Crianças compartilham seus talentos e viram professores por um dia - PORVIR
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Diário de Inovações

Crianças compartilham seus talentos e viram professores por um dia

Educadora conta como desenvolveu um projeto para valorizar as habilidades de cada aluno e estimular a troca de conhecimento em uma turma de 5º ano

por Cristiane Tobias Compri ilustração relógio 12 de setembro de 2018

Sou professora de uma turma do quinto ano do ensino fundamental, na Escola Estadual Doutor Benedito Estevam dos Santos, em São Paulo (SP). Como tenho na sala alguns alunos com deficiência e também com dificuldade de aprendizagem, resolvi montar um projeto para ressaltar a maior habilidade que cada aluno tinha e dei nome de “Eu, professor”.

A ideia principal foi incentivar a pesquisa por um assunto de interesse de cada um, trazer conhecimento para os colegas, desenvolver a oratória diante da sala, saber produzir um projeto e reforçar que todos possuem habilidades a serem aperfeiçoadas e a serem desenvolvidas. Em um contexto atual, em que temos a inclusão como algo vigente, temos que desenvolver habilidades diferenciadas para que todos alunos brilhem e não se sintam diminuídos.

O projeto se divide em algumas etapas. Primeiro, o aluno tinha que pensar em um tema que gostaria de pesquisar e falar para os colegas. A apresentação não deveria ser apenas de forma discursiva, mas o próprio aluno poderia decidir o recurso e a metodologia que seria utilizada para compartilhar esse conhecimento com a turma.

Antes de começar a atividade, expliquei para os alunos como eles deveriam fazer para elaborar um plano de aula com objetivo, conteúdo, recursos e estratégias. Como estávamos em uma sequência didática com o gênero literário “carta de leitor”, pedi para que todos fizessem um plano relacionado a esse mesmo tema, assim eles poderiam tirar possíveis dúvidas antes de executarem seu projeto. Cada um teve que me entregar o seu roteiro dentro do esquema solicitado, incluindo suas expectativas diante daquele trabalho.

Temos que desenvolver habilidades diferenciadas para que todos alunos brilhem e não se sintam diminuídos

Depois que os alunos entregaram seus planos de aula, analisei todas as atividades para verificar se alguém precisava de ajuda ou se eu deveria fazer alguma observação. Também fiquei atenta se eles precisavam de algum material. Feito isso, começamos a marcar as datas e o tempo necessário para os trabalhos serem apresentados.

Vale citar alguns exemplos de trabalhos que foram realizados pela turma. Um aluno com laudo de altas habilidades apresentou uma aula sobre sistema solar. Para isso, ele levou um para a sala de aula um planetário feito de metal que foi construído com seu pai. A apresentação feita por uma criança de 10 anos foi muito rica, tanto em conhecimento quanto em recursos.

Uma aluna com Síndrome do Cromossomo 22, deficiente auditiva e com hipótese de dislexia, tem muita habilidade para trabalhar com artes manuais. Com apoio da mãe, ela elaborou uma aula para confecção de flores de papel. A atividade foi regada de muito afeto, aprendizado e cumplicidade. De forma interativa, outra aluna com muita facilidade em geografia montou um jogo de debate sobre os estados e capitais do Brasil. A sala interagiu participou, e eu obtive como resposta uma melhora muito grande nessa disciplina.

Esse trabalho seguirá até o fim do ano e com certeza com muitas novidades e aprendizados. Com esse projeto, foi possível mostrar para cada aluno que, independente da sua dificuldade, todos são capazes de aprender. Cada um possui uma habilidade e irá brilhar, seja na música, no artesanato, com o conhecimento de planetas e ciências da natureza, com a escrita de um bom texto ou com o raciocínio lógico.


Cristiane Tobias Compri

Professora do quinto do ensino fundamental com 20 anos de experiência. Psicopedagoga clínica e institucional, atende crianças com dificuldade e/ou déficit de aprendizagem. Trabalha com corpo docente na orientação em recursos e metodologias diferenciaras na sala de aula.

TAGS

aprendizagem baseada em projetos, competências para o século 21, ensino fundamental, inclusão, socioemocionais

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