Os povos indígenas representam cerca de 6% da população mundial e somam mais de 476 milhões de pessoas, distribuídas por mais de 90 países. No Brasil, quase 1,7 milhão de pessoas se declararam indígenas no Censo 2022, o equivalente a 0,83% da população.
Criado pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994, o Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto, relembra a primeira reunião do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Populações Indígenas, realizada em Genebra, na Suíça, em 1982.
Para marcar a data, o Porvir convidou o Instituto Socioambiental (ISA) a selecionar dez materiais que podem apoiar professores no trabalho com histórias, culturas e saberes indígenas na educação básica. A lista reúne cordel, kits didáticos, plataformas de consulta, materiais interativos e documentários.
“Essas sugestões de conteúdos sobre sociodiversidade indígena brasileira são grandes aliadas de professores de toda a educação básica, sejam não indígenas, sejam indígenas, no desafio de tornar realidade a Lei 11.645”, afirma Luma Ribeiro Prado, responsável pela Iniciativa de Educação do ISA.
Desde a aprovação da lei, em 2008, educadores têm buscado caminhos para decidir o que ensinar e como abordar histórias, culturas e saberes indígenas. Nesse período, o ISA tem reunido e divulgado dados e informações sobre os povos originários do país, além de produzir filmes, campanhas, materiais audiovisuais e, mais recentemente, recursos didáticos voltados à sala de aula.
Entre esses recursos estão os Kits Didáticos, que combinam documentos históricos, mapas e depoimentos a questões-problema para exercitar o pensamento crítico dos estudantes. Os materiais abrangem também populações quilombolas, ribeirinhas e de outras comunidades tradicionais.
“Oferecemos tanto subsídios para que os educadores desenvolvam suas propostas pedagógicas alinhadas com seu contexto escolar quanto materiais prontos para serem utilizados, o que, sabemos, facilita muito o trabalho cotidiano”, diz Luma.
Confira os dez materiais selecionados pelo ISA e possibilidades de levá-los para a sala de aula:
Um cordel indígena para aldear a educação!
Composto por Auritha Tabajara, a primeira cordelista indígena do Brasil, Um cordel para aldear a educação convida educadores indígenas e não indígenas a trazer histórias, culturas e saberes indígenas para as salas de aula brasileiras.
Encomendado pelo Instituto Socioambiental à artista indígena, o cordel foi transformado em música pela antropóloga e musicista Paola Gibram. Além de um clipe, a obra conta com um livreto ilustrado com xilogravuras da artista Lucélia Borges. Os materiais fazem parte da iniciativa Aldear a Educação, uma parceria com o Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena.
Kits didáticos da série Hoje na História Socioambiental
Criados para apoiar o trabalho dos professores, os kits didáticos articulam documentos do acervo do ISA em torno de questões-problema relacionadas às lutas, memórias e resistências de povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais.
A partir da análise guiada de documentos, das atividades sugeridas e de questões para debate, os estudantes podem investigar temas como demarcação territorial, identidade quilombola, sociobioeconomia, desenvolvimento sustentável e crise climática. A proposta estimula a análise crítica e abre espaço para comparar fontes, levantar questões e discutir diferentes aspectos dos temas apresentados.
Povos Indígenas no Brasil Mirim
Destinado ao público infantojuvenil e a educadores, o site Povos Indígenas no Brasil Mirim foi criado em 2009 para mostrar a diversidade das etnias e desconstruir a ideia de que “todos os indígenas são iguais”. O projeto busca despertar o interesse de crianças e jovens pelas diferentes culturas indígenas existentes no Brasil e estimular o respeito a elas.
Enciclopédia dos Povos Indígenas no Brasil
No ar desde 1997, a plataforma reúne informações sobre os povos indígenas e temas relacionados a eles. O trabalho conta com uma extensa rede de colaboradores voluntários e busca não apenas ampliar a presença dos povos indígenas no mapa e no debate público brasileiro, mas também apoiá-los em seus projetos.
