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Inovações em Educação

Google e Lemann se unem para entregar planos de aula direto no celular do professor

Iniciativa conta com investimento de mais de R$ 20 milhões e será oferecida gratuitamente, podendo funcionar mesmo em escolas com baixa conectividade

por Vinícius de Oliveira 23 de março de 2017

O Google e a Fundação Lemann anunciaram nesta quarta-feira (22) uma parceria para uma iniciativa que pretende entregar, direto no celular do professor de ensino fundamental, planos de aula com conteúdos previstos na Base Nacional Comum Curricular, documento que determinará os conhecimentos essenciais que cada aluno deve conquistar ao longo de sua trajetória escolar. O projeto terá R$ 15 milhões de investimento da gigante de tecnologia e outros R$ 6 milhões provenientes da Fundação Lemann, que colocará a Associação Nova Escola à frente do projeto. A intenção é que, até 2019, qualquer professor tenha acesso gratuito a 6 mil planos de aula de todas as disciplinas, da educação infantil ao 9º ano do ensino fundamental.

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“É uma grande chance para diminuir as discrepâncias de aprendizado, já que os indicadores mostram que existe muito trabalho a ser feito para que todos os alunos consigam atingir seu potencial e ter acesso à educação de qualidade. Essa também é uma oportunidade para ganhar escala e aumentar o impacto”, diz Nick Cain, executivo do programa google.org, responsável pela filantropia do Google.

A estratégia, segundo Cain, está alinhada com pesquisas como a TIC Educação, que mostrou nos últimos anos que, mesmo com problemas de infraestrutura de internet nas escolas, quase todos os professores brasileiros usam seus celulares para preparar as aulas e mais de um terço deles usa os dispositivos em atividades com os alunos. Além disso, os cruzamentos de dados de avaliações nacionais que a Fundação Lemann dispõe na plataforma QEdu vão dizer quais conteúdos precisam de novas estratégias para que os alunos aprendam melhor.

“A gente sabe pelos dados da Prova Brasil quais são as coisas mais encrencadas. Poucos alunos aprendem fração. Provavelmente porque a gente não sabe ensinar direito. Com acesso a esses dados, vai dar para pegar os conteúdos que são mais difíceis, desenvolver material e ir testando”, diz Denis Mizne, diretor-executivo da Fundação Lemann.

Para abastecer a plataforma, a Fundação Lemann fala em criar um “time dos sonhos” formados por professores, que irão formatar o conteúdo para apoiar os colegas que estão na outra ponta. “Tudo será desenvolvido por professores experientes conectados à realidade da sala de aula e revisado por especialistas nas disciplinas. Os educadores interessados em colaborar com o projeto poderão se inscrever nas chamadas públicas que acontecerão nos próximos meses”, diz Mizne.

O produto será baseado na plataforma LearnZillion, que conversa com produtos de educação do Google. Nela, além do roteiro de aula que poderá ser acessado em modo off-line, o professor terá acesso a recursos digitais, quizzes e relatórios. A opção pelos planos de aula que cabem no bolso se justifica, segundo executivo da Fundação Lemann, pelo momento crítico no qual sistemas de ensino terão que se adaptar rapidamente às orientações da Base Nacional. Em paralelo, professores podem começar a demandar conteúdos que antes não passavam por suas aulas. “Nos Estados Unidos, as editoras demoraram muito para lançar livros alinhados aos novos padrões. A mesma coisa aconteceu na Austrália, que tentou colocar materiais digitais em um portal que ajudasse o professor”, diz Mizne.

Na conversa com jornalistas após o evento Google for Brasil, o representante da Fundação Lemann ressaltou que a criação da nova plataforma faz parte de uma série de esforços que envolvem tanto governos como o terceiro setor para aproximar os artigos do documento em orientações para a sala de aula. “No futuro, tendo a base organizada, o professor vai poder dar um Google para saber como ensinar o sistema solar no terceiro ano e vai aparecer o vídeo do YouTube Edu, o plano de aula da Nova Escola, mas também da Escola Digital, do Portal do Professor e o que a rede de São Paulo ou a Educopédia, do Rio de Janeiro, produziram. E o professor vai conseguir ter várias fontes”, diz Mizne.

Para entrar em vigor em 2019, a Base Nacional precisa ser homologada pelo governo federal ainda neste ano.

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aplicativos, base nacional comum curricular, fundação lemann, infraestrutura, tecnologia, videoaulas