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Diário de Inovações

É possível inovar na reunião de pais? Professora usa sorrisos para mostrar que sim

Para aproximar as famílias da escola, a educadora transformou os encontros em um momento de formação e valorização das crianças

por Carla Borges 10 de março de 2017

Sou professora nas escolas municipais Ninita Amaral, em São Joaquim de Bicas (MG), e Antonio Pinheiro Diniz, em Sarzedo (MG). Tendo em vista a necessidade de envolver os pais na formação dos seus filhos, comecei a desenvolver algumas estratégias para aproximá-los da sala de aula. Acredito que na educação infantil damos o primeiro passo para um trajetória escolar de sucesso.

Quando recebi as turmas do 2º período da educação infantil, senti que era necessário trabalhar a autoestima e a valorização das crianças enquanto sujeitos. Eu me questionava se os familiares tinham tempo para observar as crianças e acompanhar o que elas faziam na escola. Pensando nisso, tive a ideia de aproveitar a reunião de pais do primeiro bimestre para fazer a dinâmica “Descubra-me pelo sorriso”.

Dei início ao encontro dizendo para os responsáveis que eles teriam uma tarefa muito fácil: deveriam encontrar o portfólio de atividades do filho, mas, para isso, seria preciso reconhecer o sorriso da criança em um dos envelopes. Nesse momento, eles ficaram bem assustados. Alguns acharam muito rápido, mas eu tive pais que sentiram uma enorme dificuldade. Eles ficaram surpresos por não reconhecer o sorriso do próprio filho.

Depois dessa dinâmica, abri uma reflexão sobre acompanhamento familiar. Será que, em meio a tanta correria, os pais tinham tempo para desfrutar de momentos felizes com os filhos? Como professora, muitas vezes eu presenciava mais sorrisos das crianças do que os próprios pais. A partir daí, comecei a apresentar estratégias e trabalhos para aproximar as famílias.

Tive a ideia de criar um jardim do comportamento dentro da sala de aula. Cada criança era responsável por cuidar de uma flor de papel e, para não perder pétalas, deveria demonstrar atitudes de cooperação, comportamento em sala e valorização do próximo. Não adiantava ser bom na escola, tinha que ser bonzinho também. A turma tinha que cuidar bem do jardim porque ele seria visitado pelos pais.

Fizemos também cartinhas semanais, ora eu professora fazia cartinha de incentivo para todos, ora os colegas faziam uns para os outros. A cada dia buscava mostrar para as crianças que todos poderiam ser especiais. Elogios eram constantes em sala, bem como usar a expressão “eu consigo”.

Foi também com o apoio das famílias que produzimos um livro sobre a vida das crianças. Os pais tiveram que ajudar os filhos a contarem suas próprias histórias. Tivemos os funcionários da escola como leitores e deixamos recadinhos especiais para os alunos no final dos livros. Durante uma reunião de pais, marquei uma mesa de autógrafos com todos os trabalhos que foram realizados.

Nesses encontros, eu procuro fazer mais um espaço de formação do que uma reunião padrão. O pai sai de casa e precisa ter mais esclarecimento sobre o que acontece na escola. Seria muito fácil entregar os trabalhos e pedir para eles assinarem uma lista de presença, mas é melhor ter um momento de reflexão.

Eu trabalho sempre nessa perspectiva. No terceiro bimestre, por exemplo, eu fiz um ditado com os pais. Comecei a dar uma receita de como eles deveriam desenhar um monstrinho. No final, eles apresentaram uns para os outros e viram que nenhum desenho tinha ficado igual. Aproveitei o momento para falar que as crianças também não eram iguais e aprendiam de formas diferentes.

A experiência foi enriquecedora para nós. Hoje, os pais me encontram e agradecem bastante. Eles começaram a pensar que as crianças estão chamando a atenção deles para terem mais afeto.

Carla Borges

Formada pela UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais) e pós-graduada em coordenação pedagógica e educação especial e inclusiva. Tem quatro anos de experiência como professora, com dedicação principalmente na educação infantil. Trabalha nas escolas municipais Ninita Amaral, em São Joaquim de Bicas (MG), e Antonio Pinheiro Diniz, em Sarzedo(MG).

TAGS

educação infantil, engajamento familiar, socioemocionais