12 Anos de Escravidão chega a escolas públicas dos EUA - PORVIR
crédito Divulgação

Inovações em Educação

12 Anos de Escravidão chega a escolas públicas dos EUA

Filme indicado a nove categorias do Oscar será usado por alunos de ensino médio durante aulas de história

por Redação ilustração relógio 27 de fevereiro de 2014

Parece que não foram apenas os críticos de cinema que aprovaram o filme “12 Anos de Escravidão”, de Steve McQueen, indicado para concorrer a nove categorias do Oscar no próximo domingo. A partir de setembro, o longa começará a ser utilizado como ferramenta educacional por escolas públicas dos Estados Unidos. O material tem a intenção de oferecer um complemento para discutir o tema da escravidão durante as aulas de história do ensino médio.

Baseado na autobiografia do violinista Solomon Northrup, publicada em 1856, o filme conta a história de um homem negro livre que, após ser sequestrado e vendido como escravo, aprende a ser submisso para sobreviver. Na contramão dos filmes que normalmente retratam a época, os senhores de escravos não são apresentados de maneira romanceada. Ao contrário, a obra apresenta de forma direta uma visão impiedosa sobre o período da escravidão norte-americana.

O desejo de utilizar a história de Northrup como um instrumento de ensino já era antigo para McQueen. “Desde que li ‘12 Anos de Escravidão’ pela primeira vez, tinha o sonho de que esse livro fosse usado em escolas”, afirmou o diretor em nota publicada pela National School Board Association, uma das organizações responsáveis pela distribuição dos filmes, ação que faz em parceria com a produtora New Regency e a editora Penguin Books.

Segundo Montel Williams, ator e coordenador da iniciativa, as produções audiovisuais podem se tornar uma grande ferramenta educacional. “Esse filme sublinha de maneira única um período vergonhoso na história dos EUA. O filme estimula nos estudantes um desejo de não repetir os males do passado e, ao mesmo tempo, inspira os jovens a sonhar com um futuro maior e mais brilhante”, afirmou o ator no mesmo texto.

Além do filme, as escolas irão receber também o livro de memórias de Northrup e uma cartilha de estudos. Os diretores poderão decidir se irão incorporar formalmente as discussões sobre o longa no currículo escolar.

No ano passado, o Porvir conversou com o jornalista e crítico de cinema Sérgio Rizzo, cuja tese de doutorado defende a criação de uma especialização específica para que professoes do ensino fundamental trabalhem o audiovisual nas escolas. De acordo com o especialista, o audiovisual pode ser uma forma mais envolvente de trabalhar conteúdos em sala de aula. No entanto, ele advertiu para o papel do professor de ser um mediador e conduzir a discussão sobre a obra, sem tomar para si a tarefa de fazer as interpretações sobre o filme.

 


TAGS

cinema, ensino médio

Deixe um comentário

avatar
500
  Acompanhar a discussão  
Tipo de notificação
X