Aqui em Conceição do Araguaia, no Pará, existem muitos casos de Leishmaniose, tanto em cães quanto em humanos. A doença é transmitida por um mosquito, então acho que a melhor forma de prevenir os casos é a conscientização da população. Se você não deixa o mosquito se reproduzir, dá pra combater a doença.

Sou formada em biologia, mas não me sentia tão capacitada assim quando precisava falar de um assunto como esse, que é mais voltado para a área da saúde. Então resolvi fazer um curso da Secretaria de Vigilância em Saúde chamado “Leishmaniose Visceral no Brasil: diagnóstico e tratamento”. Eu acredito que quando você vai transmitir conhecimento, é preciso estar a par do assunto. Participei da formação justamente para trabalhar melhor e ter mais conhecimento do assunto.

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Depois, resolvi desenvolver um projeto sobre o tema com os meus alunos, do ensino fundamental 2 até o terceiro ano do ensino médio. No fundamental, eu dou aulas de ciências, e no médio, de biologia. O primeiro passo foi comum a todos: expliquei sobre o projeto e sobre a doença. Em seguida, cada turma fez uma atividade que foi adaptada de acordo com o conteúdo programático daquele ano.

O sexto ano, por exemplo, desenhou cachorrinhos afetados pela doença. O primeiro ano do ensino médio fez uma maquete do ambiente onde o mosquito se desenvolve, mostrando que as pessoas não devem deixar acumular lixo, folhas ou fezes de animais como galinhas nos quintais. Já o terceiro ano do ensino médio fez a classificação do protozoário que causa a doença.

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Já o oitavo ano, que estuda o corpo humano, produziu cartazes mostrando os órgãos afetados. Quando eu estava explicando sobre a doença, eu levei a réplica de um tronco humano para a aula para mostrar esses órgãos e explicar os sintomas da doença. Com a Leishmaniose, o protozoário se aloja no baço e no fígado e a pessoa fica barriguda, porque esses órgãos ficam inchados.

Eu escolhi realizar esse projeto em atividades extraclasse. Nas escolas do Estado, os professores devem aplicar atividades e depois uma prova. Como uma forma de incentivar a participação dos alunos, a nota da prova correspondeu à realização das atividades do projeto. Na sala, eu explicava como deveriam fazer e eles elaboravam os materiais em casa.

Ao final das atividades, nós fizemos uma exposição. Escolhi fazer esse evento numa praça pública perto do centro da cidade, porque a nossa escola fica bem afastada, na periferia da cidade. Fazendo no centro, mais pessoas poderiam participar e conferir as produções dos alunos. As escolas que ficam próximas dessa praça receberam o convite para que seus alunos e professores visitassem nossa exposição.

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No dia, vários alunos visitaram nossa tenda. A Secretaria de Saúde enviou três funcionários para nos ajudar e tirar dúvidas dos visitantes.

Quando eu estava expondo conteúdo, uma aluna falou que teve a doença, quase morreu e mesmo depois de ficar quase um ano doente, ela não sabia que o protozoário era transmitido por um mosquito. Depois do projeto, eu percebi que os alunos ficaram mais atentos com a questão da prevenção da Leishmaniose.

 

*O relato da experiência foi compartilhado no Blog da professora Rosa Almeida.

Professora de Ciências e Biologia da Rede Estadual de Ensino desde 1998, Graduada em Pedagogia (1997) e Ciências Naturais com Habilitação em Biologia (2003) pela UEPA-Universidade Estadual do Pará e Especialista em Biologia (2005) pela UFLA-Universidade...

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