Localizada a 582 quilômetros da capital paulista, Narandiba é um pequeno município do interior de São Paulo, com uma população de 5 mil habitantes. Em tupi-guarani, Narandiba significa terra da laranja. Sempre tive um olhar especial voltado ao cuidado com a natureza, preocupado com o futuro do nosso planeta. 

Durante a pandemia e o retorno às aulas presenciais, notei que muitos estudantes apresentavam comportamentos apáticos ao que sempre fui acostumado a ver numa escola. Elaborei, então, o Projeto Piloto de Reflorestamento, com o intuito de socorrer algumas nascentes existentes próximas do nosso município, envolvendo todos os alunos no processo: aqueles com e sem deficiência, dos menos aos mais motivados… Queria fazer uma proposta que tivesse o poder de transformar tanto a natureza quanto influenciar o comportamento dos alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental II Professora Ineura Rodrigues de Lima, na qual trabalho como bibliotecário. 

A Lei 9.795/99 estabelece que a educação ambiental deve estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo. Pensando nisso, apresentei o projeto à direção da unidade escolar, que ficou muito entusiasmada. A maior parte dos pais e responsáveis pelos nossos estudantes trabalha em usinas de cana e em fazendas agropecuárias do município.

Logo iniciamos o trabalho envolvendo todas as disciplinas.

Por um futuro mais verde, bibliotecário cria projeto de reflorestamento no interior de SP
Crédito: Expedito Mendes de Moraes/Arquivo pessoal Crédito: Arquivo pessoal

Durante as aulas, eu e o coordenador da escola passamos por todas as classes. Primeiramente, tivemos o momento de explicar aos alunos a importância do reflorestamento e do manejo das plantas. Compramos terra, sementes e realizamos o plantio das mudas na própria escola. A partir daí, passamos a cuidar das mudas e acompanhar o crescimento. 

Nesse meio tempo, levamos os alunos para conhecer as nascentes e o lugar onde aconteceria o início do processo de reflorestamento: a Fazenda São Domingos. Propriedade dos herdeiros do Isaac Melem, hoje tem a sua área agricultável arrendada para a plantação de cana da Usina Umoe Bioenergy, da Noruega.

O espaço escolhido para o projeto fica localizado a 2 quilômetros de distância da escola. Ali, a nascente do rio está sofrendo os impactos de uma concentração da drenagem pluvial urbana que levou a um processo erosivo, além de carrear lixos e terra ao local. A correção do problema está em andamento, mas, mesmo assim, buscamos contribuir e somar esforços para a recuperação dessa nascente com outros agentes da sociedade, como a prefeitura municipal e a própria Umoe Bioenergy.

Passado o tempo de crescimento das mudas, retornamos ao local para então plantá-las. Agendamos o transporte dos ônibus da prefeitura para levar, em média, 60 alunos por semana até a fazenda. As ferramentas necessárias para o plantio também foram disponibilizadas pela prefeitura. 

Iniciamos o projeto com o primeiro plantio numa área de dois hectares. Contudo, há um total de dezenove hectares a serem reflorestados. Temos mudas de Pau Brasil, Ipês amarelo, branco, rosa e roxo, Jacarandá, mudas da laranja conhecida aqui na nossa região como laranja do mato, e Jaracatia, de cuja madeira é feito doce, bem como do fruto. Em agosto, plantaremos mil mudas de árvores. Os tratores da prefeitura fazem a rega periodicamente e eu visito o terreno a cada dois dias, para acompanhar tudo de perto.

Clique na foto abaixo para ver a galeria de imagens:

Esse foi um momento de grande aprendizado e reflexão, pois os estudantes puderam entender o quanto é importante cuidar da natureza, sempre pensando no futuro melhor para nosso planeta. 

Aliás, com tudo o que foi desenvolvido até o momento, já percebi, juntamente com a equipe de docentes e das gestoras, o envolvimento dos alunos. Eles têm interesse em aprender mais sobre o processo de reflorestamento, bem como sobre a conscientização e a importância das árvores para o meio ambiente, melhorando a manutenção da vida na terra e a qualidade de vida de todos.

O projeto não para por aí: temos muito trabalho a ser desenvolvido transformando a natureza e o ser que nela vive. As ideias não param de aflorar e já estou pensando em novos projetos. Um deles envolve o reaproveitamento da água da chuva e dos condicionadores de ar existentes na escola e, o outro, a criação de peixes em tanques na própria escola. Clique aqui para assistir a reportagem feita pelo jornal Bom Dia Fronteira.

O que você precisa para replicar esse projeto? 

Além de um espaço para o plantio de mudas e sementes e de ferramentas de jardinagem, é preciso acompanhar o crescimento, regando-as com frequência. Importante, também, é trabalhar com o poder de conscientização quanto ao cuidado com o meio ambiente, apoiando a transformação dos pensamentos e das atitudes dos alunos. 

Bibliotecário na Escola Municipal de Ensino Fundamental II Professora Ineura Rodrigues de Lima, em Narandiba, interior de São Paulo, é aluno de teologia na Faculdade João Paulo II, de Marília.

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5 Comments

  1. Olá, que projeto incrível! Gostaria de conseguir o email pessoal ou profissional do Expedito. é possível? Obrigada!

  2. Olá
    Projeto muito interessante que pode ser replicado.
    Como faço para ter o contato do mentor do projeto?
    Obrigada
    Joseneide

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