Professor da rede municipal de São Paulo conquista prêmio internacional - PORVIR
Crédito: Arquivo Pessoal / Paulo Magalhães

Inovações em Educação

Professor da rede municipal de São Paulo conquista prêmio internacional

Com projeto que aproxima a escola da comunidade, Paulo Magalhães foi eleito um dos melhores professores do mundo no Global Teacher Award 2021

por Marina Lopes ilustração relógio 21 de dezembro de 2021

Um professor brasileiro foi reconhecido entre os melhores do mundo pelo prêmio Global Teacher Award, da organização indiana Aks Education Awards. Paulo Magalhães foi selecionado entre mais de 200 mil iniciativas, de 110 países, com o projeto “Aula Pública”, que transforma ruas, museus, praças, prédios históricos e outros espaços públicos em uma extensão da sala de aula.

Professor de geografia da rede municipal de São Paulo, ele leciona há mais de dez anos na Escola Municipal de Ensino Fundamental Duque de Caxias, localizada na região do Glicério, em São Paulo (SP). Em 2017, Paulo publicou um relato na seção Diário de Inovações, do Porvir, contando como surgiu a proposta de sair com os alunos da escola para explorar e ocupar a cidade. O passo a passo para organizar uma aula pública também pode ser conferido aqui.

“Quando eu comecei a dar aulas, eu tinha a necessidade de fazer algo para contribuir com os meus alunos de uma forma diferenciada. Eu acredito que agora, depois de tantos anos, a sociedade conseguiu perceber a importância de levar as crianças para a rua e ocupar esses espaços”, afirma o educador.

A ideia nasceu em 2010, ainda de forma tímida, com uma visita pelo bairro. “No começo, eu posso dizer que foi difícil porque eu tive que convencer os meus alunos, a gestão da escola, todos os professores e a comunidade. Achavam que era perigoso sair com as crianças”, recorda Paulo.

Seis anos depois da primeira experiência, o projeto “Aula Pública” começou a ganhar forma. De lá pra cá, as ruas foram tomadas por caminhadas, cortejos, pesquisas de campo e atividades a pé. De uma forma ou de outra, nem mesmo a pandemia de Covid-19 parou o projeto. “Eu estava dando aula na rua e na sala de aula. De repente a pandemia chegou em março de 2020. Os alunos não podiam mais ir ao bairro, então eu filmava a minha aula lá e mandava para eles pelo Google Sala de Aula. Depois a gente assistia esses filmes e montava histórias em quadrinho, nunca perdendo o fio condutor da geografia”, conta.

O que começou na aula de geografia também se expandiu para outras áreas de conhecimento. Hoje o projeto também contempla ações de conscientização socioambiental, com debates sobre lixo urbano e moradia, e também promove o incentivo à leitura. “Eu percebi que meus alunos tinham uma fome de ler tremenda. Para estimular, em 2018, comecei a comprar cinco livros a cada 15 dias. Eu tirava do meu próprio orçamento. Selecionava algumas obras e pedia para a professora de português verificar se a leitura estava de acordo. Com o tempo a comunidade e algumas organizações começaram a doar títulos.”

Com o amadurecimento do projeto, foram surgindo cada vez mais reconhecimentos nacionais e internacionais para o professor. Além da seleção no Global Teacher Award, recentemente ele também foi vencedor do Prêmio de Educação em Direitos Humanos Oscar Arnulfo Romero, promovido pela OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos para Educação, Ciência e Cultura) e a Fundação SM. Paulo também já tinha sido contemplado com o prêmio de Direitos Humanos da Secretaria Municipal dos Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, em 2018, e alcançou o primeiro lugar no prêmio Comunidade de Aprendizagem, do Instituto Natura, em 2017, ocasião em que ganhou uma bolsa de estudo na Universidade de Barcelona, na Espanha.

Entre todos os prêmios recebidos nessa jornada, Paulo é categórico ao afirmar qual é o mais importante de todos: “O meu maior prêmio é perceber que os alunos estão empolgados com as aulas públicas. É ver que eles têm melhorado no seu comportamento e aprendizado em todas as áreas. Isso é mais importante do que qualquer reconhecimento”, concluiu.


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aprendizagem baseada em projetos, coronavírus, educação mão na massa, ensino fundamental, uso do território

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