O intercâmbio de conhecimentos ou habilidades, tendo como moeda de troca o tempo, torna-se um hábito cada vez mais comum no Brasil e em outros países. Chamada de timebanking (banco ou troca de tempo, em livre tradução), a prática colaborativa, já usada dentro de instituições e empresas, em grupos de amigos e até entre desconhecidos, através de sites que promovem esse tipo de interação, também pode ser enriquecedora na educação.

Segundo o grupo Timebanking UK, do Reino Unido, que existe desde 1998 e conta com cerca de 300 membros, o banco de tempo é uma forma de as pessoas trabalharem juntas e aprenderem novas habilidades, ajudando uns aos outros.

A cada hora que uma pessoa oferece, ganha uma hora de crédito para gastar com uma hora de outra pessoa. Por exemplo, ela oferece uma hora de trabalho como babá e ganha uma hora de aula de inglês. Todas as habilidades tem o mesmo valor. Essa troca justa de tempo dá a possibilidade de uma pessoa usar os talentos que já tem e descobrir novas habilidades.

“Os principais benefícios para os participantes são o envolvimento na comunidade local e o aumento da auto-estima e da confiança – sentindo-se útil e ganhando algo em troca pelo que fez ou ensinou”, diz Nicki Baker, chefe de Finanças e Administração do Timebanking UK.

Na escola, os alunos também podem ajudar uns aos outros e se envolver com a comunidade escolar em troca de créditos de tempo para usarem em atividades de seu interesse. Crianças mais velhas podem ajudar as mais novas a ler ou ajudar em um clube de jardinagem. A escola pode dar em troca aos estudantes envolvidos a organização de um evento ou conseguir patrocínio para aulas em uma academia ou para natação, por exemplo, de acordo com Baker.

[A troca de horas] É uma forma de descobrir o que se gosta, no que se é bom, e desenvolver isso com o apoio de outras pessoas

Mesmo não sendo uma opção de educação formal, com o banco de tempo os estudantes podem conhecer coisas novas, como outras línguas, informática ou marcenaria. “É uma forma de descobrir o que se gosta, no que se é bom, e desenvolver isso com o apoio de outras pessoas”, afirma o site do Timebanking UK.

Confiança

Em grupos de troca de tempo entre jovens organizados e acompanhados por dois anos pelo Timebanking UK, todos os participantes disseram que aprenderam alguma coisa que poderá ajudá-los a arrumar um emprego, 90% sentiram uma melhora na confiança e na auto-estima, 50% passaram a frequentar mais a escola e 85% se sentiram valorizados e úteis para sua comunidade.

Para montar um banco de tempo, é preciso ter, principalmente, entusiasmo, segundo Baker. “Além disso, é necessário ter um coordenador, que ajude a gerenciar as trocas, a organizar atividades e a manter as pessoas em contato umas com as outras”, afirma.

Um banco de dados on-line pode tornar a interação mais fácil e ajuda na produção de relatórios. No site Hour World, o software gratuito em inglês Time and Talents está disponível para download. Um local onde os membros do grupo possam se conhecer também pode ser legal, mas não é obrigatório.

No Brasil

Uma rede colaborativa on-line de troca de tempo já está em funcionamento no Brasil. Para participar da Bliive, basta fazer um cadastro gratuito e começar a fazer trocas. O serviço oferecido por um participante se transforma em uma moeda chamada TimeMoney, que pode ser trocada por outra experiência da escolha da pessoa.

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