inglês na escola pública, a professora Cristiane Dias aproveitou a presença de ganeses e haitianos na cidade de Criciúma (SC) para discutir os antepassados imigrantes dos alunos do 9º ano e a situação de brasileiros que vão trabalhar em outros países. Eles escreveram diálogos e gravaram produções em áudio com ajuda dos aplicativos Dialoog e Voki. “Cumpri o objetivo de tornar aluno cada vez mais proficiente em inglês, e, ao mesmo tempo, espero ter plantado a semente da tolerância, do respeito e da diversidade.”

 

ELENIR NOVAES

Matemática – Fundamental 1
De cor e salteado
Escola Municipal Campos do Amaral – São Sebastião do Paraíso (MG)

Depois de perceber que seus alunos não conseguiam notar seus erros na hora de resolver contas, a professora Elenir Novaes estimulou que as crianças começassem a explicar o que haviam pensado para chegar a determinado resultado. Ela também trabalhou com processo de memorização. “Assumi um compromisso e dediquei tempo à minha própria formação para ter condições de atuar eficazmente no processo de aprendizagem dos meus alunos.”

 

IVONETE DEZINHO

Matemática – Fundamental 2
De pai para filho – uma abordagem do ensino da matemática nas profissões
EMEF Professor Milton Dias Porto – Naviraí (MS)

Orientados pela professora Ivonete Dezinho, os estudantes começaram a pesquisar como a matemática aparece no exercício de profissões de garçom, padeiro, astronauta, médico pediatra, arquiteto e chefe de cozinha. Eles também conversaram com familiares para entender como eles lidam com os números no dia a dia. “O projeto valorizou o conhecimento dos pais, que foi fundamental para auxiliar nas dificuldades dos filhos. Trocamos ideias, valores, saberes, desmistificando assim o “fantasma” que a matemática é para poucos.”

 

JOSÉ COUTO JÚNIOR

História – Fundamental 2
As Caravanas: limites da visibilidade
Escola Municipal Áttila Nunes – Rio de Janeiro (RJ)

Com a música “As Caravanas”, de Chico Buarque, que fala sobre como moradores do subúrbio e de comunidades são vistos na zona sul do Rio de Janeiro, o professor José Couto Júnior deu continuidade a um projeto sobre a inserção do negro na sociedade e a ideia de invisibilidade social. A atividade teve o objetivo de estimular que a turma pudesse conhecer outros territórios e culturas, além de contribuir para o desenvolvimento da escrita e da autoestima. “O objetivo do projeto foi mostrar às crianças que alguns setores da sociedade não as enxergam e estimulá-las a vencer isso. E elas foram se inserindo cada vez mais em mundos que antes diziam não lhes pertencer.”

 

MARCOS RIBEIRO

Educação Física – Fundamental 1 – EJA
A desconstrução de preconceitos
CIEJA Campo Limpo – São Paulo (SP)

Para desconstruir narrativas preconceituosas que surgiam dos próprios alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos), o professor Marcos Ribeiro se aprofundou no Maracatu, promoveu discussões com a turma e realizou um cortejo durante a abertura de um seminário municipal em São Paulo (SP). “A sugestão de uma aluna, que tinha na família brincantes de maracatu, me fez ler muito para entender sobre essa manifestação cultural e aprender a prática corporal antes de iniciar a tematização na escola.”

 

MARINALDO SARMENTO

Língua Portuguesa – Alfabetização – Fundamental 1
Produção Textual do Gênero Fábulas
Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Jupariquara – Barcarena (PA)

Para aproximar os alunos do gênero textual fábulas, o professor Marinaldo Sarmento planejou uma sequência didática que valorizou a diversidade e promoveu o trabalho em grupo em uma escola ribeirinha a duas horas de barco da cidade de Barcarena (PA). “Como educador, tenho a consciência de que é minha a função de preparar para uma sociedade letrada, cidadãos críticos, ativos e pensantes sobre o seu papel independentemente do meio em que estão inseridos.”

 

MAURO ROSA

Arte – Fundamental 2 – EJA
Vagas de Luz: Às sombras do preconceito
EMEB Isidoro Battistin – São Bernardo do Campo (SP)

Para tratar de preconceito, o professor Mauro Rosa incentivou que sua turma de EJA (Educação de Jovens e Adultos) levantasse vivências pessoais e conversasse com professores de diferentes disciplinas para elaborar uma representação dramática por meio de um teatro de sombras. “Os estudantes escolheram o teatro de sombras para colocar luz aos olhos dos espectadores, fazendo-os refletir sobre questões ligadas ao racismo, machismo, homofobia e o preconceito contra presidiários e ex-presidiários.”

 

MIKAEL MIZIESCKI

Arte – Fundamental 2
Morro Grande em Arte
EMEF Prefeito Dário Crepaldi – Morro Grande (SC)

Com a ideia de desconstruir os estereótipos que os alunos têm sobre a disciplina de artes, o professor Mikael Miziescki instiga e provoca os alunos a estudar a história da arte e a produção de artistas catarinenses, além de visitar exposições e escrever sobre os trabalhos. “Creio na capacidade de mudança que os nossos alunos nos propõem e que experienciar os conteúdos, as técnicas, as reflexões, os conhecimentos, enfim, a arte, é o melhor caminho para a construção de uma educação de qualidade.”


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ensino fundamental, ensino médio, prêmios, socioemocionais, uso do território

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