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Crédito: Thomas Bethge / Fotolia.com

Diário de Inovações

Como em restaurante, alunos fazem escolhas em um menu de aprendizagens

Professores de história e geografia se unem para desenvolver projeto que estimula a autonomia dos estudantes

por Felipe Costa / Marcello Paniz Giacomoni 8 de novembro de 2017

Parte essencial da nossa vida em sociedade é saber escolher, e não falamos apenas em escolher produtos em uma loja. Nossas escolhas vão das palavras que usamos, dos textos que lemos, das posturas e sentimentos que cultivamos até aquilo que desejamos estudar.

Nessa lógica de escolhas, o projeto “Menu de aprendizagens – Os Estados-Nações e o surgimento do capitalismo” ofereceu aos alunos do 9º ano do Colégio Israelita Brasileiro, em Porto Alegre (RS), um conjunto de escolhas, assim como o cardápio de um restaurante.

O menu que propusemos tratou de outro alimento. Ao invés de optar por uma entrada, o aluno escolheu uma temática que lhe agrava saber mais, dentro das possibilidades dos conteúdos programáticos para o primeiro trimestre dos componentes curriculares de História de Geografia. No lugar do prato principal, ele optou por uma metodologia que lhe permitiu conhecer de forma mais aprofundada a temática. Por fim, ao invés de uma sobremesa, optou por diferentes formas de apresentar aquilo que foi estudado ao longo do trimestre.

O projeto tinha como objetivos principais aprofundar o conhecimento dos alunos em temáticas específicas do processo de desenvolvimento dos estados-nações europeus em consonância com o nascimento do capitalismo. Desejávamos também estimular a construção da autonomia intelectual dos alunos, mediante a consciência de que a autoria de um produto era estritamente deles, sendo os professores apenas mediadores.

Através da escolha dos caminhos, as individualidades e as potencialidades de cada aluno poderiam ser melhor desenvolvidas. Por fim, previmos uma feira de conhecimentos para apresentação dos produtos, ressaltando as múltiplas e complexas formas de produção destes.

Foram disponibilizados, semanalmente, um período da disciplina de História e um período da disciplina de Geografia para realização do projeto. Após a escolha das temáticas, passou-se a trabalhar com as diferentes possibilidades metodológicas, sendo que os alunos poderiam optar entre cinco delas: uma análise bibliográfica, a partir da utilização de textos variados, como livros, artigos, reportagens, sites, verbetes, visando obter informações sobre as temáticas escolhidas; trabalho com fontes primárias, utilizando textos e vestígios contemporâneos às temáticas estudadas; análise de filmes, utilizando os mesmos como fontes de pesquisa, observando como a temática escolhida é representada no (ou nos) filmes; entrevistas, buscando informações em conversas guiadas com especialistas nas temáticas escolhidas; análise comparativa, a partir do contraste entre duas (ou mais) realidades, dois objetos, dois períodos de tempo, dois indivíduos, entre outros, para que nessa comparação se evidenciem as semelhanças e diferenças, continuidades e rupturas, entre os objetos comparados.

A maioria dos alunos optou pela metodologia bibliográfica, mas mesmo assim houve algumas boas experiências nas demais propostas, de forma a auxiliar na construção de um pensamento científico mais complexo, que consiga perceber as várias formas de construção dos conhecimentos.

Por fim, cada aluno ou dupla deveria optar pela elaboração de um produto que evidenciasse as múltiplas aprendizagens sobre a temática escolhida: artigo científico, fábula histórica, documentário, degustação gastronômica, exposição, intervenção artística, banner de iniciação científica ou maquete.

Cada produto de aprendizagem possuía um critério próprio de avaliação, e em todos os formatos disponíveis era necessário entregar uma lista com a bibliografia utilizada pela dupla, com uma breve descrição que problematizasse como as informações advindas dela foram assimiladas pelo trabalho. Por exemplo, na fábula histórica esperava-se um texto que construa uma ficção que se passa em um contexto histórico, podendo ser ilustrado. Já na degustação gastronômica, os alunos deviam oferecer um ou mais pratos gastronômicos que remetam à temática escolhida, problematizando a ligação do prato com a temática escolhida, evidenciando especialmente ingredientes, modos de preparo e significados.

As entregas de atividades e outros acompanhamentos tiveram como suporte o Google Classroom, além da utilização sistemática dos aplicativos Drive e Documentos, também do Google, visando a organização do trabalho dentro e fora da sala de aula. Sendo uma atividade curricular, o projeto compôs a nota do primeiro trimestre com um valor de 4 pontos (em um universo de 10 pontos totais) nas disciplinas de História e Geografia.

Essa avaliação se deu ao longo do trimestre e após a entrega dos produtos finais, com os critérios e pesos claros desde o início do projeto: comprometimento durante as aulas (1); prazos e combinações atendidas (0,5); conteúdos, conceitos ou problematizações relativas à temática escolhida desenvolvidos de forma aprofundada (1,3); critérios específico do produto atendidos (0,7) e apresentação da bibliografia problematizada (0,5).

Felipe Costa

Licenciado e bacharel em geografia, tem especialização em psicanálise da infância e adolescência. Faz mestrado em ensino de geografia na UFRGS. Atua também na educação básica no Colégio Israelita Brasileiro, na Escola Lumiar e no curso pré-vestibular Anglo. Seus interesses giram em torno da formação de professores e do ensino a partir dos centros de interesses dos alunos.

Marcello Paniz Giacomoni

Com graduação e mestrado em história, tem doutorando em educação. Atua como professor na educação básica no Colégio Israelita Brasileiro e na educação superior no Centro Universitário Ritter dos Reis, nos cursos de licenciatura em história e pedagogia. Tem interesse especialmente pela construção de metodologias para o ensino de história, bem como na formação inicial e continuada de professores.