Sou professora de educação infantil em uma classe na EMEI Pingo de Gente, em Portão (RS). Como forma de mediação das relações entre as crianças em relação à inclusão, estou desenvolvendo o projeto “Diferentes Identidades nas Histórias e Músicas Infantis”.
De forma lúdica, por meio de canções e histórias que abordam diferentes identidades, trabalhei no sentido de diminuir as expectativas e angústias a respeito de questões do dia a dia deles. Discutimos o respeito às características de cada um, percebendo que as pessoas não são iguais, mas constituídas de traços e personalidades próprios.
Estabeleci com o grupo as regras de convivência, estimulando a tolerância às diferenças, tornando-os mais pacientes e prestativos com próximo. Abordamos valores e sentimentos como companheirismo, bondade, compaixão, amizade, colaboração e solidariedade.
Ao longo desse processo, pesquisamos sobre a escolha dos nomes dos alunos, como se deu e por quem. Descobrimos o significado de cada nome, o que as crianças acharam muito engraçado.
Fiz uso de vários livros de literatura infantil com o tema diversidade. Utilizei a Literatura de Cordel, que não é muito popular no nosso estado (Rio Grande do Sul), como uma diversidade cultural, capaz de levá-los a literatura do nordeste. Escolhi o cordel “A Revolta dos Brinquedos”, que aborda a importância de cada brinquedo e como cada um deles era muito querido, apesar de ser diferente um do outro. Usamos encenações, danças, ilustrações, atividades de coordenação motora fina em propostas artísticas e dinâmicas de grupo para entender os valores e sentimentos envolvidos.
Construímos painéis com diferentes ilustrações, gráficos, apresentação artística e pesquisas (como um estudo da metamorfose da joaninha e a vida de insetos) para abordar o respeito às fases pelas quais cada pessoa passa, assim como eles, que já foram bebês e agora são meninos. Para essa etapa, separei fotos e slides de um arquivo pessoal para estreitarmos nossos laços, pois assim eles puderam conhecer pessoas da minha família.
Com a história “Os Três Porquinhos”, trabalhamos as diferenças entre os três irmãos, que eram semelhantes fisicamente, mas tinham personalidades diferentes. Isso era comprovado pelo andamento da história, em que o personagem mais dedicado ao trabalho de construção da casa precisa ser tolerante e solidário para receber seus irmãos e abrigá-los, mesmo após terem zombado de sua demora na construção.
Com o uso de bonecos e de um cenário, construídos em grupos, fizeram a dramatização da história. Pesquisamos os mais diferentes tipos de casas humanas, de iglu a pau a pique ou casas de animais (tocas, ninhos, etc).
Em outra atividade, trabalhamos com livros de literatura infantil sobre a temática do medo, para que as crianças pudessem dizer em que situações demonstravam este sentimento. Muitos estavam associados a eventos do cotidiano. Em seguida, fizemos uma categorização: medos reais e imaginários. Percebemos que muitos estavam associados ao que era noticiado na TV, jornal local ou na comunidade. Após conversa, simbolicamente aprisionamos cada um deles na “caixinha dos medos”.
Como tarefa à distância, as crianças tiveram que conversar com os pais sobre seus principais medos e fazer com eles a leitura de um poema. Aproveitamos para abordar a ansiedade através da leitura de um dos livros de uma coleção infantil que trata de vários sentimentos. Ouvimos atentamente o que os deixava ansiosos no dia a dia. Neste momento, aproveitei para trabalhar a música de uma campanha sobre violência contra a criança chamada “Não engula esse choro, menino”.
Discutimos também a importância das crianças conversarem sempre sobre suas angústias com um adulto de confiança: a professora, a mãe, a dinda, o pai, ou seja, alguém em quem confiam.
A partir de agora, abordaremos as diferentes constituições de famílias deles e de outros colegas, usando as histórias “Famílias de A a Z” e “As Famílias dos Animais”.
Com as diversas músicas e danças, aprendemos que é normal ser diferente, que ninguém é igual a ninguém, pois, afinal, aqui na nossa escola “todo mundo é uma caveira”. O projeto ainda está em andamento.

