Eu fiz o suficiente? Essa é a pergunta que me acompanhava como educadora. Nós nos importamos profundamente com os estudantes, e isso é importante, claro, mas também é exaustivo. É uma honra, mas também é pesado.
Cientistas sociais definem “sentir-se importante” como a experiência de ser visto, valorizado e necessário. Professores nem sempre se sentem vistos ou valorizados, mas não há dúvida de que são necessários. Educadores tomam inúmeras decisões todos os dias para responder às necessidades acadêmicas, sociais, emocionais e comportamentais dos estudantes.
A educação é profundamente recompensadora, mas não podemos ignorar o impacto desse trabalho. Quando a exigência de estar sempre disponível é constante e as responsabilidades são elevadas, o esgotamento acaba surgindo. Isso pode levar à ansiedade, a distúrbios do sono, ao desgaste emocional por cuidar dos outros, ao afastamento e ao aumento do abandono da profissão, com efeitos que atingem estudantes, equipes e comunidades inteiras.
O problema não é o quanto nos importamos. É que nos importamos sem estabelecer limites.
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Recentemente, entrevistei Jennifer Wallace, autora de “Mattering: The Secret to a Life of Deep Connection and Purpose” (“Sentir-se importante: o segredo para uma vida com conexões profundas e propósito”, em tradução livre), que descreve o que acontece quando passamos a ser importantes demais para os outros e de menos para nós mesmos. Como ela explica, um verdadeiro senso de importância, aquele que nos permite prosperar, acontece quando equilibramos nossas próprias necessidades com as dos outros.
Então, como educadores podem cuidar dos outros e de si mesmos ao mesmo tempo? A seguir, três formas práticas de desenvolver esse equilíbrio, protegendo seu tempo, sua atenção e sua energia.
1. Antecipe-se e filtre o que realmente importa
O tempo é um recurso limitado, e protegê-lo muitas vezes depende de uma palavra curta que muitos de nós têm dificuldade de dizer: não.
Uma ferramenta útil para isso é a Matriz de Eisenhower, que ajuda a organizar tarefas de acordo com sua importância e urgência.
- Importante e urgente: faça imediatamente.
- Importante, mas não urgente: planeje e coloque na agenda.
- Urgente, mas não importante: delegue sempre que possível.
- Nem urgente nem importante: elimine.
Dê um passo além e use essa matriz como um filtro antes de assumir compromissos, não depois de já estar sobrecarregado. Ela pode ajudar tanto em ideias próprias quanto em demandas externas.
Sempre que possível, delegue tarefas aos estudantes. Eles também precisam sentir que são importantes, e delegar significa abrir espaço para que assumam protagonismo.
Uma pergunta extra pode ajudar: como o meu “eu do futuro” se sentiria se eu dissesse sim para isso? Muitas vezes somos generosos com o tempo do futuro, mas precisamos proteger também o presente.
2. Registre o que dá certo
Existe um paradoxo: podemos nos sentir muito necessários e, ainda assim, pouco reconhecidos e valorizados. Nem sempre percebemos o impacto do nosso trabalho e, como seres humanos, temos uma tendência natural a focar no negativo.
Mesmo quando temos conquistas ao longo do dia, tendemos a dar mais atenção ao que não deu certo. Uma forma de equilibrar isso é valorizar o processo, não apenas os resultados, e praticar a gratidão.
Gratidão não significa ignorar o que é difícil. Significa não deixar de enxergar o que é bom.
Uma prática simples é registrar momentos positivos a partir de reflexões como:
- Eu me senti visto ou valorizado quando…
- Eu estabeleci um limite e continuei sendo importante quando…
- Eu contribuí para melhorar algo quando…
Registrar essas evidências ajuda a não perder de vista os momentos que dão sentido ao trabalho, mesmo nos dias mais difíceis.
3. Proteja os pequenos momentos
Quando a energia acaba, é difícil imaginar fazer mais alguma coisa. Mas existe um paradoxo: os hábitos que nos recuperam são justamente os primeiros que abandonamos quando estamos sobrecarregados.
Nossa mente pode nos enganar, fazendo parecer que estamos cansados demais para nos movimentar ou que descansar sem fazer nada é mais eficaz do que o que realmente nos dá energia.
Pequenos momentos fazem diferença. Pode ser uma refeição por semana com colegas, em vez de comer sozinho. Pode ser uma caminhada antes do início das aulas. Pode ser alguns minutos com um livro, um podcast ou um diário. Pode ser fechar os olhos por um minuto e respirar com atenção.
Estratégias individuais não resolvem problemas estruturais, como a falta de profissionais ou cobranças excessivas. Ainda assim, podemos escolher pequenas ações que nos sustentem enquanto buscamos mudanças maiores.
Sentir-se importante é uma necessidade humana básica e precisa ser sustentável. Cuidar dos outros faz parte de quem somos, mas cuidar sem limites tem um custo real.
Proteger seu tempo, sua atenção e sua energia não é egoísmo. É o que permite que você esteja presente da melhor forma possível, para você e para os outros.
Não precisamos nos importar menos. Precisamos nos importar de um jeito que nos permita continuar.
*Publicado originalmente no portal Edutopia e traduzido mediante autorização © Edutopia.org; George Lucas Educational Foundation