A plataforma reúne verbetes com informações e análises sobre povos indígenas que habitam o território nacional, além de textos, tabelas, gráficos, mapas, listas, fotografias e notícias sobre esses povos e seus territórios. Ao longo dos anos, a página tem sido revista e aprimorada por diferentes parceiros e colaboradores do programa Povos Indígenas no Brasil.
Terras Indígenas no Brasil
Criado com o propósito de ser um monitor para acompanhamento da situação socioambiental de cada Terra Indígena no Brasil, o site é a principal referência pública para monitoramento, consulta e visualização de dados geográficos, jurídicos e demográficos dos territórios indígenas. Com base de dados mantida pelo Programa Povos Indígenas no Brasil do ISA há mais de 40 anos e reflete um trabalho diário de coleta e organização de informações. Além de um mapa interativo, é possível acompanhar a situação de cada território através de uma ficha informativa.
Nosso modo de lutar
Gravado durante o Acampamento Terra Livre (ATL) de 2024, o documentário apresenta a perspectiva das cineastas indígenas Francy Baniwa, Kerexu Matim e Vanuzia Pataxó sobre a maior mobilização indígena do país.
Em parceria com o Instituto Socioambiental, as cineastas da Rede Katahirine retratam as diferentes mãos e vozes que constroem o encontro. Elas acompanharam cantadoras, cozinheiras, artistas, estudantes, anciãs e jovens lideranças no cotidiano do ATL, que completou 20 anos em 2024.
Zo’é rekoha – Modo de vida zo’é
O documentário coloca em primeiro plano a perspectiva das lideranças Tokẽ, Se’y, Awapo’í e Supi Zo’é sobre a história de seu próprio povo. Produzido em parceria com o Instituto Iepé e a Tekohara Organização, o filme foi concebido para integrar o novo verbete dedicado ao povo Zo’é na Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil, do Instituto Socioambiental.
A produção permite conhecer mais sobre o território, os cantos, as festas, o artesanato, as roças e as casas dos Zo’é, povo de contato recente que hoje soma 350 pessoas.
Rionegrinas
Fruto de uma parceria entre a FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), o DMIRN (Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro) e o Instituto Socioambiental, o documentário retrata a trajetória da mobilização de mulheres no movimento indígena do Alto Rio Negro (AM). A produção celebra as duas décadas de existência do primeiro departamento de mulheres indígenas do Brasil.
Premiada como “Melhor Filme Povos Originários” no Ecocine 2024, Festival Internacional de Cinema Ambiental e Direitos Humanos, a obra recupera, por meio dos relatos das próprias mulheres indígenas, caminhos de resistência e reivindicações relacionadas a sustentabilidade, geração de renda, território e participação em diferentes espaços.
Eenonai: Conservação e manejo na casa dos animais
Lançado em Belém (PA) durante a COP30, em 2025, o filme documenta o manejo sustentável da fauna pelo povo Baniwa na região do Alto Rio Negro (AM) e analisa osimpactos das mudanças climáticas sobre a caça tradicional.
Transmitido de geração em geração, o manejo da fauna faz parte de um complexo sistema de saberes que integra o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro (SAT-RN), patrimônio cultural reconhecido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)).
O documentário resulta de uma parceria entre o Instituto Socioambiental, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, organizações e escolas indígenas locais e a AIMAs (Rede de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental)) da região.
Menos preconceito, mais índio
O vídeo questiona estereótipos e visões cristalizadas sobre as identidades indígenas no Brasil. Ao abordar a sociodiversidade e a presença contemporânea desses povos, a produção mostra que culturas se transformam e que a incorporação de elementos externos não anula a identidade indígena.
A provocação aparece no mote da campanha: “Se você não é mais igual ao seu tataravô, por que os indígenas também não podem mudar?”. Idealizada há cerca de uma década, a obra integra uma campanha realizada pelo ISA em conjunto com parceiros do povo Baniwa, do Alto Rio Negro (AM).

